segunda-feira, 6 de julho de 2015

Lesões na Corrida 2


Nova revisão sistemática sobre lesões mais comuns entre corredores, foi publicada recentemente na Sports Medicine (Maio de 2015). O objetivo foi avaliar a incidência de lesões por cada 1000 horas de treino, em corredores profissionais e amadores, de longa e curta distância. Treze artigos foram avaliados entre o período de 1987 a 2014. 
Os autores concluíram que o parâmetro lesões/1000 horas é uma medida importante de comparação de risco de lesão entre os estudos e concluíram também  que os corredores iniciantes tem um risco significativamente maior de lesão (17,8%) que os demais tipos de corredores. Não existem trabalhos consistentes sobre a incidência em corredores de maratona e atletas profissionais. 

FONTE: Incidence of Running-Related Injuries Per 1000 h of running in Different Types of Runners: A Systematic Review and Meta-Analysis - SPORTS MEDICINE, May-2015

terça-feira, 30 de junho de 2015

Alongamento. Quais os benefícios?


CAMARA FM et al. (2015) na REVISTA BRASILEIRA DE CIÊNCIA E MOVIMENTO, fazem uma discussão interessante sobre o papel do alongamento na prevenção de lesões, na melhora do desempenho e na redução da dor muscular tardia.
Com relação à prevenção de lesões, os autores mostram uma série de artigos que não sustentam essa teoria. Inclusive no que diz respeito ao uso do alongamento nas sessões de atividade laboral, estudos mostram melhora na flexibilidade sem diminuição na taxa de lesões durante 6 meses de acompanhamento. Estes estudos mostram que uma atividade laboral multi-componente seria mais eficiente que somente sessões de alongamento. É importante ressaltar que as lesões são multi fatoriais, e envolve idade, massa corporal, histórico prévio de lesões, inexperiência com exercícios, desequilíbrio muscular, entre outros. A lesão é muita mais que diminuição de flexibilidade.
Analisando o uso do alongamento na redução da dor muscular tardia, os autores, mais uma vez, refutam esta teoria, chamando atenção para o fato de que a justificativa para esta redução não se apoia em argumentos lógicos, ou seja, por que o alongamento promoveria tal benefício? Com certeza não passa de senso comum, "todo mundo faz e fala, eu também faço e falo".
O último mandamento é a melhora no desempenho. Com relação a este benefício, as hipóteses que procuram justificar o uso do alongamento desta vez são coerentes. O alongamento diminuiria a rigidez muscular, que por sua vez geraria um menor gasto energético e em consequência, a força para gerar a contração iria aumentar, porém os efeitos, os autores mostram que no mínimo são controversos. Alguns estudos mostram esta melhora, enquanto outros não corroboram estes achados.
Enfim, os benefícios de um programa de alongamento precisam ser mais estudados para legitimar tais praticas. Por enquanto não há sustentação consistente para a defesa do uso do alongamento.
Vale a pena ler o texto completo (Clique aqui).

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Eficácia dos Exercícios na Síndrome Patelofemoral

A SPF é uma patologia comum em indivíduos fisicamente ativos, mas a etiologia e o tratamento ainda é um assunto controverso na literatura. A intervenção amplamente aceita é o exercício físico, porém quais exercícios são mais eficientes, não sabemos. Vários posts sobre o assunto já foram publicados, demonstrando a importância, relevância e ao mesmo tempo a confusão que ronda este assunto. Para completar a discussão e tentar jogar uma luz sobre o assunto, foi recentemente publicada mais uma metánalise na Physical Therapy de dezembro de 2014, que avaliou qual tipo de exercício seria mais eficiente no tratamento da SPF.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Muito interessante

Artroscopia e Osteoartrose

Estudo publicado na BMJ (Abril/2015), avaliou os benefícios e danos da artroscopia nos joelhos de pacientes portadores de gonartrose, seja por meio do debridamento, de uma meniscectomia ou ambos. Para isso foi feito uma revisão sistemática e uma metanálise de artigos indexados nas principais bases de dados. Para análise dos benefícios, foi calculado o tamanho do efeito, que avalia mais do que a significância estatística, a significância ou a importância pratica.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Síndrome Patelofemoral - Tratamento

Diversos protocolos tem sido propostos no tratamento da síndrome patelofemoral (SPF), incluindo o fortalecimento do quadríceps, bandagens, alongamento e biofeedback. Nenhuma intervenção tem se mostrado ser mais eficaz entre elas. Recentes estudos mostram uma associação entre pobre controle motor, principalmente de abdutores e rotadores externos do quadril, com a SPF. A diminuição da atividade excêntrica dos abdutores e rotadores permitiriam uma maior adução e rotação interna do membro durante atividades de descarga de peso, o que causaria maior estresse na articulação patelo-femoral (LEETUN, 2003).

