terça-feira, 7 de julho de 2015

Core, Entorses e Distensões


Fatores de risco para algumas lesões tem sido documentado na literatura, porém as intervenções preventivas são pouco estudadas, talvez seja em função da complexidade das lesões e a relação destas com os fatores de risco.
Os fatores de risco podem ser divididos em intrínsecos (FI) e extrínsecos (FE). O intrínsecos tem relação com as características individuais enquanto os extrínsecos com o ambiente e os equipamentos utilizados na pratica esportiva. É interessante frisar que os FI podem potencializar o risco de uma lesão e também interferir na capacidade funcional do atleta após a recuperação desta mesma lesão. As lesões podem ocasionar inibições neurais que podem alterar o desempenho de forma sutil e persistente em atletas de alto nível, o que pode levar a um aumento da susceptibilidade à lesão, iniciando um ciclo vicioso e perigoso.
O Core pode ser definido como o complexo lombo-pélvico-quadril, que é composto pela coluna lombar, pelve, articulações do quadril e estruturas passivas e ativas que produzem ou restringem os movimentos destes segmentos, e sua estabilidade é definida como a habilidade de controlar a posição e o movimento do tronco sobre a pelve e membros, para permitir a produção, transferência e controle da força e mobilidade destes segmentos em atividades de cadeia cinética fechada. Os músculos paravertebrais, abdominais e glúteos são o foco em treino de estabilidade do Core, e existem evidências que a melhora na sua performance reduz o risco de lesões, por exemplo, estabilidade ruim do Core, pode resultar em disfunção  lombar.
Com objetivo de relacionar a performance e outras medidas com as entorses e distensões em membros inferiores em atletas de futebol, Wilkerson et al. (2012), publicaram um estudo na JAT. Para avaliar a performance do Core foram realizados 4 testes baseados no trabalho de McGill (1999), além de questionários que avaliaram a capacidade funcional da coluna lombar, quadril, joelhos e tornozelos; avaliaram também o IMC e a capacidade aeróbica. Estas medidas foram relacionadas com as lesões de membro inferior e calculados os riscos relativos e Odds Ratio.

Os autores observaram que quando comparava o grupo dos atletas lesados com os não lesados, as alterações significativas foram: no questionário que mede a capacidade funcional da lombar (Oswestry Disability Index) e num dos testes que avaliou o Core (Trunk-flexion Hold).

Observaram também, que diversas variáveis aumentavam o risco relativo de lesão quando presentes (Tabela 2), como o desempenho ruim em dois testes do Core, história prévia de lesões no joelho e no tornozelo, IMC maior que 32,7 kg/m2, etc.
E concluíram no final, que a presença de 3 ou mais fatores alterados podem aumentar o risco de uma lesão (Tabela 3), e que estes fatores podem ser avaliados e tratados como forma de prevenção às lesões em programas realizados por exemplo, numa pré-temporada. Os atletas susceptíveis podem ser identificados e um programa preventivo individualizado pode ser prescrito. Os resultados sugerem que o controle motor e a endurance do Core não pode ser negligenciado, principalmente em praticantes de futebol, sejam amadores ou profissionais.
FONTE: Prediction of Core and Lower Extremity Strains and Sprains in Collegiate Football Players: A Preliminary Study - JAT -Volume 47 N Number 3 N June 2012

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Lesões na Corrida 2


Nova revisão sistemática sobre lesões mais comuns entre corredores, foi publicada recentemente na Sports Medicine (Maio de 2015). O objetivo foi avaliar a incidência de lesões por cada 1000 horas de treino, em corredores profissionais e amadores, de longa e curta distância. Treze artigos foram avaliados entre o período de 1987 a 2014. 
Os autores concluíram que o parâmetro lesões/1000 horas é uma medida importante de comparação de risco de lesão entre os estudos e concluíram também  que os corredores iniciantes tem um risco significativamente maior de lesão (17,8%) que os demais tipos de corredores. Não existem trabalhos consistentes sobre a incidência em corredores de maratona e atletas profissionais. 

FONTE: Incidence of Running-Related Injuries Per 1000 h of running in Different Types of Runners: A Systematic Review and Meta-Analysis - SPORTS MEDICINE, May-2015

terça-feira, 30 de junho de 2015

Alongamento. Quais os benefícios?


