segunda-feira, 19 de março de 2012

Escola de Postura_Artigo 2

Artigo publicado na Fisioterapia e Pesquisa fala de mais uma bem sucedida intervenção através da escola de postura em trabalhadores com dor lombar crônica. Participaram 33 trabalhadores de um programa que constou de sete encontros, uma vez por semana com duração de uma hora cada. O primeiro e o último foi separado para a realização das avaliações.
Foi observada melhora da qualidade de vida em sete domínios do SF-36 (questionário que avalia a qualidade de vida), da incapacidade funcional (através do questionário Roland-Morris), da intensidade de dor e da flexibilidade (medida através do banco de Wells) (p<0,005). O índice de adesão foi de 58,93%.

PROGRAMA "Escola de Postura"
"Nos cinco encontros restantes, foram abordados os seguintes temas:
1º Encontro: Noções de anatomia, cinesiologia e biomecânica da coluna vertebral. Com a utilização de um modelo anatômico da coluna vertebral articulada, foram demonstradas as estruturas da coluna vertebral, suas principais funções e alterações mais comuns decorrentes dos maus hábitos posturais. Foram iniciados alongamentos para a coluna lombar (série de Willians), coluna cervical, ísquiotibiais, piriforme e abdômen. Em seguida, foram realizadas orientações em relação à respiração diafragmática e à contração isolada do transverso do abdômen em decúbito dorsal. Todas as atividades foram orientadas a se realizar durante a rotina dos trabalhadores;
2º Encontro: Alterações posturais, causas de lombalgia e seus respectivos tratamentos. Foram discutidos os principais fatores de risco cotidianos e ocupacionais. Foram realizados alongamentos ensinados previamente para fortalecimento da musculatura do transverso abdominal associado com movimentação dos membros superiores, além de exercício de ponte para fortalecimento do músculo glúteo máximo e dos abdominais oblíquos e reto.
3º Encontro: A postura nas atividades de vida diária: noções de ergonomia e prevenção de disfunções. Foram realizados alongamentos, fortalecimento do transverso do abdômen associado com membros superiores e inferiores, fortalecimento de glúteo médio em decúbito lateral, fortalecimento dos abdominais reto e oblíquos e exercícios parciais da série de Klapp sem retirar o apoio dos membros;
4º Encontro: Hábitos de vida na prevenção das lombalgias. Foram realizados alongamentos, fortalecimento do transverso na postura sentada, fortalecimento de glúteo médio em decúbito lateral, fortalecimento dos abdominais reto e oblíquos, alongamento do piriforme e série de Klapp com retirada de um dos membros superiores alternadamente.
5º Encontro: A influência de fatores psicossociais nas disfunções de coluna. Foram relembrados todos os exercícios feitos e realizado o fortalecimento do transverso na postura ortostática. Os trabalhadores, então, receberam uma lista dos exercícios desempenhados para que pudessem continuar a prática deles."
TEXTO COMPLETO


terça-feira, 6 de março de 2012

Síndrome do Impacto e Exercícios

A síndrome do Impacto no ombro (Subacromial Impigement Syndrome) é uma das lesões musculo-esqueléticas mais comuns que possui múltiplas causas. Várias estruturas, como a bursa subacromial, os tendões do manguito rotador, o acrômio, o ligamento coraco-acromial e o tendão da cabeça longa do bíceps estão envolvidas na patogênese da disfunção. Vários fatores tem sido citados como causadores desta lesão, como disfunção nos movimentos do ombro, rigidez capsular, alteração postural (ombro protuso) e movimentos repetitivos. 
Os tratamentos propostos vão desde o uso de anti-inflamatório (oral e por meio de infiltração) e fisioterapia, até a artroscopia para descompressão subacromial. As evidências não são consistentes quanto a eficiência dos exercícios na reabilitação da síndrome. Diversas pesquisas apontam para o uso do exercício como primeiro passo no tratamento, porém a melhor estratégia de exercício não apresenta um consenso.
Artigo publicado na BMJ 2012 comparou a eficiência de exercícios específicos para os músculos do manguito rotador e os estabilizadores da escápula, comparado com exercícios que os autores chamaram de não específicos. O programa de exercícios focou no fortalecimento excêntrico do manguito rotador e fortalecimento concêntrico e excêntrico dos estabilizadores da escápula (porção média e inferior do trapézio, além dos rombóides e do serrátil anterior). Cada exercício foi repetido 15 vezes em três séries, duas vezes por dia durante 8 semanas. A progressão dos exercícios foi feita por meio de pesos livres e faixa elástica. O grupo controle realizou seis exercícios para pescoço e ombros sem carga externa (abdução, retração e elevação do ombro, mais movimentos do pescoço e alongamento do trapézio e peitoral).
Noventa e sete pacientes participaram da pesquisa. Nenhuma diferença foi observado no início do tratamento, já no final do tratamento, o grupo que realizou os exercícios específicos tiveram um resultado significativamente maior que o grupo controle, na função e na diminuição da dor avaliados pelo Constant-Murley score, reduzindo a necessidade de uma intervenção cirúrgica.