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Alterações no pé e Alterações Posturais

As principais alterações posturais, hiperlordose, hipercifose, retificação e escoliose, são apontadas como causadoras de dor lombar decorrentes de sobrecargas assimétricas e contínuas, levando a uma lesão por estresse excessivo. A interdependência dos membros inferiores com o tronco pode ser a causa destas alterações, ou seja, uma alteração no membro inferior pode gerar alterações na coluna vertebral e vice-versa.  
Segundo Bricot, no seu livro "Posturologia", as alterações no pé podem ser responsáveis por desequilíbrios posturais ou se adaptar às alterações posturais presentes. O autor quer dizer com isso, que os pés podem causar as alterações ou sofrer com elas, reforçando a ideia dita anteriormente sobre a interdependência. Os pacientes com pés planos podem apresentar alterações posturais como o calcâneo valgo, rotação interna dos eixos tibiais e femorais, geno valgo, anteversão dos ilíacos, hipercifose torácica, hiperlordose cervical e aumento da lordose lombar. O pé cavo por sua vez pode gerar alterações como o tálus varo, rotação externa tibial e femoral, genu varo e/ou recurvatum, pressão anterior sobre o acetábulo, retroversão do ilíaco, verticalização do sacro, diminuição da lordose e dorso plano.

Na análise das evidências científicas, a opinião de especialistas é a que representa a menor força. Os estudos experimentais ou observacionais devem ser utilizados como referência para testar as teorias destes renomados profissionais e com isso comprovar suas observações. Não necessariamente suas opiniões são verdadeiras e por isso devemos ser cautelosos na aplicação clínica destas opiniões. Não quero dizer com isso que não devem ser levadas em consideração, pois suas observações são decorrentes de anos de experiência profissional, mas na pratica clínica baseada em evidências, é preciso cautela.

Borges et al. (2013) avaliaram, através da análise de correlação, a angulação da lordose lombar com a curvatura dos pés em mulheres com dor lombar. Fizeram parte do estudo 18 mulheres com idade entre 20 e 40 anos, que foram avaliadas por meio da biofotogrametria (avaliação da postura) e da fotopodoscopia (avaliação dos arcos dos pés).
Para análise estatística foi realizado uma correlação de Pearson, por tratar-se de dados com uma distribuição normal. O resultado foi uma correlação negativa entre o arco plantar e a angulação da coluna (r=-0,71 e p=0,0048),
Quanto maior os ângulos da lombar avaliados, mais retificada a coluna, e quanto menores as impressões plantares, mais cavo era o pé. Então segundo o resultado, houve uma correlação significativa entre aumento na curvatura lombar e pé plano e entre retificação e pé cavo em mulheres com queixa de dor lombar. Confirmando o que foi dito por Bricot no seu livro.
Os autores também avaliaram a dor por meio da escala visual analógica (EVA), e encontraram que nos sujeitos com pé cavo e retificação lombar a dor era mais intensa em relação aos demais.

Estes achados reforçam a necessidade de avaliar os pés, que são a base de sustentação, em pacientes com alterações posturais. Diversos procedimentos são descritos no tratamento das alterações dos pés, entre eles destacam as bandagens, o fortalecimento e alongamento dos músculos e tecidos que sustentam o arco longitudinal e o uso de palmilhas. Estas devem ser prescritas de maneira individual mediante uma avaliação criteriosa, repeitando as alterações que são características do indivíduo avaliado. É importante dizer que ainda não há consenso na literatura sobre a eficácia destes tratamentos, principalmente as palmilhas, mas este assunto ficará para um próximo post. 

