sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Mobilização Neural

A Mobilização Neural (MN) é uma intervenção que procura restaurar a homeostase do sistema nervoso periférico por meio de técnicas manuais de mobilização de suas estruturas. A MN facilita o movimento entre as estruturas neurais. Estudos em humanos revelam que a MN diminui o edema intraneural, melhora a dispersão do fluido, reduz a hiperalgesia após lesão nervosa.
Basson, A et al. publicaram uma revisão sistemática e Metanálise na JOSPT de setembro deste ano, avaliando a eficácia da mobilização neural (MN) em diversas patologias musculoesqueléticas. Foram selecionados 40 estudos dos quais 17 tinham baixo risco de viés.
Na dor lombar com sintomas neurais (abaixo das nádegas) e incapacidade (medido através do Oswestry Low Back Pain Disability Questionnaire), Slump test positivo e dor a mais de 3 meses, tem uma melhora clínica significativa com a MN na posição do Slump Test e SLR. Na cervicalgia com dor irradiada para o braço, o uso do Glide lateral tem um efeito positivo na dor com uma significância clínica. A incapacidade parece também ter benefícios, mas em nenhum estudo selecionado foi medido por meio de questionários de avaliação. Na síndrome do túnel do carpo a MN não mostrou efeitos significativos. Na epicondilite não é possível afirmar que a MN tenha efeitos positivos ou negativos na clínica do doente. Dois estudos suportam o uso da MN do Nervo Tibial na dor do calcanhar e na síndrome do túnel do tarso. Na dor pós-operatória da lombar e na síndrome do túnel cubital, dois outros estudos não encontraram nenhum efeito positivo da MN. 
Os autores apontam que estas conclusões podem mudar ao longo do tempo devido ao número limitado de estudos e estudos com amostras pequenas que entraram nesta metanálise.

FONTEThe Effectiveness of Neural Mobilization for Neuromusculoskeletal Conditions: A Systematic Review and Meta-analysis; Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, 2017 Volume:47 Issue:Pages:593–615 DOI:10.2519/jospt.2017.7117.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Ótimo Tutorial do Mendeley

Mendeley é um software gratuito (Win, Mac & Linux) para gerenciar, compartilhar, ler, anotar e editar artigos científicos.


terça-feira, 3 de outubro de 2017

Força de MMII e Lesões no Joelho

Estudo publicado na BMJ, Janeiro de 2017, avaliou a relação entre a força dos músculos dos MMII e as lesões no joelho em jovens atletas. Participaram do estudo 225 atletas, homens e mulheres, de diversas modalidades esportivas. 
Ambos foram avaliados através 1RM barbell squat test para mensurar a força dos músculos dos MMII. Foram acompanhados durante uma temporada escolar, e deviam registrar as lesões ocorridas neste período. 63 lesões no joelho foram registradas e a maioria eram do grupo de mulheres fracas. A chance de uma mulher atleta jovem considerada fraca, mediante o 1RM barbell squat test, lesionar o LCA é 9,5 vezes maior. Nos homens não houve diferença entre os grupos, fracos e fortes.

Os autores concluem que a fraqueza dos músculos dos MMII é um forte preditor de lesões no joelho em mulheres atletas jovens, mas não em homens. Indicam ainda a necessidade da inclusão da avaliação de força dos músculos dos MMII nos programas de prevenção de lesões pré-temporada. 

FONTE: Ryman Augustsson S, Ageberg E. BMJ Open Sport Exerc Med 2017;3: doi:10.1136/bmjsem-2017-000222.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

OA de joelho e Quadril

A corrida recreacional é um exercício muito praticado em todo mundo devido a facilidade, pode ser praticado em qualquer lugar, e além do baixo custo, o praticante gasta no máximo com um bom tênis. A corrida pode ajudar na perda de peso, no controle dos níveis de colesterol, na melhora do sistema imunológico, na depressão, na redução do stress e na melhora do humor.
Por ser uma atividade de impacto, será que aumenta o risco de desenvolver osteoartrose no joelho e quadril? Alguns autores defendem a tese que a corrida protege a saúde do osso, enquanto outros relacionam a corrida com o risco aumentado de desenvolver o problema. 
Estudo publicado recentemente na JOSPT, sugere que a diferença destes resultados depende da frequência e intensidade da corrida. Os autores revisaram 17 estudos, totalizando 114829 pessoas e encontraram que somente 3,5% dos corredores recreacionais tinham artrite no quadril ou no joelho, 10,2% dos sedentários e 13,3% dos corredores profissionais ou sujeitos que participavam de competições internacionais, ou seja, correr de forma recreacional não aumenta o risco quando comparado com os sedentários e com os atletas. O estudo não avaliou o impacto da obesidade, ocupação profissional ou histórico de lesões anteriores.

