terça-feira, 15 de março de 2011

Efeitos da Imobilização

As entorses de tornozelo são as lesões músculo-esqueléticas mais comuns, sendo o movimento de inversão a principal causa. O tratamento pode ser cirúrgico, mas na maioria dos casos é conservador. O tratamento conservador envolve o tratamento farmacológico, PRICE*, cinesioterapia e imobilização.

A imobilização pode levar a uma redução da função neuromuscular, isto é, redução da força, do volume, da atividade elétrica do músculo e da concentração de fibras lentas oxidativas, além de alterações na relação força-comprimento dependendo do tipo e do tempo de imobilização realizada. Todas essas alterações repercutem de forma negativa na realização da função protetora do músculo e dos tecidos que envolvem a articulação, ou seja, os mecanismos de defesa estariam prejudicados e a possibilidade de lesões recorrentes aumentada.

Trabalho publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte em 2010 teve como objetivo analisar as adaptações dos músculos flexores plantares e dorsais do tornozelo de indivíduos submetidos a 14 dias de imobilização após entorse. Foram recrutados 11 sujeitos com entorse grau II (Wexler), onde há estiramento dos ligamentos sem ruptura total e dor e edema moderados, que ficaram imobilizados por duas semanas deambulando com carga parcial (2 muletas). A avaliação dos sujeitos constou de: Perimetria, ADM, torque isométrico máximo e atividade Eletromiográfica.

Obs.: A comparação foi feita com o membro saudável contra lateral.

Os resultados do estudo mostram redução da circunferência nas regiões proximais da perna, da ADM de flexão plantar e dorsal, do torque isométrico máximo e do sinal EMG do tibial anterior em todos os ângulos de movimento.

Este estudo mostra que há uma redução na capacidade de produção de força mesmo após um período curto de imobilização, observação que deve ser levado em conta pelo profissional durante a reabilitação dos pacientes imobilizados.Texto Completo

*PRICE: Proteção, repouso, gelo, compressão e elevação.

quarta-feira, 9 de março de 2011

SPADI

Tão importante quanto o diagnóstico clínico, é saber qual a repercussão da patologia na qualidade de vida da pessoa, contribuindo para facilitar o terapeuta na tomada de decisões clínicas. Os questionários de avaliação funcional são importantes para este objetivo.
Para evitar a proliferação de questionários de avaliação, incentiva-se a tradução, adaptação cultural e validação de ferramentas criadas em outras línguas. O Shoulder Pain and Disability Index (SPADI) é uma destas ferramentas que foram criadas com o objetivo de avaliar a dor e a incapacidade das disfunções do ombro. O SPADI consiste de 13 itens distribuídos no domínio da dor e de função, sendo cada item pontuado de 0 a 10, onde a pontuação final obtida é convertida em percentagem.
Artigo publicado na Revista Brasileira de Fisioterapia teve como objetivo traduzir e adaptar culturalmente o SPADI para o lingua portuguesa e analisar a sua confiabilidade em diferentes condições musculoesqueléticas dolorosas específicas do complexo articular do ombro. Os autores do estudo concluíram que a tradução se mostrou uma ferramenta confiável para avaliação da qualidade de vida dos portadores de disfunções musculoesqueleticas do complexo do ombro.

quarta-feira, 2 de março de 2011

SDPF e Eletroestimulação

A hipótese mais aceita para explicar a dor anterior causada pelo mau alinhamento patelar, também chamado de Síndrome de Disfunção Patelo Femural (SDPF), é o desequilíbrio muscular entre o vasto medial obliquo (VMO) e vasto lateral (VL). Nos tratamentos conservadores da síndrome a estimulação elétrica é uma boa alternativa. Um estudo publicado na Revista Brasileira de Fisioterapia verificou a eficácia de um programa de fortalecimento muscular através da eletroestimulação, utilizando a eletromiografia de superfície (EMG). Participaram do estudo 10 mulheres com diagnóstico médico de SDPF. O programa de fortalecimento foi realizado 3 vezes por semana durante 18 semanas e a corrente utilizada foi uma bipolar assimétrica, com largura de pulso de 0,5 milisegundos e frequência de 50 Hz. A duração inicial foi de 7 minutos progredindo até 30 minutos. Os resultados do estudo mostraram que não houve alteração do controle motor relativo ao momento em que os músculos foram ativados, mas houve uma melhora na capacidade de gerar força do VMO após a estimulação, o que mostrou ser eficiente na melhora da dor e da capacidade funcional reforçando portanto, que a eletroestimulação deve ser utilizada como tratamento conservador para a síndrome.
Um ponto interessante do texto do trabalho são os critérios de inclusão do estudo, que pode ser utilizado como critérios para o diagnóstico da síndrome na prática clínica.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Propriocepção do Joelho

Qual a melhor forma de avaliar a propriocepção no joelho?