Fonte: CORRELAÇÃO ENTRE ALTERAÇÕES LOMBARES E MODIFICAÇÕES NO ARCO PLANTAR EM MULHERES COM DOR LOMBAR - Acta Ortop Bras. 2013;21(3):135-8.


terça-feira, 16 de junho de 2015

Uso do Laser nas Tendinopatias - Revisão Sistemática

As tendinopatias respondem por mais de 30% das lesões musculoesqueléticas (Fu SC, 2010). A Fisioterapia tem uma participação importante na prevenção e no tratamento destas lesões, e consiste em programas de melhora da flexibilidade e força, além do uso de recursos anti-inflamatórios, como o ultrassom, a eletroterapia e o laser de baixa potência. 
O laser é uma onda eletromagnética (luz) monocromática, coerente e com pequeno comprimento de onda que promove na região aplicada, uma melhora na microcirculação, um aumento na proliferação de fibroblastos, de ATP e na síntese proteica, alterações extremamente importantes na resolução e cicatrização de tecidos biológicos lesados. Por isso o laser é amplamente utilizado, em associação com a cinesioterapia (alongamento e fortalecimento), nas tendinopatias.
Foi publicada na Revista Acta Ortop Bras. (2015;23(1):47-9) uma revisão sistemática, que objetivou a avaliação da eficiência do laser neste tipo de patologia, para isso foram pesquisados as principais bases de dados na área e somente 3 artigos foram selecionados de acordo com os critérios de inclusão do estudo. O tamanho da amostra dos estudos totalizou 79 participantes.

Tabela 1 - Síntese dos estudos analisados:

Tabela 2 - Parâmetros utilizados

Os autores concluíram após a análise dos estudos selecionados, que houve uma melhora significativa na dor, avaliada por meio de escala visual analógica, também na amplitude de movimento e na função. Apesar dos resultados favoráveis, é preciso cautela na aplicação clínica em função da amostra de alguns estudos ser muito pequena, o que contribui para diminuição do nível de confiança do estudo, e o número reduzido de estudos selecionados.

"Ao realizar a análise dos estudos publicados na literatura dentro da nossa área de atuação, percebo um grande número de estudos qualidade metodológica discutível, por isso, cuidado ao utilizar estas referências na sua pratica clínica. Melhorar a qualidade dos estudos e a qualidade de nossas análises é fundamental para aumentar a nossa segurança e desenvolver a nossa profissão".

Fonte:
THE EFFECTS OF LASER TREATMENT IN TENDINOPATHY: A SYSTEMATIC REVIEW; 
Acta Ortop Bras. 2015;23(1):47-9

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Síndrome da Banda Iliotibial

A síndrome da Banda Iliotibial é uma lesão por esforço repetitivo que gera dor na face lateral do joelho, sendo bastante comum em corredores. Dor à palpação no epicôndilo lateral do fêmur, é um dos principais sinais da síndrome, inclusive este sinal é usado como teste na avaliação.
A banda iliotibial (BIT) é uma estrutura fascial composta por tecido conjuntivo que serve de inserção para o tensor da fáscia lata (TFL) e para o glúteo máximo (GM). Origina-se na crista ilíaca e se insere na patela externa, no retináculo patelar externo e no tubérculo de Gerdy (tíbia externa). Pode ser considerado um importante estabilizador lateral do joelho, essencial para a manutenção da postura ortostática.
Acredita-se que ocorra na BIT um deslizamento anterior e posterior durante a extensão e flexão do joelho respectivamente, o que acarretaria uma fricção e compressão de diversas estrutura nesta região com o epicôndilo. Além da fricção da BIT com o epicôndilo do fêmur, outra fonte que explica a síndrome é no tuberculo de Gerdy na tíbia. Durante a fase de contato da marcha, o membro apoiado realiza uma flexão associado como uma pequena rotação interna da tíbia, o que causa uma tensão nesta estrutura de forma repetitiva na caminhada e principalmente na corrida. Isto levaria a uma inflamação e dor na região, referida como "zona de impacto".
Fatores intrínsecos e extrínsecos poderiam explicar esta síndrome. Os fatores intrínsecos são adução e a rotação interna exageradas do membro inferior ao correr, fraqueza dos abdutores e rotadores externos do quadril que não controlam os movimentos exagerados citados anteriormente; o desequilíbrio muscular em volta do quadril; a diminuição da flexibilidade; a pronação excessiva durante a caminha ou a corrida e as alterações no alinhamento frontal do joelho (varo ou valgo) ou desalinhamento da pelve decorrente da discrepância no tamanho dos membros maior que 0,5 cm. 