Os pesquisadores concluíram que correr de forma recreacional pode ser recomendado como exercício benéfico para a saúde e trazem proteção às articulações dos joelhos e quadris. O sedentarismo e a corrida com alto volume e alta intensidade pode aumentar o risco de desenvolver osteoartrose. Outros autores que encontraram a mesma relação, definiram como alto volume e alta intensidade, correr mais que 92 Km por semana.

FONTE: Alentorn-Geli, E et al; The Association of Recreational and Competitive Running With Hip and Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-analysisJ Orthop Sports Phys Ther 2017;47(6):373–390.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

EMG do Glúteo Máximo e Glúteo Médio

O glúteo máximo (GMax) é um importante músculo do quadril, estendendo e rodando-o lateralmente. É ativo na aceleração do membro inferior durante a marcha ou a corrida. Já o glúteo médio (GMed) é dividido em 3 porções: anterior, média e posterior. A anterior e a média atuam na abdução. A anterior sozinha auxilia na flexão do quadril, roda medialmente e estabiliza a pelve quando as atividades requerem pequena base de suporte (agachamento unilateral). A porção posterior do músculo estende, abduz e roda lateralmente o quadril. Juntos, as três porções estabilizam a pelve durante a fase de apoio médio na marcha.

Disfunção no quadril, seja fraqueza dos músculos ou limitação na ADM, tem sido relatado como fator importante de disfunções na coluna lombar e nos membros inferiores. O fortalecimento destes dois músculos constituem numa importante ferramenta na reabilitação das disfunções de quadril, lombar e membros inferiores.
A pergunta é: QUAIS EXERCÍCIOS ATIVAM MAIS ESTES MÚSCULOS?
Reiman et al. (2012) publicou um estudo que procurou dar uma luz a essa pergunta, e seleciona os melhores exercícios de acordo com o nível de ativação medido na EMG.

GLÚTEO MÁXIMO:
a)- Baixo nível de ativação:
b)- Moderado nível de ativação:

c)- Alta ativação:
d)- Muito alto nível de ativação (acima de 60% da Contração Isométrica Voluntária Máxima)

GLÚTEO MÉDIO:
Não houve nenhum exercício avaliado que tivesse baixo nível de ativação.

a) Moderado nível de ativação:

b)- Alto nível de ativação:

FONTE: Reiman, MP et al.; A literature review of studies evaluating gluteus maximus and gluteus medius activation during rehabilitation exercises; Physiotherapy Theory and Practice, 28(4):257–268, 2012.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Mobilização do quadril

A mobilização das articulações é um recurso importante para tratar dor e as disfunções da artrocinemática e com isso aumentar a osteocinemática articular. Diminuição da amplitude articular é um importante fator de causa em diversas lesões, não só na própria articulação que apresenta o deficit, mas nas articulações vizinhas. Estudos tem mostrado que diminuição na mobilidade do quadril gera problemas na lombar, que obedece uma regra simples: "hipomobilidade gera hipermobilidade que pode causar lesões".
Segue abaixo a descrição de exemplos de procedimentos de mobilização na articulação do quadril. Lembrando que é fundamental a avaliação para determinar qual movimento está prejudicado e com isso qual procedimento de mobilização deve ser utilizado.

A)- Distração do quadril: quadril em leve flexão, abdução e rotação externa;
B)- Mobilização antero-medial para direção posterior-lateral: Força aplicada com o quadril em adução e rotação interna;
C)- Distração Lateral-inferior aplicada com o quadril em rotação interna;
D)- Força aplicada na posterior para anterior na posição prono como quadril fletido, abduzido e rodado externamente;
E)- Força aplicada na direção posterior para anterior na posição prono com o quadril estendido, aduzido e rodado externamente, além do auxílio de uma faixa.

As manobras A e a C são usadas como procedimento inicial para ganhar espaço articular e promover uma tração na cápsula que pode estar restringindo o movimento. A manobra B para ganho de flexão e RE e as manobras D e E para ganho de extensão e RI.