Artigo publicado na Actafisiatrica faz uma revisão que objetiva identificar as técnicas utilizadas para avaliar a propriocepção no joelho e estabelecer qual seria a melhor. Segundo os autores não há um consenso na literatura qual a melhor técnica pois a maioria dos resultados publicados são contraditórios.
Existem diversas maneiras de mensurar o controle neuromuscular:
  1. Estudos morfológicos anatômicos: Identificam mecanorreceptores;
  2. Avaliação Neurofisiológica;
  3. Avaliação clínica: Sentido da posição estática, sentido da velocidade do movimento (Cinestesia) e equilíbrio postural.

Por que avaliar a propriocepção?

A quantificação dos deficits proprioceptivos é importante para avaliar as lesões articulares, para tomar as decisões de tratamento, o tipo de reconstrução cirúrgica e a eficácia da reabilitação (Cachupe WJC, 2001).

Artigo Completo

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

AJPMR_Março de 2011

Revisão sistemática publicada na mais recente edição da American Journal of Physical Medicine and Reabilitation, sugere que o uso de ortese (Brace) nos joelhos varos ou valgos, e nos pés de pacientes idosos com osteoartrite são eficazes na redução da dor, na diminuição da rigidez articular, na diminuição da dosagem de medicamentos. Há também uma melhora na propriocepção, equilibrio e diminuição na limitação funcional. Os autores sugerem que os braces Knee e ortoses nos pés podem ser empregadas no tratamento conservador destes pacientes.
Texto completo pago

Exercícios Resistidos I

Força muscular é a capacidade de exercer tensão muscular contra uma resistência, superando, sustentando ou cedendo a ela (Guedes, 1997). Já exercício resistido pode ser definido como o conjunto dos processos e meios que levam ao aumento e aperfeiçoamento da força muscular, associada ou não a outra qualidade física (Lambert, 1987).A regulação da força pode ocorrer de duas formas:
  1. Aumento do recrutamento das unidades motoras (UMs): Quanto maior o número de UMs recrutadas maior a força. Se todas as UMs forem recrutadas a força máxima do músculo terá sido desenvolvida.

  2. Aumento da frequência do estímulo: Quanto maior a frequência maior a força.

Tipos de contração muscular:

  1. Isotônica: O músculo aumenta a tensão muscular e altera seu comprimento, se o comprimento aumenta a contração é excêntrica se diminui, a contração é concêntrica.

  2. Isométrica: Aumento de tensão sem alterar o comprimento.

Mecânica da contração muscular:

Tipos de Fibras:
  1. Contração lenta: Fibras vermelhas, tônicas e oxidativas, sendo mais adequadas em atividades de resistência (Tipo I).
  2. Fibras de contração rápida: Fibras brancas, fásicas e glicolíticas, são destinadas a esforços de curta duração e intensidade alta. São chamadas de fibras do tipo II e podem ser divididas em IIa e IIb. As fibras IIa são intermediárias entre a lenta e rápida.

O treinamento pode levar a conversões de tipos de fibra IIa para IIb, porém não está claro se há conversão do tipo I para o tipo II (Kramer, 2002).

Exercícios resistidos II - Adaptações Neurais (Breve)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Força Muscular X Mulheres

Estudo publicado na Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano comparou a influência da idade na massa muscular e força muscular nos membros superiores e inferiores nas mulheres com idade entre 40 e 60 anos, e concluiu que as mulheres apresentaram menores valores de massa e força musculares a partir da 5ª década de vida, o que poderia explicar a menor força nestes indivíduos. A diminuição da força nos MMII é fator de risco para doenças articulares, quedas e limitação funcional.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Imunosenescência e Exercício Físico