Os fatores extrínsecos estão relacionados com o método de treino, com o calçado utilizado durante a corrida e o terreno aonde se realiza a pratica. Aumento exagerado das distâncias semanais e corrida em ladeira são os erros de treinamento mais comuns. 
Na avaliação fisioterápica é importante perguntar sobre os hábitos específicos de treinamento e que posições a dor aparece. Deve avaliar força dos músculos abdominais e do todo o grupamento dos membros inferiores, além de avaliar a flexibilidade. O teste de Ober e o teste de Noble devem ser utilizados. O teste de Ober avalia o comprimento da BIT e o teste de Noble pode reproduzir a dor através da compressão na zona de impacto, a presença de dor caracteriza um teste positivo.
Teste funcional, como mostrado abaixo, avalia a força e o controle motor dos músculos que limitam os movimentos exagerados de adução e rotação lateral da perna que podem estar presentes nos portadores da síndrome, inclusive estes mesmos testes, podem ser utilizados como forma de tratamento, melhorando a ativação muscular durante as atividades de descarga de peso.
TRATAMENTO (Fredericson and Wolf, 2005)
Fase Aguda:
  • Reduzir a inflamação na BIT => Controle dos fatores extrínsecos, repouso, uso de recursos fisioterapêuticos e medicamentos para controle do processo inflamatório.
Fase Subaguda:
  • Trabalhar flexibilidade e iniciar programa de fortalecimento;
  • Mobilização dos tecidos conjuntivos para diminuir as aderências.





Fase de Recuperação:
  • Fortalecimento muscular:


Fonte:
Iliotibial Band Syndrome: Soft Tissue and Biomechanical Factors in Evaluation and Treatment; The American Academy of Physical Medicine and Rehabilitation; Vol 3; June 2011.



sexta-feira, 12 de junho de 2015

Tendinopatia Patelar e Obesidade

Há relação do aparecimento da tendinopatia patelar com o excesso de peso? a obesidade pode ser considerada fator de risco para o desenvolvimento de tendinites no tendão patelar, fonte de dor anterior do joelho?
É justamente estas perguntas que o artigo que discutiremos quer mostrar. O objetivo é avaliar, através da RNM, a prevalência de tendinopatia patelar em indivíduos assintomáticos e relacionar com o excesso de peso. 

Por que avaliar indivíduos assintomáticos? Para evitar a conclusão que a tendinopatia e a com isso a diminuição funcional é que causaram a obesidade e não a obesidade que causou a patologia. A escolha deste grupo de sujeitos evitaria esta associação.

A patologia já é relatada na literatura como comum em jovens atletas de elite ou não, que praticam esportes de alto impacto e alta demanda para força do tendão patelar, como vôlei e futebol. A prevalência pode chegar a 41% destes atletas, o que representa um número significativo. Já na população de não atletas com idade mais avançada, até então não haviam dados consistentes sobre a prevalência, este estudo mostrou que esta fica em torno de 28% da população estudada, o que também não deixa de ser significativo.
Os resultados do estudo também mostraram uma associação importante entre a tendinopatia, diagnosticada por meio da RNM, e o excesso de peso atual, e também com o histórico de obesidade, ou seja, sujeitos que eram obesos de longa data. Como os sujeitos avaliados não apresentavam alterações clínicas nos joelhos avaliados, pode-se concluir que a obesidade que foi a causadora da alteração e não a limitação das atividades decorrentes da dor que causou a obesidade. O estudo não mostrou relação da tendinopatia com a composição corporal (massa gorda e massa livre de gordura). Achado que corrobora com estudos realizados com atletas de basquetebol feminino. Esta ausência de associação com a composição corporal e a presença de associação com o excesso de peso, sugerem um efeito mecânico do peso sobre a integridade do tendão, o que também confirma os achados encontrados nos atletas, que são submetidos a altas cargas mecânicas, decorrentes das forças geradas durante a pratica esportiva.
Mesmo diante de um número considerável de sujeitos (n=279), estes resultados precisam ser confirmados por estudos longitudinais, com objetivo de identificar outros possíveis fatores causadores da tendinopatia.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Fraturas Proximais do Fêmur: Protocolos Fisioterapêuticos

As fraturas proximais do fêmur são comuns nos idosos, e são consideradas a principal causa de deficiência, comprometimento funcional e morte neste grupo (Kannus P, 2000). A Fisioterapia é um importante componente na prevenção destas alterações e na reabilitação dos idosos após o procedimento cirúrgico, porém, não há ainda um consenso na literatura sobre o protocolo mais eficiente, qual seria a melhor intervenção e qual o tipo e intensidade adequados dos exercícios propostos.
Carneiro MB e et. al. (2013) publicaram uma revisão sistemática sobre os protocolos fisioterapêuticos pós fratura de fêmur em idosos e concluíram que realmente não há um tratamento específico e detalhado que mostrasse mais eficiência. Os exercícios de fortalecimento seriam mais eficientes na melhora da funcionalidade destes pacientes, e a fisioterapia realmente acelera a recuperação dos idosos e a melhora na qualidade de vida, mas não garante o retorno às condições funcionais apresentadas antes da fratura.