domingo, 4 de março de 2012

Lesão LCA e Equilíbrio

Disfunção dos joelhos é resultado da instabilidade mecânica da articulação e das lesões nos receptores proprioceptivos dos ligamentos. Diversas pesquisas tem demonstrado que pessoas portadoras de lesões ligamentares apresentam disfunções proprioceptivas medidas através de testes especiais (Lephart,1997; MacDonald,1996; Nougier,1998). Daí a importância de se avaliar e tratar esta disfunção com o objetivo de prevenir futuras lesões. 
A propriocepção é o resultado de sinais gerados não somente em receptores periféricos mas também na retina (visão) e sistema vestibular, e estes sinais são integrados e analisados em vários níveis no sistema nervoso central (SNC). Distúrbios em qualquer um dos três sistemas prejudica o controle postura. Baseado nestas informações RIVA criou um método para avaliar o controle postural dinâmico e estático, o Riva dynamic test (DRT) e o Riva static test (SRT) e estes testes foram usados num trabalho publicado na Biology of Sport que avaliou as estratégias de controle postural em pacientes com lesão do ligamento cruzado anterior (LCA). Foram recrutados 84 pessoas e divididas em dois grupos, um grupo com individuos com lesão do LCA (N=33) e um grupo controle com voluntários "saudáveis" (N=51).

Static Riva Test standing on one  leg
Diferenças estatísticas foram encontradas somente no teste de olhos fechados entre o grupo lesado e o controle. Com os olhos abertos não houve diferença, o que indica uma alta capacidade de compensar os déficits proprioceptivos após a lesão além da importância do sistema visual no controle postural.  

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

EMG e Pilates

A: Pelve retrovertida com o tronco fletido
- Aumentou significativamente a ativação dos músculos Oblíquo Externo e Glúteo Máximo

B: Pelve anterovertida com o tronco em extensão
- Aumentou a ativação do músculo multifídeo

C: Posição Neutra
- Diminuiu a atividade de todos os músculos

D: Pelve Neutra com o tronco paralelo ao chão
Aumentou a ativação do músculo multifídeo e Oblíquos

O músculo Reto Abdominal estava ativo durante todos os exercícios, não apresentando alteração de ativação de acordo com a posição da pelve e do tronco.

Estes foram os resultados de um estudo publicado na Archives of Physical Medicine and Rehabilitation que avaliou através de EMG a atividade dos músculos Iliocostal, Multifideos, Glúteo Máximo, Reto Abdominal, Oblíquo Externo e Interno, durante a realização de 4 exercícios utilizados no Pilates. Os autores   chamam a atenção para o fato de que a ativação dos músculos são influenciadas pela posição da pelve e do tronco, isto deve ser observado na prescrição de exercícios que visam a melhora na estabilidade vertebral, que tem nos Multifideos um importante colaborador. Os autores também sugerem a utilização de posturas fora da posição neutra como progressão para o tratamento.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Oscilação Postural e Dor

Segundo RUHE (2011) a oscilação postural está aumentada em pacientes com dor lombar crônica não especifica, devido às lesões nos mecanismo de controle postural que afetam as informações aferentes proprioceptivas. Uma das causas documentadas na literatura é a dor. Vários outros fatores são responsáveis pelo aumento da oscilação do centro de pressão (COP), como a idade, gênero, peso e altura (DOYLE,2004; HAGEMAN,1995; HUE,2007; CHIARI,2002). 
RUHE et. al. (2011) estudaram se a oscilação do COP é afetada pela intensidade e duração da dor. Para isso foram recrutados 80 voluntários sintomáticos ou não, que passaram por uma avaliação baropodométrica e os sintomáticos por uma avaliação da dor.
De acordo com o gráfico (acima), quanto maior a intensidade da dor maior a oscilação do COP, tanto antero-posterior (gráfico esquerdo) quanto latero-lateral (direito).
Segundo os autores do estudo, a avaliação do COP permitirá monitorar os resultados do tratamento. Resultados satisfatórios acarretará numa diminuição da dor e na oscilação do COP, além de demonstrar aqueles casos onde a melhora do equilíbrio não ocorre diante de um quadro persistente de dor.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Escoliose e Método Klapp