O processo de envelhecimento causa alterações fisiológicas, morfológicas e funcionais, tornando o individuo mais susceptível a doenças que afetam a qualidade de vida do idoso. Diversos são os sistemas que sofrem danos com o tempo, entre eles podemos citar o sistema imune, o que faz com que o idoso tenha maior probabilidade de adquirir infecções, diminuição da resposta fisiológica aos tratamentos já iniciados, maior risco de doenças não transmissíveis como a diabetes, a aterosclerose e o câncer.
A pratica regular de atividade física tem demonstrado ser um importante recurso na diminuição dos efeitos do envelhecimento nos diversos sistemas fisiológicos. Especificamente no sistema imune, o exercício parece reduzir os níveis de mediadores pró-inflamatorio e aumentar os anti-inflamatórios promovendo uma proteção importante contra diversas doenças crônicas.
O artigo IMUNOSENESCÊNCIA E EXERCÍCIO FÍSICO, publicado na Educação Física em Revista, faz uma interessante revisão sobre a relação entre a pratica regular de atividade física e as respostas do sistema imunológico, mostrando importantes benefícios.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Treinamento Aeróbio X Hipertensão

Diversos estudos mostram que apenas 1/3 dos pacientes hipertensos que estão em tratamento alcançam níveis pressóricos considerados normais, em torno de 140X90 mmHg. Isto ocorre porque o tratamento está focado na medicação, pouco se faz com a alimentação e com a pratica diária de exercícios. O exercício aerobio por exemplo, pode reduzir significativamente a pressão arterial, além de melhorar a qualidade de vida de quem pratica. É importante dizer que não só a atividade aeróbia consegue este feito mas também OS EXERCÍCIOS DE FORÇA.
Por isso vale a pena conferir a revisão publicada na Revista Ciência e Movimento sobre o assunto. Nós fisioterapeutas, profissionais da área de saúde, lidamos diariamente com um significativo número de pacientes hipertensos, por isso temos obrigação de sermos instrumentos de prevenção e promoção da saúde.
Texto Completo

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Mobilização Neural X Alongamento Muscular

Estudo publicado na Fisioterapia e Movimento realizou uma comparação entre a mobilização neural (MN) e o alongamento muscular em pacientes portadores de lombalgia crônica. Segundo os resultados ambos as técnicas obtiveram resultados significativos na melhora da dor, da flexibilidade e das atividades funcionais.
Os autores do trabalho concluem que ambos os recursos terapêuticos foram eficazes, mas a mobilização neural apresentou resultados mais significativos. Cuidado com este tipo de conclusão, se não houve diferença estatística, não há relevância clínica, ou seja, não existe diferença nos resultados e não há resultados mais expressivos. A análise estatística serve para demonstrar a diferença entre os dois procedimentos, se na análise não ocorreu diferença estatisticamente significativa, o efeito de ambos são rigorosamente iguais. Um outro ponto importante é que o estudo não usou um grupo controle, por isso quem garante que se as pessoas durante estas 20 sessões não tivessem feito nada, também não iriam melhorar?
Fiquem de olho nas referências do trabalho, não é uma boa estratégia usar LIVRO como referência, o correto é usar artigos de boa qualidade metodológica.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Biomecânica

Qual a força que os Eretores da Espinha devem fazer nas 3 posições?
Lc = 44 cm;
Massa do tronco = 37 Kg;
d = 4 cm;
g = 9,81 m/s2

Resposta:

Fe * d - mg*Lc*sen x = 0

Fe = 2823 N (para um x=45º)
Fe = 3993 N (para um x=90º)
Fe= 2823 N (para um x=135º)

Pelos resultados encontrados, o Eretor da Espinha é capaz de gerar forças que são 4 vezes o peso do corpo, músculos pequenos que não pesam mais que 1 Kg. Se não entendeu como chegar ao resultado, envie um comentário, participe.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Padrão de ativação muscular e Lesões