Moseley AM et al. (2009) realizou um ensaio clínico randomizado em que o objetivo era testar a eficiência de dois protocolos de exercícios de intensidades diferentes. Os sujeitos foram divididos em dois grupos, o primeiro grupo realizou exercícios de intensidade alta e descarga de peso precoce (G1), e o segundo grupo realizou exercícios de intensidade baixa e descarga de peso limitada (G2). Os autores concluíram que os sujeitos do grupo G1 não apresentaram resultados melhores na avaliação de mobilidade, equilíbrio, AVDs e qualidade de vida quando comparados com o outro grupo, após 4 e 16 semanas de intervenção. Os autores alegam que os exercícios que foram classificados em alta intensidade, não foram altos o suficiente para diferenciar dos exercícios de baixa intensidade e com isso promover alterações mais significativas.

Este é um problema recorrente nestes tipos de estudos, há uma tendência a negligenciar a avaliação dos sujeitos quanto a capacidade de se submeter a exercícios de intensidades maiores, principalmente em indivíduos idosos. O que os autores chamam de ALTA INTENSIDADE não é avaliado de forma individual, e o que pode ser alto para um sujeito, não necessariamente será alto para os outros sujeitos envolvidos na pesquisa. É comum na pratica clínica indicar, principalmente pelos médicos, exercícios de baixa intensidade para idosos, a clássica orientação "fazer hidroginástica", subestimando a sua capacidade e aumentando a possibilidade de deficiências funcionais após a cirurgia.
Farei em breve um curso online sobre prescrição de exercícios para idosos. Não deixem de conferir.

Efeito do Alongamento na Flexibilidade dos Isquiotibiais

O objetivo do estudo foi investigar na literatura, através de uma revisão sistemática, qual a melhor posição, técnica e duração do alongamento que melhora a flexibilidade dos isquiotibiais (ITB) na população assintomática. 

Efeitos da Posição: (Em pé, sentado ou Decúbito Dorsal)
Segundo os estudos revisados, todas as posições pesquisadas mostraram melhoras na flexibilidade quando comparadas com o grupo controle, sem diferenças entre as posições.

Efeitos da Técnica:
As técnicas avaliadas foram: os alongamentos estáticos e PNF. De acordo com a tabela mostrada abaixo, as técnicas que utilizaram o alongamento estático, quando comparado com a PNF, obtiveram melhores resultados, porém sem diferenças significativas. Todas as técnicas mostraram melhora na flexibilidade quado comparados com o grupo controle. Somente 4 dos 28 artigos avaliados na revisão, compararam a eficiência de diferentes técnicas na melhora da flexibilidade.

Efeitos da Duração:
Parece que o tempo de 30 segundos é o ideal, não havendo diferenças quando comparados com tempos superiores a este. Os estudos também mostraram que tempos menores com mais repetições obtiveram resultados similares. Alguns autores sugerem que o tempo total de alongamento seja mais relevante que o tempo de cada repetição. O tempo de intervenção também mostrou diferenças, ou seja, estudos que tiveram um tempo de acompanhamento maior, obtiveram resultados melhores quando comparados com apenas uma intervenção. Na tabela abaixo são mostrados os estudos com os protocolos avaliados.

É importante salientar, que os autores chamam a atenção, para a fraca metodologia dos estudos avaliados, e colocam como limitações, o tipo de público avaliado (sujeitos assintomáticos) e a impossibilidade de realizar uma metanálise dos resultados, o que também impossibilita a generalização.
 Este estudo demonstra como fato relevante, que independente da técnica, da posição e da duração do alongamento, os sujeitos apresentarão melhoras na flexibilidade quando comparados com o grupo controle, que são os indivíduos que não fizeram nenhum tipo de intervenção.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Reabilitação do Equilíbrio Muscular na Escápula. Que Exercício Prescrever?