No exercício de “engatinhar perto do chão" o paciente apoiado nos cotovelos a 90º, os dedos e mãos direcionados para frente, a cabeça erguida, quadril e joelhos a 90º e realizar movimentos de hipercifose torácica e hiperlordose lombar.


No exercício de “deslizamento horizontal”, o paciente fica na posição de gatas, com o quadril e joelho a 90º de flexão, é pedido ao paciente a estender o tronco e os membros superiores à frente sem tocar os cotovelos no chão, a manter a cabeça erguida e a manter a distância entre as mãos igual à largura dos ombros.



Pedir ao paciente para deslizar o tronco e os membros superiores em direção ao lado convexo da escoliose, o que consiste no exercício de “deslizamento lateral”.





No exercício “engatinhar lateral”, o paciente fica na posição quadrúpede, com as mãos direcionadas interiormente, levando para frente o membro superior e para trás o membro inferior do lado da concavidade, a cabeça era mantida rodada para o lado da convexidade.




No exercício “arco grande”, o paciente também na posição quadrúpede, estende o membro superior e o membro inferior do lado côncavo em diagonal. O joelho e o cotovelo contralateral são mantidos aproximados.



No exercício seguinte, “virar o braço”, o paciente novamente na posição de gatas, com membro superior do lado côncavo em extensão e abdução de 90º, realiza uma rotação do tronco acompanhado da cabeça também em direção ao lado da concavidade.








O sétimo exercício chamado a “grande curva”, o paciente de gatas realiza uma extensão do membro superior e do inferior do lado da concavidade.



Estudo publicado na REVISTA BRASILEIRA DE FISIOTERAPIA (Clique Aqui) testou a eficácia do Método Klapp no tratamento das escolioses por meio do estudo quantitativo pela biofotogrametria computadorizada. Observou-se segundo os autores que "o método Klapp foi uma técnica terapêutica mais eficaz para tratar as assimetrias de tronco em comparação com a de pelve. Obtiveram-se resultados relevantes para melhorar a flexibilidade e a lordose lombar. Para as demais curvaturas vertebrais e o posicionamento da cabeça, o Klapp não demonstrou bons resultados, não sendo também eficaz para trabalhar o alinhamento de joelhos no plano sagital". Cada postura foi mantida por 8 minutos, num tempo total de terapia de 70 minutos, duas vezes por semana, por 20 sessões.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Artroplastia do Joelho e Limitação Funcional

37% dos pacientes que passaram por uma artroplastia do joelho desenvolvem importantes limitações funcionais (FRANKLIN,2008). As limitações mais importantes que estes pacientes desenvolvem são a diminuição da velocidade de marcha, a dificuldade de subir e descer escadas e a incapacidade de retorno a uma pratica esportiva. Um dos fatores que contribuem para estas limitações é a fraqueza dos músculos da extremidade inferior. Diversos estudos tem demonstrado a importância do quadríceps no desempenho das atividades funcionais citadas acima (WALSH,1998 - MIZNER,2005), e que um programa de fortalecimento desta musculatura gera melhora funcional num período de 3 a 12 meses (PETERSON,2009).
Os abdutores do quadril são importantes estabilizadores do tronco e do próprio quadril durante a deambulação, no controle do alinhamento dos membros inferiores e na transferência de forças da extremidade inferior para a pelve. Para estudar esta relação, PIVA (2010) publicou um estudo na Physical Therapy, que estudou se a força dos abdutores do quadril contribuem para a função de pacientes que foram submetidos à artroplastia de joelho.
31 pessoas que foram submetidas a uma artroplastia do joelho participaram do estudo. A força muscular do quadríceps e dos abdutores foram medidas através de um dinamômetro isocinético. Quatro testes para medir as limitações funcionais foram realizados: Velocidade de marcha, Figure-of-8 Walk Test, subir e descer escadas e  the 5-Chair Rise Test. As analises incluíram também o peso, altura, sexo, idade e tempo de cirurgia, com o objetivo de avaliar alguma relação destas variáveis, além da força, com o desempenho nos testes funcionais.
O estudo sugere que a fraqueza muscular dos abdutores contribuem mais para as limitações funcionais avaliadas nos testes, que as outras variáveis: peso, altura, sexo, idade, tempo de cirurgia e fraqueza do quadríceps. 
Parece que a fraqueza dos abdutores é tão relevante, ou até mesmo mais, que a fraqueza do quadríceps, na contribuição das limitações funcionais. O autores do estudo sugerem a necessidade de estudos longitudinais com uma amostra maior para testar os resultados por eles encontrados.





segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Diagnóstico da dor lombar


Artigo acesso livre da  European Spine Journal (Janeiro 2012)



"Computed tomography for the diagnosis of lumbar spinal pathology in adult patients with low back pain or sciatica: a diagnostic systematic review"

Texto completo

Mobilização Neural

Estudo publicado na revista FISIOTERAPIA EM MOVIMENTO avaliou o efeito agudo da Mobilização Neural na ADM da extensão do cotovelo em indivíduos com tensão neural adversa do nervo mediano (TNAm). Participaram do estudo 60 voluntários na faixa etária de 17-30 anos, sendo que os indivíduos eram avaliados, através de testes específicos, para tensão do nervo. No caso do teste ser positivo, os mesmos eram submetidos à mobilização neural e imediatamente a manobra, era feita a avaliação goniométrica, para ser comparada com a avaliação realizada antes da manobra. 
Os resultados indicaram diferenças significativas entre os valores pré e pós mobilização.

PERGUNTA ????
E SE FOSSE FEITO UMA MOBILIZAÇÃO PASSIVA SIMPLES, SEM RESPEITAR A TÉCNICA?
MAIS UM EXEMPLO DA IMPORTÂNCIA DE UM GRUPO CONTROLE.



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Treino de Resistência em Idosos


Treinamento de resistência progressiva pode ajudar o idoso a recuperar a função para que ele possa funcionar de forma independente na comunidade novamente?
A força muscular, a quantidade de força que um músculo pode produzir, está associado com atividades funcionais. Perda da força está associada com baixa velocidade de marcha, baixa resistência, incapacidade de se levantar de uma cadeira, risco de quedas, incapacidade e fragilidade. Homens e mulheres demonstram diferentes trajetórias na perda muscular, com perda mais gradual de força nos homens e mais dramático nas mulheres após a menopausa (ROLLAND,2008). O treinamento de resistência(TR) é usado para neutralizar os efeitos da perda de massa muscular. É uma forma de exercício em que o músculo contrai contra uma carga externa. Alguns dos equipamentos utilizados são: peso livre, peso corporal, aparelhos de musculação e faixas elásticas. Revisão publicada no Physical Therapy (CLIQUE AQUI) incluiu 121 ensaios clínicos e mais de 6700 idosos. Quando comparado com o grupo controle, o treino de resistência, segundos os autores, apresentou um pequeno mais significativo efeito do TR na melhora da capacidade funcional e do equilíbrio, e também uma melhora significativa na força muscular. O TR progressivo melhorou também a capacidade aeróbica. Os autores concluíram que o treino de força feito de 2 a 3 vezes por semana reduz a incapacidade funcional e melhora a capacidade de realização de determinadas AVD's, como a velocidade de marcha e o tempo de levantar de uma cadeira. Poucos efeitos adversos foram relatados, e quando foram, a dor muscular e articular foram os mais comuns.