Existe uma relação importante entre o padrão de ativação muscular e as disfunções do sistema músculo-esquelético. Cada músculo ou grupamento muscular é responsável por uma função na realização de um movimento, alguns desempenham um papel mobilizador principal, outros auxiliam estes músculos fazendo o papel de sinergistas e outros participam da função estabilizadora. Para que o movimento ocorra sem causar lesões é preciso haver uma coordenação perfeita de todos eles, precisam ser ativados na hora certa, no momento certo com a intensidade certa. Hábitos posturais viciosos, movimentos repetitivos e sedentarismo, podem causar nos grupamentos musculares a diminuição da força, da flexibilidade, o aumento da rigidez e alterações no padrão de ativação neural, ou seja, os músculos podem atrasar a sua ação prejudicando o movimento. Este movimento pode ser realizado, o que na maioria das vezes ocorre, mas a forma com que ocorre pode ser lesiva, causando microtraumas.
A extensão do quadril na posição prono pode ser usada como exemplo. Neste movimento há a participação dos isquiotibiais, eretores espinhais e glúteo máximo. Se houver um padrão de ativação muscular que priorize a ação dos isquiotibiais sem a participação dos estabilizadores da coluna lombar, que são os eretores espinhais e a do glúteo que além de auxiliar a extensão também estabiliza a pelve, ocorrerá um movimento excessivo, e por isso indesejável, nas vértebras lombares. Existem algumas evidências que os pacientes com lombalgia crõnica inespecifica apresentam alteração no padrão de ativação muscular no movimento de extensão do quadril na posição prono, estes pacientes acionam os extensores adiantados em relação aos estabilizadores.
Artigo publicado na Revista Brasileira de Fisioterapia fez uma análise eletromiográfica justamente deste movimento, e não encontrou diferença significativa entre indivíduos saudáveis e portadores de lombalgia. Apesar dos resultados não confirmarem a teoria exposta acima, os próprios autores reconhecem a necessidade de novas pesquisas. Teoria é uma coisa, comprovação é outra, por isso continuamos tentando entender as causas para que o tratamento proposto seja cada vez melhor. Lembre-se que existem outros estudos que mostram resultados diferentes, há a dúvida, somente muita pesquisa vai responder e dizer quem está certo.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Disfunção Sacro-ilíaca

Artigo publicado no número novo da FISIOTERAPIA EM MOVIMENTO, faz um levantamento sobre a frequência de disfunções sacro-ilíacas (DASI) em jovens com dor lombar. É sabido que as DASI podem ser as causas da dor lombar. Segundo este levantamento, na população estudada, 35% dos jovens tinham DASI, ou seja, suas dores lombares eram causadas na sacro-iliaca e não na região lombar. Este dado demonstra a importância de se investigar a presença das DASI nestas e outras populações com lombalgia. Para isto, diversos estudos tem sugerido 4 testes:
  1. Prova de Gaenslen;
  2. Compressão ilíaca;
  3. Thigh thrust;
  4. Compressão sacra.

A presença de dor em 3 destes testes, confirmam o diagnóstico de DASI. É um artigo interessante e possui uma bibliografia importante neste assunto (13,14 e 18), vale a pena dar uma olhada.

Outro dado importante e relevante, é que 100% dos jovens com DASI tinham encurtamento nos isquiotibiais. Esta disfunção gera alterações no ritmo lombopélvico que causa prejuízos na absorção de choques da articulação sacro-iliaca durante a marcha, o que por sua vez sobrecarregaria os discos intervertebrais da região lombar acarretando dor nesta região.

Artigo completo

Deficit muscular após cirurgia

Artigo publicado na PHYSICAL THERAPY em outubro de 2009 discute sobre o deficit muscular, torque e potência, que ocorre na musculatura extensora e flexora do joelho após artroplastia. Este deficit se mantém mesmo depois da alta na reabilitação, o que traz pejuizos nos testes funcionais realizados no estudo. Diversos estudos tem mostrado que o deficit nesta musculatura aumenta o risco de quedas, por isso é importante a observação deste ponto durante a reabilitação, já que a população que é submetido a este tipo de cirurgia são idosos que já tem este risco, em função da idade, aumentado. Além do risco de queda, este deficit diminui a mobilidade e a capacidade funcional.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Obesidade e Osteoartrite

Artigo publicado na BMJ_2009 mostra o efeito da dieta e do exercício na osteoartrite de joelho em indivíduos com sobrepeso ou obesos. Sabe-se que a obesidade é fator de risco para diversas doenças crônicas, e entre elas a osteoartrite. Diminuir o excesso de peso e fortalecer a musculatura são duas intervenções citadas em diversos artigos. O objetivo deste artigo foi comparar o efeito destes dois tratamentos, para isso foram recrutados 389 sujeitos, entre homens e mulheres, que foram divididos em 4 grupos diferentes; um grupo que só realizou dieta, um grupo que só realizou os exercícios, um grupo de dieta e exercício e um grupo controle que não sofreu intervenção. Os grupos que realizaram exercício obtiveram uma melhora na dor e na função mais significativas que o grupo que só realizou dieta, mostrando que não basta só perder peso, mas que é fundamental o incremento no tratamento de exercícios de fortalecimento muscular. O mais interessante é que estes exercícios eram feitos em casa e tinham orientação apenas uma vez por semana.
A pratica de uma atividade física mostra mais uma vez o seu papel importante na promoção de saúde e na melhora da qualidade de vida.
Conferir o texto completo - Clique Aqui