FONTE: Heiderscheit & McClinton; Evaluation and Management of Hip and Pelvis Injuries; Phys Med Rehabil Clin N Am 27 (2016) 1–29.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

OA de Joelho e Terapia Manual

A dor e a rigidez nas articulações osteoartríticas, podem limitar a função e contribuir com a morbidade em adultos. A articulação mais afetada é o joelho e os fatores de risco são o excesso de peso e determinadas atividades onde são frequentes o ajoelhar e agachar. A cinesioterapia tem se mostrado eficiente tanto quanto o uso prolongado de anti-inflamatórios não hormonais (AINH). 
A perda da ADM de extensão final é um achado frequente nesta população, e esta alteração é responsável por causar mais danos articulares durante certas atividades como a marcha. Por isso o restabelecimento do movimento é um objetivo importante no tratamento fisioterapêutico. Para restaurar este movimento a mobilização articular tem sido utilizado, já que ela melhora os movimentos acessórios e com isso aumenta a osteocinemática articular. Estudo publicado na JOSPT avaliou o uso da mobilização articular, mobilização dos tecidos, alongamentos e exercícios de força na melhora da extensão final do movimento em joelhos de mulheres com osteoartrose.
A avaliação da movimentação de extensão de joelho e a rigidez articular foram realizados por meio do vídeo-fluoroscopia antes e após 30 minutos de sessão.

A intervenção foi realizada nos dois grupos, com e sem OA nos joelhos e cada grupo tinha 5 sujeitos e o terapeuta que realizou as mobilizações era treinado e experiente. 
Foram realizadas as seguintes manobras:
  • A: Extensão completa com deslizamento antero-posterior (AP) grau IV;
  • B: Extensão com Rotação externa de todo o membro inferior com deslizamento AP grau IV;
  • C: Extensão com Rotação interna de todo o membro inferior com deslizamento AP grau IV;
  • D: Extensão completa e deslizamento grau III;
  • E: Rotação Externa da tíbia com estabilização do fêmur da mão proximal;
  • F: Deslizamento em direção do valgo do joelho.

As mobilizações foram feitas durante 30 segundos de 2 a 8 séries conforme tabela 2. E os exercícios de força e alongamento estão descritos na tabela 3. Confesso que não entendi o porque dessas diferenças de séries e repetições entre os 10 sujeitos analisados.

Os resultados mostraram um aumento na extensão do joelho e uma diminuição da rigidez mais significativas no grupo com OA quando comparado com o grupo controle após uma única sessão de mobilização, o que suporta o uso da terapia manual nos pacientes com OA de joelho. Há necessidade de certa cautela em função do número reduzido de participantes do estudo.

Uma observação importante: De acordo com a regra do concavo-convexo na mobilização articular, o deslizamento antero-posterior na tíbia é usado para ganho de ADM na flexão e não na extensão. O estudo optou por fazer a manobra para ganhar extensão e diminuir a rigidez com efeitos positivos. Como foram feitos além da mobilização, alongamento e fortalecimento, não dá pra dizer categoricamente que a melhora foi em função da mobilização somente, por isso muito cuidado. Porém, eu, particularmente indicaria este protocolo para os pacientes de OA de joelho, acrescentando a tração longitudinal como manobra inicial, para ganho de espaço articular e mobilidade geral.

FONTE: TAYLOR, A et. al; Knee Extension and Stiffness in Osteoarthritic and Normal Knees: A Videofluoroscopic Analysis of the Effect of a Single Session of Manual Therapy; Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy | volume 44 | Number 4 | April 2014 |

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Prova Comentada - Parte 2 - Prefeitura de Juiz de Fora

Prova comentada do concurso para Fisioterapeuta da Prefeitura de Juiz de Fora - MG.  
Este vídeo comenta as questões 36 até a questão 50.


quarta-feira, 3 de maio de 2017

TUG - Timed Up and Go

O TUG é um teste funcional amplamente utilizado, principalmente na população idosa, que avalia a mobilidade funcional e o equilíbrio dinâmico, envolve potência, velocidade e agilidade em atividades que incluem levantar, caminhar e sentar. A manutenção da independência passa por uma mobilidade e equilíbrio normais.
O teste vai avaliar quanto tempo o sujeito leva para levantar de uma cadeira com altura entre 43 e 46 cm de altura, caminhar 3 metros, contornar um marcador e retornar à cadeira e sentar-se. O avaliador procura incentivar o avaliado a andar na maior velocidade possível. Lembrando que o avaliado pode usar um dispositivo auxiliar de marcha, como uma bengala, durante o teste. Quanto maior o tempo menor o desempenho.