Aplicando a evidência em um estudo de caso:
Sra Smith, 86 anos, história clinica de queda com rompimento dos músculos do manguito rotador em consequência da queda, cardiomegalia, osteoartrose bilateral e anemia. Paciente lúcida e orientada, cognitivamente normal. Sinais vitais: FC 88 bpm, PA 120X82 e FR 20 ipm. As limitações funcionais incluem diminuição da força muscular, equilíbrio, diminuição na velocidade de marcha, necessidade de auxílio para realização das AVD's e risco de queda. O TUG ("Time-up-go") foi de 53 segundos (< 30 seg sugere dependência). Requer supervisão para levantar da cadeira e subir e descer degraus. Sua velocidade de marcha foi de 0.28 m/s (o normal é pelo menos1 m/s). Score para avaliação do risco de quedas igual a 14 (> 10 sugere alto risco de quedas).
Como os resultados da revisão podem ser aplicadas na Sra Smith?
A Sra Smith entrou num programa domiciliar de exercícios duas vezes por semana. O TR foi realizado nas extremidades superior e inferior com pesos livres em 2 séries de 6 a 10 repetições até a fadiga. A carga foi aumentada gradualmente de acordo com a melhora nas reavaliações. Foi feito também treino de marcha, subir e descer escadas e levantar da cadeira. O treino foi realizado durante 7 sessões.
Resultados:
Aumento de 100% na força muscular, diminuição de 27 seg. no TUG, a velocidade de marcha aumentou para 0.38 m/s, passou a realizar as transferências de forma independente. O TR contribuiu para o aumento da independência funcional.


Os autores concluem que os achados desta revisão podem ser aplicados em idosos com idade superior a 80 anos, saudáveis ou com problemas de saúde.

domingo, 8 de janeiro de 2012

RPG X Alongamento Segmentar

Estudo publicado na Revista Fisioterapia e Pesquisa da USP (Janeiro,2008) - CLIQUE AQUI comparou os efeitos de dois tipos de alongamento: segmentar e global (através das posturas de RPG). Foram recrutados 33 individuos e divididos em 3 grupos distintos: o grupo global fez alongamento pela técnica de RPG; o grupo segmentar (fez alongamento segmentar); e o grupo controle não fez alongamento.
As sessões tiveram duração de 30 minutos e foram realizadas duas vezes por semana durante quatro semanas, com intervalo mínimo de 48 horas entre as sessões. Os partIcipantes do grupo global foram submetidos as duas posturas do método RPG durante 15 minutos cada. No grupo segmentar, foram alongados músculos que fazem parte das cadeias musculares trabalhadas nas posturas de RPG. Cada alongamento durava 30 segundos, realizado passivamente ou de maneira autopassiva, bilateralmente.
O teste ANOVA foi utilizado para a análise estatística. Foi observada diferença estatisticamente significante entre os três grupos no ganho de ADM, flexibilidade e força muscular (p<0,05) pela ANOVA. Quando o teste Kruskal-Wallis comparou os grupos dois a dois, não houve diferença significante entre os grupos que realizaram alongamento na ADM (p=0,12), flexibilidade (p=0,28) e força muscular a 45° (p=0,92) e 90° (p=0,92), indicando igualdade entre eles.
Os autores do estudo concluíram:
"As duas técnicas de alongamento utilizadas, reeducação postural global estático segmentar, foram igualmente eficientes no ganho de flexibilidade, amplitude de movimento e força muscular de indivíduos sem lesão musculoesquelética; ambas levaram a resultados superiores aos do grupo controle. Dessa forma, infere-se que ambas podem ser utilizadas em situações clínicas. Porém, para ampliar as repercussões clínicas, recomenda-se a realização de estudos semelhantes com diferentes lesões musculoesqueléticas."

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Síndrome do Impacto - Tratamento

A síndrome do Impacto é a patologia mais comum que afeta o ombro e ocorre devido ao impacto crônico do acrômio com o tendão do supraespinhoso, bursa subacromial e tendão bicipital. O objetivo do tratamento é cessar o processo inflamatório, reduzir a dor e manter a amplitude de movimento normal.
Estudo publicado na European Journal of Physical and Rehabilitation Medicine comparou a eficiência de três modalidades de tratamento: Ultrassom, Laser (As-Ga) e exercícios. Foram recrutados 52 pacientes divididos em 3 grupos diferentes:
  • Grupo 1: Aplicação de compressa quente + US + Exercício;
  • Grupo 2: Aplicação de compressa quente + laser + Exercício;
  • Grupo 3: Compressa quente + Exercício.
Os resultados mostraram que em ambos os grupos houve melhora significativa antes e após o tratamento, na dor e na ADM, mas que não houve diferença significativa quando comparado os 3 grupos, ou seja, não houve beneficio adicional da US e laser no tratamento da patologia.
Os autores do estudo concluíram que a ausência de um grupo controle, que não realizasse nenhum tratamento, limita a afirmação de causa e efeito, ou seja, será que os grupos melhorariam mesmo se fizesse apenas repouso?. E concluem também que o exercício sozinho pode ser suficiente no tratamento da patologia estudada.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Escala KUJALA (Traduzida e Validada)