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Síndrome Patelofemural_Tese de Mestrado

Tese de Mestrado de Sandra Aliberti apresentada na Faculdade de Medicina da USP faz um estudo interessante com pacientes portadores da Síndrome Patelofemural, mostrando a complexidade desta patologia e as controvérsias da literatura a respeito da causa e do tipo de tratamento mais eficiente para esses pacientes.
Seu enfoque está direcionado para o alinhamento postural e dinâmico do retropé apontado como causa por alguns autores.
Interessante texto para estudo e importante também seria a busca das referência apresentadas no trabalho.
Resumo Original
A síndrome da dor patelofemural é uma das disfunções mais comuns que acometem o joelho, principalmente mulheres jovens fisicamente ativas. No entanto, o tratamento permanece desafiador por carecer de bases científicas que direcionem sua reabilitação. Distúrbios no alinhamento estático e dinâmico dos membros inferiores, como a pronação excessiva do retropé, têm sido associados na clínica e embasados teoricamente como fatores de risco para a disfunção. No entanto, estudos experimentais que embasem esta relação ainda são controversos. O objetivo geral deste estudo foi verificar a influência da síndrome da dor patelofemural no alinhamento postural do retropé e joelho, assim como na distribuição da pressão plantar durante a fase apoio do descer escadas e em três subfases do apoio da marcha. Foram estudados 77 adultos jovens de ambos os sexos, divididos em grupo controle (GC=47) e grupo síndrome da dor patelofemural (GSPF=30). Para responder a questões científicas específicas, foram realizados três experimentos. O experimento 1 teve o objetivo específico de verificar a associação entre a síndrome da dor patelofemural e o alinhamento postural dos membros inferiores (n=77; GC=47,GSPF=30). Para tanto, foram avaliadas três medidas clínicas: o ângulo do retropé, o ângulo Q (fotogrametria digital) e a orientação médiolateral da patela (método adaptado de Mc Connell). O experimento 2 teve como objetivo específico investigar a distribuição da pressão plantar de indivíduos com e sem diagnóstico de síndrome da dor patelofemural durante o descer escadas, e avaliar a dor dos sujeitos com essa disfunção antes e após a tarefa proposta (n=74; GC=44,GSPF=30). Para tanto, avaliouse a distribuição da pressão plantar por meio de palmilhas capacitivas (Pedar X System) na fase de apoio do descer escadas e a dor referida pelos sujeitos pela escala analógica visual de dor antes e depois da tarefa motora. O experimento 3 (n=57; GC=35,GSPF=22) buscou especificamente avaliar a influência da síndrome da dor patelofemural na distribuição da pressão plantar durante o contato inicial, médio-apoio e propulsão da fase de apoio da marcha. Os principais resultados demonstraram que não houve influência da disfunção no alinhamento postural do retropé e joelho. No entanto, durante o descer escadas, a síndrome da dor patelofemural esteve associada à um contato medialmente direcionado no retropé e médio-pé, assim como menores sobrecargas plantares, provavelmente associadas ao aumento significativo da dor relatada pelos sujeitos após a tarefa. Na marcha, os sujeitos com a disfunção realizaram novamente um contato inicial medialmente direcionado no retropé e uma propulsão mais lateralizada no antepé. Os resultados deste estudo mostram que a síndrome da dor patelofemural não esteve relacionada ao alinhamento postural do retropé e joelho, mas influenciou o padrão dinâmico da distribuição da pressão plantar tanto na marcha como no descer escadas. Estes achados confirmam a importância da avaliação dinâmica durante a reabilitação dos indivíduos com esta disfunção.
Texto completo no site Teses e Dissertações da USP. Clique Aqui

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Síndrome Patelofemural

A síndrome da dor patelofemural (SDPF) pode ser definida como uma dor anterior no joelho ou retropatelar, sendo agravada pelas atividades esportivas, subir e descer escadas, caminhar em terrenos inclinados, agachar e sentar por tempo prolongado.