Bischoff et al. consideram como normal a realização do teste em até 10 segundos; valores entre 11-20 segundos indica idosos com deficiência ou frágeis, com independência parcial e com baixo risco de quedas; tempos acima de 20 segundos indica um idoso com risco maior de quedas decorrentes de uma importante deficiência na mobilidade e no equilíbrio. Considera-se também que idosos que executam o TUG em um tempo maior que 14 segundos apresentam alto risco de quedas.
A dupla tarefa, que pode ser  pode ser definida como o ato de realizar uma atividade primária, para a qual é destinado o maior foco da atenção, incorporada a uma segunda atividade executada ao mesmo tempo, aumentam o risco de quedas uma vez que as quedas geralmente acontecem quando duas ou mais tarefas se associam (Fatori, 2015). Para avaliar o desempenho em atividades de dupla tarefa, o TUG também pode ser utilizado em 9 diferentes versões:
  1. TUG normal, como citado anteriormente;
  2. TUG Manual 1: O avaliado realiza o TUG enquanto troca moedas entre os bolsos da calça;
  3. TUG manual 2: Realiza o TUG segurando um copo plástico contendo água;
  4. TUG Cognitivo 1: Realiza o teste enquanto diz a seguinte frase:  “Praticar atividade física faz bem para o corpo e mente”;
  5. TUG Cognitivo 2: Soletrar de trás pra frente os dias da semana;
  6. TUG Cognitivo 3: Soletrar na ordem crescente de 10 a 1;
  7. TUG Cognitivo 4: Memorizar as seguintes palavras:  tartaruga, bicicleta, árvore, cachorro, igreja e telefone, impressas em papel A4, ocupando a folha toda e mostradas no início do teste durante a execução do TUG;
  8. TUG Cognitivo 5: Repetir 5 palavras: pipa, rua, menino, boneca e menina;
  9. TUG Cognitivo 6: Repetir 5 números: 17, 4, 8, 11 e 20.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Agulhamento X Injeção de corticóide

A síndrome de dor trocantérica lateral (SDTL) é uma dor crônica e intermitente na lateral do quadril resultado de lesões nas estruturas periarticulares, como bursas, tendões e ligamentos. Como tratamento tem sido utilizado as injeções de cortisona para alívio da dor e do processo inflamatório. 

Estudo publicado na JOSPT em abril deste ano, comparou o uso do agulhamento a seco (Dry Needling) com as injeções de cortisona em 50 pacientes portadores de tal síndrome, durante 6 semanas. Nenhum outro tipo de tratamento foi utilizado. Os pesquisadores avaliaram a dor e a função e nenhuma diferença foi observado entre os grupos. Diante deste resultado o agulhamento pode ser uma boa alternativa para o tratamento da SDTL, diminuindo os efeitos do uso prolongado da cortisona.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Força do Quadril e Síndrome Patelofemoral

Evidências recentes tem demonstrado que a síndrome patelofemoral (SPF) pode ser causada não só por fatores locais (fraqueza dos músculos ao redor da articulação, alteração no sulco troclear...), mas também em fatores à distância, como por exemplo fraqueza dos músculos do quadril (abdutores, rotadores externos e extensores), excesso de adução, rotação interna e inclinação do tronco durante as tarefas funcionais e diminuição na força dos músculos flexores laterais do tronco. Estas alterações geram maior demanda do quadríceps o que leva a um maior stress na articulação patelofemoral.
Artigo publicado na JOSPT (2014), avaliou o efeito do treino de força dos músculos do quadril e do controle funcional do tronco comparado com o tratamento focado exclusivamente no fortalecimento do quadríceps em sujeitos com SFP. O estudo foi controlado, randomizado e simples-cego, que teve a participação de 31 mulheres ativas com SPF e foram avaliadas a dor, função, cinemática do membros inferior e tronco, endurance dos músculos do tronco e força excêntrica do quadril e joelho. Foram 2 meses de intervenção e reavaliação após 3 meses. A intensidade da dor foi avaliada por meio da escala visual analógica (EVA), a função através do Lower Extremity Functional Scale (LEFS) e do single-leg triple-hop test (SLTH), para avaliar a melhora no status de saúde foi realizado a escala global rating of change (GRC), para avaliação cinemática foi usado câmeras integradas com um sistema de avaliação (MotionMonitor software) durante o single-leg squat test, para avaliação da endurance dos músculos do tronco foi marcado o tempo que o sujeito conseguia manter uma determinada postura estática, e por fim, para avaliar a força dos músculos do tronco foi utilizado um dinamômetro isocinético.
Os sujeitos foram divididos em dois grupos. O grupo 1 (ST) realizou exercícios de alongamento e fortalecimento de quadríceps, com e sem descarga de peso.