Há uma correlação mostrada na literatura entre as disfunções no ombro com as anormalidades na posição e alterações nos movimentos da escápula. Alguns autores creditam o problema mais no déficit de força, enquanto outros atribuem mais a uma alteração no padrão de recrutamento destes músculos. Como exemplo podemos citar o excesso de ativação do trapézio superior combinado com a diminuição no controle do trapézio inferior e o serrátil anterior. Protocolos de tratamento das disfunções de ombro enfatizam a importância de treinar os músculos escapulares, restaurando o controle motor e o equilíbrio destes músculos durante o processo de reabilitação. Ativação seletiva de músculos fracos e a inibição de músculos hiperativos fazem parte destes protocolos.
Porém a pergunta que se faz é:
QUAL OU QUAIS EXERCÍCIOS ATIVAM SELETIVAMENTE ESTES MÚSCULOS?
COOLS et al. (2007) realizaram um estudo, publicado na American Journal of Sports Medicine, onde foram selecionados 12 diferentes exercícios utilizados na reabilitação dos músculos escapulares e através da EMG avaliaram quais destes seriam mais apropriados para otimizar o equilíbrio muscular.
Os exercícios selecionados que ativaram seletivamente a porção média e inferior do trapézio, e promoveram mínima ativação da porção superior, foram os mostrados abaixo:
1)- Abdução horizontal com rotação externa em prono;
2)- Flexão em decúbito lateral;
3)- Rotação externa em decúbito lateral com apoio entre o braço e o tórax;
4)- Extensão em prono.
Fonte:

Rehabilitation of scapular muscle balance: which exercises to prescribe?

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Fascite Plantar

Fáscia plantar é uma fáscia que reveste a face plantar do pé e serve como um absorvedor de choque. O processo inflamatório desta estrutura é conhecido como fascite plantar e é considerado a causa mais comum de dor no calcanhar. Sua etiologia ainda é nebulosa, é frequentemente diagnosticada em indivíduos ativos, mas também acomete sujeitos com estilo de vida sedentário. RIDLE (2003) et al observaram que o risco de desenvolver fascite plantar estava diretamente relacionado com diminuição na ADM de dorsiflexão do tornozelo, com o passar muito tempo na postura em pé e ter um IMC > 30kg/m2, sendo a diminuição na dorsiflexão o fator de risco mais importante.
A literatura tem mostrado que o alongamento do tríceps sural e da própria fáscia plantar proporciona alívio da dor em curto e longo prazo. DIGIOVANNI et al (2006) testaram a utilização de alongamento da fáscia plantar comparando com o alongamento do tríceps sural, e observaram uma melhora mais significativa no grupo que realizou somente o alongamento da fáscia (foto abaixo), tanto a curto prazo, após oito semanas, quanto a longo prazo, após dois anos.
Para realizar o alongamento os sujeitos foram orientados a cruzar a perna afetada na posição sentada, aplicavam uma tensão nas articulações metatarsofalangeanas até sentir um estiramento na sola do pé, que era mantido durante 10 segundos e repetido 10 vezes, 3 vezes ao dia. A avaliação foi feita por meio do Foot Function Index, que mostrou melhora significativa quando comparado com o grupo que realizou somente alongamento do tendão do tríceps sural.

Segundo os autores do estudo, os paciente com fascite plantar crônica, este alongamento seria um importante componente do tratamento, trazendo melhoras significativas.
Texto completo

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Testes para Corredores

A corrida tem se tornado um esporte comum, no entanto pode causar diversas lesões, principalmente de membros inferiores. Conhecer os fatores de risco para as lesões, pode ser uma estratégia importante na prevenção. Dentre os diversos fatores citados, a hiperpronação do pé, a limitação na dorsiflexão e o grau de mobilidade na primeira articulação metatarsofalangeana, são alguns dos fatores importantes citados e que possuem testes validados na literatura, que medem a extensão destas alterações. 

São eles:
  • Navicular Drop test (NDT): Mede a hiperpronação (VÍDEO);
  • Ankle Joint Dorsiflexion test (AJD-test): Mede a ADM da articulação do tornozelo (VÍDEO 2);
  • Extension First Metatarsophalangeal Joint test (MTP1-test): Mede o grau de mobilidade do hálux (VÍDEO 3).

Com o objetivo de avaliar a confiabilidade intra e inter avaliadores destes testes, foi publicado recentemente na BMC Musculoskeletal Disorders, um estudo com 46 corredores recreacionais. Os autores concluíram que o AJD-test teve uma boa confiabilidade, o NDT teve uma moderada e o MTP1 obteve uma baixa confiabilidade. Porém os autores concluíram que há necessidade de avaliar novamente os procedimentos em um estudo de maiores proporções.
A confiabilidade destes testes podem ser moderadas para a pesquisa, mas podem ser utilizados na pratica clínica, basta que o avaliador utilize de procedimentos padronizados e que siga em todas as medidas realizadas este mesmo procedimento.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Como Ativar Glúteo Médio?