Artigo publicado na ACTA ORTOPÉDICA BRASILEIRA (Clique aqui), realizou um estudo para validação da escala de Kujala (Scoring of Patellofemoral Disorders), que é usada para avaliar os sintomas subjetivos como dor anterior no joelho e limitações funcionais na Síndrome de desordens patelo-femoral. Os itens avaliados no questionário são subluxação patelar, claudicação, dor, caminhadas, subida de escadas e postura sentada por tempo prolongado com os joelhos flexionados. Tem pontuação de 0 a 100 pontos, onde 100 significa sem dores e/ou limitações funcionais e 0 significa dor constante e várias limitações funcionais. 
Após aplicação da escala traduzida em 40 indivíduos recrutados para o estudo, os autores concluíram que:

"A escala Scoring of Patellofemoral Disorders encontra-se traduzida e adaptada culturalmente para língua portuguesa, tendo como título em português Escala de Desordens Patelofemorais. O processo de tradução e adaptação cultural pode ser aplicado com sucesso em questionários de fisioterapia, gerando instrumentos aplicáveis em língua portuguesa".

VERSÃO FINAL EM PORTUGUÊS

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Pronação excessiva associada à dor anterior do joelho

A pronação da articulação subtalar é um mecanismo protetor importante durante a corrida, pois permite atenuar as forças de impacto ao longo do tempo. 
O excesso de pronação é que se torna um problema, possuindo forte relação com lesões nas articulações, principalmente nos membros inferiores (Tartaruga, Tartaruga et al., 2005). Corredores lesados freqüentemente são hiperpronadores (Hreljac, 2005).
O mecanismo que explica como a pronação causaria as lesões não está muito claro. Especula-se que a relação entre a pronação excessiva e a rotação prolongada da tíbia seria o mecanismo causador (Neptune, Wright et al., 2000). Segundo TIBERIO (Tiberio, 1987) uma rotação tibial prolongada durante a marcha, impede a extensão livre do joelho, e para compensar o fêmur roda internamente causando mudanças nas forças de contato da patela gerando com isso desgaste e conseqüentemente dor. LEE et al (Lee, Morris et al., 2003) demonstraram que a rotação da tíbia e do fêmur altera a distribuição de pressão na patela, com a rotação da tíbia aumentando a pressão no lado contralateral e a rotação do fêmur no mesmo lado.
            A hiperpronação não é o único movimento anormal e lesivo realizado pela articulação subtalar. A velocidade máxima de pronação também está relacionada com as lesões do membro inferior, principalmente em situações de fadiga (Tartaruga, Tartaruga et al., 2005). TARTARUGA et al (Tartaruga, Tartaruga et al., 2005) demonstraram que houve um aumento significativo na pronação máxima com o aumento na intensidade de esforço e que um aumento na velocidade linear aumentou a velocidade de pronação, o que os levou a acreditar que a intensidade de esforço pode ser um fator determinante de lesões durante a corrida. GRAU et al (Grau, Maiwald et al., 2008) examinaram 42 mulheres corredoras (21 com tendinopatia patelar e 21 saudáveis) e concluíram que o grupo com tendinopatia apresentou uma velocidade de pronação maior que o grupo controle, além de uma flexão de joelho mais rápida, um amplitude de quadril menor e uma maior adução do quadril.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Prevenção de Lesões nos Esportes

Revisão sistemática publicada na Physiotherapy (2011), avaliou os efeitos de diversas intervenções na prevenção de lesões dos isquiotibiais (ITB) em indivíduos ativos. Os ITB foram escolhidos por se tratar de um músculo muito exigido nos gestos desportivos e ser um local comum de lesões (HOSKINS,2006). São músculos capazes de gerar grandes momentos de força e muito exigidos nos movimentos de desaceleração e aceleração (GARRET,1984).
Apesar da alta incidência de lesões, a eficácia das estratégias de intervenção preventiva não são bem conhecidas, por isso os autores do estudo fizeram um levantamento das melhores evidências publicadas sobre o assunto. Foram incluídos na revisão estudos que analisavam a eficiência de uma ou mais intervenções preventivas em comparação com um grupo controle (placebo).