O segundo grupo (FST) foi similar ao utilizado por Baldon et al (2012) e constou de exercícios de fortalecimento do quadril, membro inferior e tronco.

Os sujeitos do grupo FST após 3 meses de intervenção diminuíram a dor e melhoraram a função comparado com o outro grupo. Menos inclinação do tronco, depressão da pelve contralateral, adução do quadril e maior movimento de flexão do quadril durante o single-leg squat, foram observados no grupo FST após a intervenção. A força excêntrica dos abdutores do quadril e flexores do joelho e a endurance dos músculos do tronco, também foram significativas somente no grupo FST.
Um aspecto clínico importante que deve ser enfatizado é o constante feedback dado pelo fisioterapeuta nos exercícios do grupo FST, para manter o alinhamento do membro inferior durante os exercícios de descarga de peso, que pode ser observado nas imagens acima.
O estudo teve algumas limitações que devem ser citadas: o número pequeno de sujeitos, a avaliação não foi duplo-cego, o número maior de exercícios do grupo FST aumentou em 30 minutos a sessão de tratamento quando comparado com o grupo ST e por último, os resultados não podem ser extrapolados para homens, já que somente mulheres participaram do estudo.
As implicações clínicas deste estudo diz que é fundamental um programa de fortalecimento dos abdutores, extensores e rotadores externos do quadril, combinados com orientações sobre o alinhamento dos membros inferiores durante atividades de descarga de peso no tratamento de mulheres com SFP.

FONTE: BALDON et al; Effects of Functional Stabilization Training on Pain, Function, and Lower Extremity Biomechanics in Women With Patellofemoral Pain: A Randomized Clinical Trial; Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy | Volume 44 | Number 4 | April 2014.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Prova Comentada

Prova comentada do concurso de Fisioterapeuta da Prefeitura de Juiz de Fora - MG. Foram 30 questões específicas, por isso a aula foi dividida em dois vídeos. Este vídeo comenta as questões 26 até a questão 35.


terça-feira, 4 de abril de 2017

Compressas Quentes e Flexibilidade Lombar

A termoterapia é amplamente utilizada como recurso fisioterapêutico com objetivo de diminuir dor, aumentar o fluxo sanguíneo, promover o relaxamento muscular, diminuir rigidez, diminuir o espasmo e aumentar a flexibilidade. Pode ser utilizado na modalidade calor profundo; ultra-som, ondas curtas; ou na modalidade superficial através de bolsas quentes.
Artigo publicado na Revista Fisioterapia & Pesquisa comparou três tipos de compressas quentes: compressa úmida, compressa com sementes e compressa com gel. Foram recrutados 45 sujeitos e divididos em 3 grupos: compressa de calor úmido (MHP), compressa com sementes (SP) e compressa com bolsa de gel (GP). As aplicações foram realizadas durante 3 dias consecutivos durante 15 minutos. Após os 15 minutos era avaliado a flexibilidade da coluna por meio do teste de Schober,  A temperatura da compressa, a ocorrência de eritema e a temperatura da lombar eram avaliados a cada 5 minutos. Detalhes da metodologia pode ser visto na figura 1.

O grupo MHP foi o que melhor transferiu temperatura para a região lombar e causou maior eritema, e o que preservou sua temperatura por mais tempo foi o grupo SP. Os 3 tipos de aplicação promoveram aumento na flexibilidade, mas o aumento maior foi do grupo MHP.