Os fatores causadores da síndrome ainda não são bem estabelecidos, sendo que alguns autores citam as alterações biomecânicas do membro inferior como uma causa provável, e o desequilíbrio dinâmico entre os estabilizadores mediais (vasto medial obliquo - VMO) e os laterais (Vasto lateral obliquo e lateral longo - VLO e VLL) como a principal alteração. Esta teoria é confirmada por alguns estudos, mas não observada em outros.

Diante disto, o objetivo do estudo foi avaliar o tempo de reação reflexa (TRR) dos músculos VMO, VLL, VLM em indivíduos saudáveis e portadores da SDPF.
Os resultados do estudo mostram que VMO obliquo atinge o pico de ativação atrasado em relação aos estabilizadores laterais em ambos os grupos, não havendo diferença significativa. O estudo sugere que o TRR não pode servir como parâmetro para diferenciar os indivíduos portadores da SDPF, dos indivíduos saudáveis.

Lembrar que a amostra deste estudo era composta de individuos assintomaticos e que a SDPF é uma patologia de carater multifatorial.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Peso, Altura e Pressão Plantar

A baropodometria é um exame que avalia a distribuição da pressão plantar. É descrito na literatura que alguns fatores podem influenciar essa distribuição, entre eles o peso, a altura e o índice de relação entre as duas medidas, o IMC.

Este trabalho tem o objetivo de analisar se há uma relação entre esses fatores e pressão plantar em trabalhadoras que utilizam a postura ortostatica como predominante no trabalho.
A sobrecarga imposta pode gerar alterações biomecânicas e estresse articular que ocasionam doenças no pé, tornozelo, quadril e coluna, por forças cumulativas, daí a importância desta avaliação, justamente com o objetivo de prevenir disfunções do sistema musculo-esquelético.
O trabalho conclui através dos resultados obtidos que os picos de pressão são maiores quanto maior o IMC e a estatura.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Instabilidade Crônica de Tornozelo

Análise da Performance Funcional em Indivíduos com Instabilidade do Tornozelo: Revisão Sistemática

As entorses de tornozelo são as lesões mais freqüentes, onde o mecanismo causador mais comum é a supinação excessiva (Inversão + Flexão plantar) do complexo tornozelo-pé.
Cerca de 40-72% das lesões levam a problemas crônicos, como entorses recorrentes e limitação funcional.
As causa da instabilidade são:
*Instabilidade mecânica;
*Instabilidade funcional (déficits neuromusculares e proprioceptivos).
O objetivo do trabalho, publicado na RBME_2009, foi “realizar uma revisão sistemática da literatura a fim de levantar a existência de medidas clínicas que avaliem a performance funcional de indivíduos com instabilidade crônica do tornozelo, assim como levantar a existência de estudos que verifiquem objetivamente a presença de déficits de performance funcional nesses indivíduos”.
Foram selecionados inicialmente 253 estudos, mas apenas 6 preencheram os critérios de inclusão desta revisão. Após a verificação dos estudos observou-se que apenas os testes Multiple hop test e SEBT tem sua validade e confiabilidade verificadas como instrumentos de avaliação capazes de detectar déficits na performance funcional em indivíduos com instabilidade do tornozelo.
Os déficits apresentados em ambos os testes estão relacionados com uma dificuldade de realizarem correções posturais necessárias para completar as tarefas motoras requeridas, ou seja, esses sujeitos apresentariam um déficit de equilíbrio dinâmico, o que reforçam a idéia de que a instabilidade está relacionada com a presença de déficits proprioceptivos e de controle neuromuscular.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Pilates

O estudo teve como objetivo analisar a influência do Pilates® sobre a força na flexão do braço e nos exercícios abdominais durante 9 semanas. Foram recrutadas 12 voluntárias que realizaram o Pilates® 3 vezes por semana durante 50 minutos. O teste de flexão de braço foi realizado em quatro apoios até a exaustão, enquanto os abdominais foram o número de repetições durante 1 minuto. Os resultados do pré-teste e do pós-teste foram significativos, o que credencia o Pilates® como uma modalidade de exercício para a saúde e qualidade de vida e para a reabilitação das disfunções da coluna.
Inúmeros são os estudos na literatura que mostram os benefícios do Pilates®. Pesquisa realizada no Pubmed encontrou mais de 30 estudos com a palavra Pilates® no titulo dos artigos, e vários destes mostram resultados positivos na aplicação do método em diversas patologias.