Efeitos das intervenções:
  • Fortalecimento X Grupo controle: Os resultados dos estudos analisados foram extremamente heterogêneos, sendo que a maioria dos estudos não encontraram nenhuma diferença estatísticamente significativa entre os grupos;
  • Terapia Manual: Poucos estudos analisados. Houve uma "tendência de eficácia", porém sem melhora estatisticamente significativa;
  • Treino de propriocepção X Grupo controle: Os mesmos resultados;
  • Aquecimento e alongamento X Grupo controle: Também não houve diferença significativa;


CONCLUSÃO:
Os autores concluíram que não há evidência suficiente que apoie o uso destas intervenções como forma de prevenção para lesões dos ITB em pessoas ativas. Os achados da terapia manual devem ser melhor analisados em função do número reduzido de estudos.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Obesidade e Alterações Posturais

A obesidade além de ser fator de risco para diversas doenças crônico-degenerativas, está também associada a diversas alterações do aparelho locomotor, entre elas podemos citar aS alterações posturais e a instabilidade vertebral.
Revisão publicada pela REVISTA FISIOTERAPIA E MOVIMENTO buscou analisar as alterações   posturais da coluna, o diagnóstico e o tratamento da instabilidade segmentar vertebral no indivíduo obeso. A hiperlordose lombar, hipercifose dorsal e hiperlordose cervical foram as alterações posturais mais importantes relacionadas à obesidade citadas nos estudos revisados.
O tratamento destas disfunções que se mostrou mais eficiente foi a Estabilização Segmentar Vertebral, que permite a melhora da postura, a restauração da estabilidade vertebral e o alívio da sintomatologia dolorosa.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Escala para Avaliação da Intensidade da Dor

VISUAL ANALOG SCALE (VAS) FOR PAIN:
É uma escala unidimensional largamente utilizada na população adulta. Compreende uma linha horizontal ou vertical de 10 cm (100 mm), limitada por duas expressões em seus extremos: "nenhuma dor" (0) e "pior dor". É pedido ao paciente que marque na linha qual a intensidade da sua dor, sem se preocupar com os números (0,1,2,3...). Com uma régua o clínico mede a distância (em mm) do ponto 0 (zero-"Nenhuma dor") até aonde o paciente marcou, o que dará um score que varia de 0 a 100. Os valores recomendados para interpretação são: 0-4 mm (Nenhuma dor"), 5-44 mm ("dor suave"), 45-74 ("dor moderada") e acima de 75, "dor severa".

NUMERIC RATING SCALE (NRS) FOR PAIN
É também uma escala unidimensional. Apesar de existirem vários tipos de NRS PAIN, a mais comum é aquela com 11 itens. O formato comum é uma linha horizontal, semelhante a VAS, com números de 0 a 10, por isso 11 itens, que também é limitada por expressões em seus extremos: "nenhuma dor" (0) e "dor insuportável" (10). A diferença está no fato de que o paciente deve marcar na linha o NÚMERO QUE CORRESPONDE A SUA DOR, entre 0,1,2,3...10, quanto maior o score maior a intensidade da dor. O instrumento pode ser aplicado também verbalmente, é fácil de administrar e de ser entendido pelo paciente.



terça-feira, 29 de novembro de 2011

Avaliação da Dor

Artigo publicado na mais recente Arthritis Care & Research (Novembro/2011- RESUMO), discute as diversas ferramentas para avaliar a dor em pacientes adultos.
A revisão inclui os seguintes questionários: Visual Analog Scale for Pain (VAS Pain), Numeric Rating Scale for Pain (NRS Pain), McGill Pain Questionnaire (MPQ), Short-Form McGill Pain Questionnaire (SF-MPQ), Chronic Pain Grade Scale (CPGS), Short Form-36 Bodily Pain Scale (SF-36 BPS), and Measure of Intermittent and Constant Osteoarthritis Pain (ICOAP). A revisão também discute os pontos fracos e fortes de cada questionário. Os revisores recomendam a NRS Pain para estimar a intensidade da dor e o SF-36 BPS para avaliar a dor no contexto geral do estado de saúde. Relatam que ambos são fáceis de administrar e simples para o uso durante o atendimento. Para dor relacionada aos quadros de osteoartrite, os autores reforçam a eficácia do ICOAP. Não só para a pratica clínica mas também para as pesquisas, pois este questionário além de avaliar a intensidade da dor, avalia também as repercussões desta no humor, no sono e na qualidade de vida de modo geral.