O que chama atenção nos resultados e que pra mim gera uma limitação na pratica clínica é os ganhos médios na flexibilidade dos 3 grupos. O grupo MHP, que obteve os maiores aumentos, só aumentou em média 0.80±0.67cm; o grupo SP obteve 0.48±0.72cm; e o grupo GP 0.21±0.43cm. Os autores do estudo consideraram estes resultados significativos, porém nem tudo que é estatisticamente significativo, será clinicamente significativo. Pessoalmente acho limitado os resultados. 
Outro ponto importante é a ausência de um grupo controle, a pergunta que fica é: "Será que com um grupo controle, após um descanso de 15 minutos, a medida no teste de Schober também não alcançaria estes resultados significativos?"
E pra concluir, acho que algo positivo que se tira deste estudo é que a velha "compressa quente" dos nossos avós são muita mais eficientes que compressas de gel ou qualquer outro tipo, não sendo necessário investir dinheiro nesses recursos que não dão o que prometem.

FONTE: Fuentes-Leon, P et al. (2016) - Transferencia de calor por tres tipos de compresas calientes y su implicación en la flexibilidad en la región lumbar: ensayo clínico aleatorio y controlado; Fisioter Pesqui 2016;23(2):201-9

quinta-feira, 30 de março de 2017

Prova de Concurso para Fisioterapeuta Comentada

Prova do concurso para Fisioterapeuta da PREFEITURA MUNICIPAL DO JABOATÃO DOS GUARARAPES ESTADO DO PERNAMBUCO. Este é um projeto novo que visa ajudar aos que pretendem estudar para realizar concurso público para Fisioterapeuta. Toda semana um vídeo novo será publicado na aba "CURSINHO PARA CONCURSOS".


terça-feira, 28 de março de 2017

Hidroterapia e Osteoartrite

A Osteoatrite (OA) é uma doença crônica que afeta as articulações, principalmente joelho e quadril, que tem a dor como um importante sintoma limitador. A dor quando associado a rigidez articular, instabilidade e fraqueza, limitam a realização das atividades diárias. Diversos são os tratamentos propostos, dentre eles podemos utilizar a hidroterapia. Em função de suas características físicas, a água é muito utilizada como recurso já que os exercícios neste meio seriam mais facilmente realizados, em função da diminuição do efeito da gravidade e com isso do impacto sobre as articulações que sustentam peso. Fortalecer a musculatura que envolve as articulações comprometidas, é também um importante objetivo no tratamento destes pacientes.
Mas será que o meio aquático promove aumento da força e da função em pacientes com OA?
Recentemente foi publicado um estudo de revisão sistemática na Revista Brasileira de Reumatologia, que avaliou e comparou os efeitos dos programas de exercícios aquáticos na força muscular e na funcionalidade de sujeitos com OA.
Foram selecionados 296 estudos e pelos critérios de exclusão sobraram 12 estudos.


A revisão mostrou que apenas dois dos cinco estudos que avaliaram a força, mostraram diferenças significativas. Wang et al. (2007) conduziram um programa de exercícios durante 12 semanas com 3 sessões semanais, que era composto de exercícios de fortalecimento, aeróbico e flexibilidade com intensidade progressiva e controlada e encontraram aumentos significativos na força isométrica dos flexores e extensores do joelho e dos flexores, extensores, abdutores e adutores do quadril. O outro estudo que mostrou diferença, foi conduzido por Hinman et al. (2007) e utilizou um programa de exercícios 2 vezes por semana durante 6 semanas, com progressão do volume e do grau de dificuldade. Ambos os estudos tiveram como características iguais e fundamentais para o ganho de força, o controle e o aumento da sobrecarga dos exercícios, ponto fundamental para resultar nas adaptações neuromusculares esperadas. Por outro lado, Lund et al. (2008) não encontraram melhora na força após a intervenção, porém atribuíram o resultado negativo a baixa resistência imposta durante os exercícios.
Os estudos que compararam o programa de exercícios aquáticos e os exercícios em terra, mostraram resultados semelhantes na função e na dor, porém quando avaliou-se a força, os exercícios em terra foram mais efetivos quando comparado com a hidroterapia.
Na avaliação da função, os estudos da revisão mostraram que um programa de exercícios na água por 6 semanas ou mais, 2 a 3 vezes por semana e com duração de 45-60 minutos, podem ser efetivos na melhora da mobilidade e da velocidade de marcha.
Diante disto, os autores da revisão concluíram que os programas de exercícios aquáticos com pelo menos 6 semanas que possuem exercícios de fortalecimento e aeróbicos podem aumentar a força de membros inferiores e a função de pacientes com OA. É importante que os programas sejam individuais e que controlem a intensidade e a sobrecarga, princípios fundamentais na prescrição de exercícios efetivos nas adaptações neuromusculares.