Alterações na força dos músculos do quadril tem sido associado com diversas patologias musculo-esqueléticas, como a dor patelofemoral, síndrome da banda iliotibial, lesão do ligamento cruzado anterior, dor lombar e patologias do quadril. Diversos estudos tem demonstrado a relação da fraqueza dos abdutores e rotadores externos do quadril com o aumento na rotação interna e adução do membro inferior em portadores da síndrome patelo-femoral em tarefas dinâmicas como subir e descer escadas, agachamento e salto. Este aumento nestes movimentos provocaria um aumento no stress da patela com o fêmur, aumentando o desgaste e consequentemente agravando o quadro álgico. Baseado neste achados, os protocolos de tratamento mais recente tem incluído o fortalecimento deste grupamento muscular no tratamento destas diversas patologias citadas anteriormente.
É conhecido também, que o Glúteo Médio (GMED) e a porção superior do glúteo máximo são abdutores do quadril inclusive durante a marcha, porém a dúvida é:
Quais exercícios que ativariam predominantemente estes músculos?
Artigo publicado na JOSPT realizou um estudo através da eletromiografia, para avaliar quais exercícios desempenhariam esta função. Vinte sujeitos foram recrutados e os sinais de EMG dos músculos GMED , GMAX e tensor da fáscia lata (TFL) foram analisados durante 11 exercícios diferentes. A utilização da TFL neste estudo teve como justificativa o fato de que estes músculos são também abdutores do quadril, mas rotadores internos. Então não seria producente que o TFL fosse ativado durante os exercícios, pois o objetivo é evitar esta rotação interna promovida por este músculo. 
Dos 11 exercícios analisados os autores concluíram que somente 6 exercícios são indicados para este objetivo. Segue abaixo a ilustração deste exercícios. Lembre-se que uma boa avaliação e uma prescrição adequada, trará os benefícios que o terapeuta busca.
Os autores concluem o estudo dizendo que se o objetivo dos exercícios são ativar preferencialmente o GMED e GMAX, enquanto minimiza a ativação do TFL, estes exercícios parecem ser os mais indicados. Há necessidade de certa precaução diante dos resultados, pois a amostra foi toda de sujeitos saudáveis e resultados conflitantes podem ser encontrados em sujeitos com alguma desordem musculoesquelética.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Tendinopatia do Tendão de Aquiles

A tendinopatia do tendão de aquiles é uma condição comum em corredores. Cerca de 6 a 18% dos atletas são acometidos por esta patologia. É caracterizada por uma lesão crônica (overuse) e tem relação com o nível de condicionamento e com o nível de treinamento. 80% das lesões na corrida estão relacionadas com erros no treinamento, ou seja, calçados inadequados, superfícies de treinamento, intensidade e frequência do treino.
Exercícios excêntricos tem sido usados na prática clínica para o tratamento destas lesões, já que estudos tem mostrado comportamento diferente entre as fases concêntricas e excêntricas da corrida em portadores de tendinopatia crônica comparando o membro lesado com o membro sadio. 
Com o objetivo de avaliar se há diferença de comportamento, através do EMG, entre estas fases, JAEHO YU avaliou 18 corredores entre homens e mulheres com tendinopatia unilateral do tendão de aquiles durante exercícios concêntricos e excêntricos. 
De acordo com a tabela houve diferenças significativas entre o nível de ativação do reto femoral, tibial anterior e gastrocnêmio lateral (GL) comparando o lado afetado (AS) com o lado não afetado (NAS). Houve também diferença em todos os músculos avaliados comparando o exercício concêntrico com excêntrico, sendo que o exercício concêntrico mostra maiores níveis de ativação. O estudo também revelou que o gastrocnêmio medial (GM) teve nível de ativação maior no exercício excêntrico no lado afetado quando comparado com o lado normal.
O que este resultado significa?
O GM tem um maior nível de ativação com o objetivo provavelmente de compensar a pronação excessiva do lado lesado durante a fase excêntrica da corrida, já que estudos mostram que a pronação promove um desvio lateral da articulação subtalar. Para compensar este desvio o lado medial seria acionado com mais intensidade. É bom lembrar que este estudo não avaliou o grau de pronação, já que não foram avaliados durante a corrida.


