terça-feira, 18 de abril de 2017

Força do Quadril e Síndrome Patelofemoral

Evidências recentes tem demonstrado que a síndrome patelofemoral (SPF) pode ser causada não só por fatores locais (fraqueza dos músculos ao redor da articulação, alteração no sulco troclear...), mas também em fatores à distância, como por exemplo fraqueza dos músculos do quadril (abdutores, rotadores externos e extensores), excesso de adução, rotação interna e inclinação do tronco durante as tarefas funcionais e diminuição na força dos músculos flexores laterais do tronco. Estas alterações geram maior demanda do quadríceps o que leva a um maior stress na articulação patelofemoral.
Artigo publicado na JOSPT (2014), avaliou o efeito do treino de força dos músculos do quadril e do controle funcional do tronco comparado com o tratamento focado exclusivamente no fortalecimento do quadríceps em sujeitos com SFP. O estudo foi controlado, randomizado e simples-cego, que teve a participação de 31 mulheres ativas com SPF e foram avaliadas a dor, função, cinemática do membros inferior e tronco, endurance dos músculos do tronco e força excêntrica do quadril e joelho. Foram 2 meses de intervenção e reavaliação após 3 meses. A intensidade da dor foi avaliada por meio da escala visual analógica (EVA), a função através do Lower Extremity Functional Scale (LEFS) e do single-leg triple-hop test (SLTH), para avaliar a melhora no status de saúde foi realizado a escala global rating of change (GRC), para avaliação cinemática foi usado câmeras integradas com um sistema de avaliação (MotionMonitor software) durante o single-leg squat test, para avaliação da endurance dos músculos do tronco foi marcado o tempo que o sujeito conseguia manter uma determinada postura estática, e por fim, para avaliar a força dos músculos do tronco foi utilizado um dinamômetro isocinético.
Os sujeitos foram divididos em dois grupos. O grupo 1 (ST) realizou exercícios de alongamento e fortalecimento de quadríceps, com e sem descarga de peso.



O segundo grupo (FST) foi similar ao utilizado por Baldon et al (2012) e constou de exercícios de fortalecimento do quadril, membro inferior e tronco.

Os sujeitos do grupo FST após 3 meses de intervenção diminuíram a dor e melhoraram a função comparado com o outro grupo. Menos inclinação do tronco, depressão da pelve contralateral, adução do quadril e maior movimento de flexão do quadril durante o single-leg squat, foram observados no grupo FST após a intervenção. A força excêntrica dos abdutores do quadril e flexores do joelho e a endurance dos músculos do tronco, também foram significativas somente no grupo FST.
Um aspecto clínico importante que deve ser enfatizado é o constante feedback dado pelo fisioterapeuta nos exercícios do grupo FST, para manter o alinhamento do membro inferior durante os exercícios de descarga de peso, que pode ser observado nas imagens acima.
O estudo teve algumas limitações que devem ser citadas: o número pequeno de sujeitos, a avaliação não foi duplo-cego, o número maior de exercícios do grupo FST aumentou em 30 minutos a sessão de tratamento quando comparado com o grupo ST e por último, os resultados não podem ser extrapolados para homens, já que somente mulheres participaram do estudo.
As implicações clínicas deste estudo diz que é fundamental um programa de fortalecimento dos abdutores, extensores e rotadores externos do quadril, combinados com orientações sobre o alinhamento dos membros inferiores durante atividades de descarga de peso no tratamento de mulheres com SFP.

FONTE: BALDON et al; Effects of Functional Stabilization Training on Pain, Function, and Lower Extremity Biomechanics in Women With Patellofemoral Pain: A Randomized Clinical Trial; Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy | Volume 44 | Number 4 | April 2014.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Prova Comentada

Prova comentada do concurso de Fisioterapeuta da Prefeitura de Juiz de Fora - MG. Foram 30 questões específicas, por isso a aula foi dividida em dois vídeos. Este vídeo comenta as questões 26 até a questão 35.


terça-feira, 4 de abril de 2017

Compressas Quentes e Flexibilidade Lombar

A termoterapia é amplamente utilizada como recurso fisioterapêutico com objetivo de diminuir dor, aumentar o fluxo sanguíneo, promover o relaxamento muscular, diminuir rigidez, diminuir o espasmo e aumentar a flexibilidade. Pode ser utilizado na modalidade calor profundo; ultra-som, ondas curtas; ou na modalidade superficial através de bolsas quentes.
Artigo publicado na Revista Fisioterapia & Pesquisa comparou três tipos de compressas quentes: compressa úmida, compressa com sementes e compressa com gel. Foram recrutados 45 sujeitos e divididos em 3 grupos: compressa de calor úmido (MHP), compressa com sementes (SP) e compressa com bolsa de gel (GP). As aplicações foram realizadas durante 3 dias consecutivos durante 15 minutos. Após os 15 minutos era avaliado a flexibilidade da coluna por meio do teste de Schober,  A temperatura da compressa, a ocorrência de eritema e a temperatura da lombar eram avaliados a cada 5 minutos. Detalhes da metodologia pode ser visto na figura 1.

O grupo MHP foi o que melhor transferiu temperatura para a região lombar e causou maior eritema, e o que preservou sua temperatura por mais tempo foi o grupo SP. Os 3 tipos de aplicação promoveram aumento na flexibilidade, mas o aumento maior foi do grupo MHP.

O que chama atenção nos resultados e que pra mim gera uma limitação na pratica clínica é os ganhos médios na flexibilidade dos 3 grupos. O grupo MHP, que obteve os maiores aumentos, só aumentou em média 0.80±0.67cm; o grupo SP obteve 0.48±0.72cm; e o grupo GP 0.21±0.43cm. Os autores do estudo consideraram estes resultados significativos, porém nem tudo que é estatisticamente significativo, será clinicamente significativo. Pessoalmente acho limitado os resultados. 
Outro ponto importante é a ausência de um grupo controle, a pergunta que fica é: "Será que com um grupo controle, após um descanso de 15 minutos, a medida no teste de Schober também não alcançaria estes resultados significativos?"
E pra concluir, acho que algo positivo que se tira deste estudo é que a velha "compressa quente" dos nossos avós são muita mais eficientes que compressas de gel ou qualquer outro tipo, não sendo necessário investir dinheiro nesses recursos que não dão o que prometem.

FONTE: Fuentes-Leon, P et al. (2016) - Transferencia de calor por tres tipos de compresas calientes y su implicación en la flexibilidad en la región lumbar: ensayo clínico aleatorio y controlado; Fisioter Pesqui 2016;23(2):201-9