FONTE: MATOS et al.; Effects of aquatic exercise on muscle strength and functional performance of individuals with osteoarthritis: a systematic review; Rev Bras Reumatol. 2016;56(6):530–542.


O estudo de Wang et al. (2007)Effects of aquatic exercise on flexibility, strength and aerobic fitness in adults with osteoarthritis of the hip or knee, utilizou o seguinte programa de exercícios:
  • 5 minutos de aquecimento: Caminhada, marcha com mudanças de direção e movimentação dos braços e levantando alternadamente os joelhos;
  • 10 minutos de treino de flexibilidade;
  • 10 minutos de treino aeróbico que incluíram:  Heel Jacks (polichinelo), Rocking Horse, Elbow to Knee (cotovelo no joelho), Jump Jack (outra versão do polichinelo), Cossack Shuffle, Cross-Country Ski and Four Square Waltz Step;
  • 10 minutos de exercícios de força para membro inferior:
  • 5 minutos de exercícios de força para membro superior;
  • 5 minutos de desaquecimento.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Kinesio Taping e Dor no Ombro Hemiplégico

A dor no ombro hemiplégico (DOH) é uma complicação comum após uma AVC que dificulta a reabilitação neste pacientes, além de afetar na realização das AVD´s e na qualidade de vida. 
A causa da DOH é a subluxação potencializada pelo efeito da gravidade e pode ser causada pela fraqueza, ruptura ou tendinopatia dos músculos da bainha rotatória, tendinopatia do tendão do bíceps e/ou deltóide. Vários tratamentos são propostos mas nenhum deles mostra superioridade quanto a eficácia e as evidências sobre o assunto são bem escassas. O Kinesio Tapping (KT) pode ser uma dessas estratégias e para provar sua eficiência foi feito um estudo duplo-cego randomizado e controlado para avaliar os efeitos do KT na DOH.
Vinte e um pacientes participaram da pesquisa e foram divididos em dois grupos. Um grupo que utilizou o KT (GKT) e um grupo controle (GC). O GC utilizou um KT aplicado de forma diferente do que seria preconizado pelo método e sem tensão, funcionando como placebo. Ambos os grupos receberam um programa idêntico de reabilitação. O estudo durou 3 semanas e tempo de follow-up também foi de 3 semanas. Nenhum dos participante receberam qualquer tipo de tratamento antes do estudo e a aplicação do KT nos dois grupos foi feitos pelo mesmo fisioterapeuta.

O KT era mantido por 3 dias e havia um descanso de 24 horas para recolocar novo KT. O KT foi colocado em 3 locais, ambos com tensão leve (15-25%). Um primeiro era colocado em forma de "I" no supraespinhoso, um em forma de "Y" no deltóide e na inserção do bíceps braquial e um terceiro em forma de "I" na direção anterior para posterior.
Foi avaliado a EVA para dor, o questionário The Shoulder Pain and Disability Index (SPADI) para avaliar a função e um foi feito também um exame de Ultrassonografia para avaliar tendinite e a distância sub-acromial para avaliar a subluxação do ombro, além da ADM livre de dor. Os grupos realizaram além do KT um programa de reabilitação 5 dias da semana, pore´m o estudo não descreve o protocolo utilizado.
Os participantes do grupo KT tiveram uma melhora significativa na EVA (p=0,008), flexão de ombro (p=0,008). rotação externa (p=0,006), rotação interna (p=0,040) e no SPADI (p=0,001).
As limitações do estudo ficaram por conta do número reduzido de participantes, pela característica da doença dos participantes, somente agudo e sub-agudo, o que limita a generalização para pacientes crônicos e o fato de não ter tido como evitar que os participantes utilizassem de algum medicamento analgésico ou anti-inflamatório durante o estudo.