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Força dos Abdutores e Rotadores Laterais na SDPF

Com o objetivo de testar a eficiência do fortalecimento dos abdutores e rotadores laterais do quadril em portadores da síndrome patelofemoral, TH NAKAGAWA et. al., publicou um ensaio clínico na revista Clinical Rehabilitation em junho de 2008. Foram recrutados 14 pacientes divididos em dois grupos. O grupo 1 realizou fortalecimento do quadríceps, abdutores e rotadores laterais do quadril, e o grupo 2 realizou somente fortalecimento do quadríceps. O protocolo de exercícios dos dois grupos foi feito em casa durante 6 semanas. A intensidade da dor, a força dos músculos e a eletromiografia (EMG) do glúteo médio, foram medidos antes e depois da intervenção. A diminuição da dor e da atividade eletromiográfica do glúteo foi maior no grupo 1 em relação ao grupo 2, já a força não mostrou diferença significativa.
Observando a tabela 1 podemos perceber que a melhora na dor foi não somente na dor usual mas também ao subir e descer escadas, no agachamento e quando muito tempo na posição sentada.
Qual o significado clínico deste resultado?
O fortalecimento dos abdutores e rotadores laterais do quadril em portadores da síndrome patelofemoral melhora o sintoma de dor durante as atividades funcionais e aumenta a atividade eletromiográfica do glúteo durante a contração isométrica. Por isso seria importante a inclusão deste trabalho nos pacientes com esta síndrome.
 Por que isto ocorre?
Alguns autores tem mostrado que estes músculos, quando apresentam fraqueza ou controle motor deficiente, a adução e a rotação medial durante as atividades dinâmicas é maior, o que acarreta uma maior movimentação da patela e consequentemente um aumento do stress na cartilagem desta articulação.
Segue abaixo um vídeo (em espanhol) que explica melhor esta relação:
Texto completo

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Tapping no Ombro

Artigo publicado  no Journal of Electromyography and Kinesiology avaliou o efeito do uso do taping na cinemática, na atividade muscular através do EMG e na força dos músculos da cintura escapular em sujeitos com síndrome do impacto. Estudos tem mostrado que a função alterada do trapézio inferior e o serrátil anterior influencia os movimentos da escápula o que causa um movimento alterado do ombro e consequentemente aumenta o risco de aparecimento de problemas crônicos nesta articulação.
17 atletas do basquetebol com síndrome do impacto foram recrutados para o estudo. Todos os sujeitos receberam dois tipos de intervenção: um taping placebo e um taping que estimulava os músculos trapézio e serrátil anterior. As intervenções foram randomizadas e separadas um do outro por três dias. A avaliação da cinemática escapular, o nível de ativação e a força dos músculos foram avaliados durante a elevação do braço. 
Segue abaixo a colocação do taping e o movimento do braço realizado durante a avaliação.

Os autores concluíram que o uso do Taping aumentou a atividade do trapézio inferior e o serrátil anterior durante o retorno da flexão do ombro entre 60º a 30º, o que sugere que o Taping pode ser utilizado no tratamento e prevenção de lesões crônicas do ombro.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Eficiência do Método Pilates

Uma metanálise publicada na Revista Brasileira de Fisioterapia, avaliou a eficácia do método pilates comparado com a intervenção mínima ou com outros tipos de exercícios em relação a dor e a incapacidade de pacientes com dor lombar crônica não específica. A intervenção mínima seria os cuidados primários como consultas médicas quando necessário.
De um total de 1545 artigos encontrados, foram selecionados 7 artigos para participar das análises. Segue os quadros dos estudos abaixo. O primeiro mostra os estudos e suas características e o segundo mostra os resultados obtidos em cada estudo.
Os autores concluíram que os exercícios do método Pilates são mais eficazes que intervenção mínima na melhora da dor e da incapacidade a curto prazo,. porém não foram mais eficazes que outros tipos de exercícios. Os autores alertam também que são necessários mais estudos com baixo risco de viés e amostras maiores.

É importante observar que os estudos apresentaram metodologias diversas no tocante aos tipos de exercícios propostos e principalmente a frequência de realização. O estudo de Rydeard et al. (2006), por exemplo, obteve melhoras na dor e na incapacidade com exercícios realizados 1 vez por semana e um programa de exercícios domiciliares, outros estudos que não obtiveram resultados, eram de frequência também semanal mas não tinham orientações domiciliares durante o restante da semana. Por isso talvez, a frequência maior seja fundamental para resultados melhores. Novos estudos comparando a frequência semanal na realização dos exercícios seriam extremamente relevantes. Acredito que os resultados seriam mais significativos tanto na dor quanto na incapacidade, quanto maior a frequência semanal da intervenção proposta.