FONTE: Yen-Chang HUANG et al.; EFFECTS OF KINESIO TAPING FOR STROKE PATIENTS WITH HEMIPLEGIC SHOULDER PAIN: A DOUBLE-BLIND, RANDOMIZED, PLACEBO-CONTROLLED STUDY; J Rehabil Med 2017; 49: 208–215.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Avaliação: Lombar, Sacroilíaca e Quadril

A dor lombar (LBP) é uma condição comum nos tempos atuais. Cerca de 85% das pessoas já tiveram pelos menos um episódio de dor lombar durante sua vida. Diversas são as causas, e por isso difícil é o diagnóstico preciso da etiologia. A fonte da dor pode estar localizada em estruturas da região lombar, mas outras estruturas como as articulações sacroilíacas e quadril podem ser a fonte ou uma das possíveis causas da dor. Diversos autores tem mostrado a relação da LBP com a mobilidade da própria lombar, com a mobilidade e força na articulação do quadril e com a mobilidade da articulação sacroilíaca.  
Artigo publicado na Musculoskeletal Care de 2012 lista uma série de testes com alta sensibilidade e especificidade que devem ser incluídos na avaliação física de rotina de pacientes com LBP.
  • Mobilidade: Flexão lombar, extensão e rotação associado ou não com a dor, devem ser quantificado e qualificado. 
    • A flexão é avaliada com o paciente em pé com os joelhos estendidos e o examinador posicionado atrás. Sintomas de periferização da dor devem ser observados, o que sugere compressão de raiz nervosa. A flexão limitada pode ser pela rigidez dos isquiotibiais, limitações na sacroilíaca ou na mobilidade espinhal. Diminuição da irradiação da dor durante movimento repetitivo, conhecido como centralização da dor, indica preferência direcional do movimento. Movimentos combinados conhecidos como teste do quadrante também podem ser utilizados. O teste avalia tanto a compressão de raiz quanto as estruturas posteriores no lado da rotação. Dor irradiada indica compressão, dor localizada no mesmo lado da rotação indica sobrecarga nas estruturas posteriores.

  • Agachamento: Permite avaliar força dos extensores do joelho e do quadril e observar a quantidade e qualidade do movimento no quadril, joelho e tornozelo. Fraqueza ou desequilíbrio muscular, limitação articular e dor e assimetria na distribuição de peso podem ser observados durante o agachamento. Nas figuras abaixo são mostrados o padrão normal (A) e a disfunção (B).

  • Mobilidade do quadril: É avaliado a flexão, extensão, rotação interna (RI) e externa(RE). Limitação na RE e RI tem forte associação com a dor lombar e presença de coxartrose. Movimentos combinados do quadril também podem ser utilizados. Flexão, adução e RI (FAIR) são elementos do Hip Scour Test, e dor anterior sugere lesão acetabular. O FAIR também identifica síndrome do piriforme (Figura abaixo). O movimento combinado de flexão, abdução e RE (FABER) pode ser utilizado, e dor na região medial do quadril indica alteração articular. Um teste FABER positivo pode indicar também uma restrição na cápsula anterior ou posterior. Dor na nádega contralateral, pode indicar uma disfunção sacroilíaca.

  • Testes de provocação da sacroilíaca: O Thrust test avalia possível disfunção na sacroilíaca. É feito uma compressão no fêmur pra baixo com o sacro estabilizado pelo examinador, conforme figura abaixo. Dor indica disfunção na articulação. O Thrust test faz parte de ma bateria de 5 testes que auxiliam no diagnóstico das disfunções da sacroilíaca. São eles: o Thrust test, FABER test, teste de distração, de compressão e o Gaenslen. A recomendação das revisões sobre o assunto, diz que desses 5 testes, se 3 forem positivos, a probabilidade de haver uma disfunção sacroilíaca fica em torno de 65-93% e mais do que 3, a probabilidade aumenta para 77-99%.


  • O teste de Thomas, semelhante ao Gaenslen Test, também seria importante realizar para medir a flexibilidade do Iliopsoas e Reto femoral. Para medir a flexibilidade dos Isquiotibiais, o teste de elevação da perna estendida. Uma diminuição de até 20° na flexão do quadril é considerado normal, mas o mais importante é avaliar uma diferença entre os lados, o que gera sobrecarga assimétrica e desgaste maior de uma lado em relação ao outro.

  • Teste de Provocação Neural: Slump Teste reproduz os sintomas de uma disfunção de causa neural. O teste é considerado positivo de aparecer a dor durante o teste, e se essa dor for aliviada com a extensão da cervical ou a flexão plantar.

Johnson & Wong - A Narrative Review of Evidence-Based Recommendations for the Physical Examination of the Lumbar Spine, Sacroiliac and Hip Joint Complex; Musculoskelet. Care 10 (2012) 149–161.