CAMARA FM et al. (2015) na REVISTA BRASILEIRA DE CIÊNCIA E MOVIMENTO, fazem uma discussão interessante sobre o papel do alongamento na prevenção de lesões, na melhora do desempenho e na redução da dor muscular tardia.
Com relação à prevenção de lesões, os autores mostram uma série de artigos que não sustentam essa teoria. Inclusive no que diz respeito ao uso do alongamento nas sessões de atividade laboral, estudos mostram melhora na flexibilidade sem diminuição na taxa de lesões durante 6 meses de acompanhamento. Estes estudos mostram que uma atividade laboral multi-componente seria mais eficiente que somente sessões de alongamento. É importante ressaltar que as lesões são multi fatoriais, e envolve idade, massa corporal, histórico prévio de lesões, inexperiência com exercícios, desequilíbrio muscular, entre outros. A lesão é muita mais que diminuição de flexibilidade.
Analisando o uso do alongamento na redução da dor muscular tardia, os autores, mais uma vez, refutam esta teoria, chamando atenção para o fato de que a justificativa para esta redução não se apoia em argumentos lógicos, ou seja, por que o alongamento promoveria tal benefício? Com certeza não passa de senso comum, "todo mundo faz e fala, eu também faço e falo".
O último mandamento é a melhora no desempenho. Com relação a este benefício, as hipóteses que procuram justificar o uso do alongamento desta vez são coerentes. O alongamento diminuiria a rigidez muscular, que por sua vez geraria um menor gasto energético e em consequência, a força para gerar a contração iria aumentar, porém os efeitos, os autores mostram que no mínimo são controversos. Alguns estudos mostram esta melhora, enquanto outros não corroboram estes achados.
Enfim, os benefícios de um programa de alongamento precisam ser mais estudados para legitimar tais praticas. Por enquanto não há sustentação consistente para a defesa do uso do alongamento.
Vale a pena ler o texto completo (Clique aqui).

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Eficácia dos Exercícios na Síndrome Patelofemoral

A SPF é uma patologia comum em indivíduos fisicamente ativos, mas a etiologia e o tratamento ainda é um assunto controverso na literatura. A intervenção amplamente aceita é o exercício físico, porém quais exercícios são mais eficientes, não sabemos. Vários posts sobre o assunto já foram publicados, demonstrando a importância, relevância e ao mesmo tempo a confusão que ronda este assunto. Para completar a discussão e tentar jogar uma luz sobre o assunto, foi recentemente publicada mais uma metánalise na Physical Therapy de dezembro de 2014, que avaliou qual tipo de exercício seria mais eficiente no tratamento da SPF.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Muito interessante

Artroscopia e Osteoartrose

Estudo publicado na BMJ (Abril/2015), avaliou os benefícios e danos da artroscopia nos joelhos de pacientes portadores de gonartrose, seja por meio do debridamento, de uma meniscectomia ou ambos. Para isso foi feito uma revisão sistemática e uma metanálise de artigos indexados nas principais bases de dados. Para análise dos benefícios, foi calculado o tamanho do efeito, que avalia mais do que a significância estatística, a significância ou a importância pratica.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Síndrome Patelofemoral - Tratamento

Diversos protocolos tem sido propostos no tratamento da síndrome patelofemoral (SPF), incluindo o fortalecimento do quadríceps, bandagens, alongamento e biofeedback. Nenhuma intervenção tem se mostrado ser mais eficaz entre elas. Recentes estudos mostram uma associação entre pobre controle motor, principalmente de abdutores e rotadores externos do quadril, com a SPF. A diminuição da atividade excêntrica dos abdutores e rotadores permitiriam uma maior adução e rotação interna do membro durante atividades de descarga de peso, o que causaria maior estresse na articulação patelo-femoral (LEETUN, 2003).

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Alterações no pé e Alterações Posturais

As principais alterações posturais, hiperlordose, hipercifose, retificação e escoliose, são apontadas como causadoras de dor lombar decorrentes de sobrecargas assimétricas e contínuas, levando a uma lesão por estresse excessivo. A interdependência dos membros inferiores com o tronco pode ser a causa destas alterações, ou seja, uma alteração no membro inferior pode gerar alterações na coluna vertebral e vice-versa.  
Segundo Bricot, no seu livro "Posturologia", as alterações no pé podem ser responsáveis por desequilíbrios posturais ou se adaptar às alterações posturais presentes. O autor quer dizer com isso, que os pés podem causar as alterações ou sofrer com elas, reforçando a ideia dita anteriormente sobre a interdependência. Os pacientes com pés planos podem apresentar alterações posturais como o calcâneo valgo, rotação interna dos eixos tibiais e femorais, geno valgo, anteversão dos ilíacos, hipercifose torácica, hiperlordose cervical e aumento da lordose lombar. O pé cavo por sua vez pode gerar alterações como o tálus varo, rotação externa tibial e femoral, genu varo e/ou recurvatum, pressão anterior sobre o acetábulo, retroversão do ilíaco, verticalização do sacro, diminuição da lordose e dorso plano.

Na análise das evidências científicas, a opinião de especialistas é a que representa a menor força. Os estudos experimentais ou observacionais devem ser utilizados como referência para testar as teorias destes renomados profissionais e com isso comprovar suas observações. Não necessariamente suas opiniões são verdadeiras e por isso devemos ser cautelosos na aplicação clínica destas opiniões. Não quero dizer com isso que não devem ser levadas em consideração, pois suas observações são decorrentes de anos de experiência profissional, mas na pratica clínica baseada em evidências, é preciso cautela.

Borges et al. (2013) avaliaram, através da análise de correlação, a angulação da lordose lombar com a curvatura dos pés em mulheres com dor lombar. Fizeram parte do estudo 18 mulheres com idade entre 20 e 40 anos, que foram avaliadas por meio da biofotogrametria (avaliação da postura) e da fotopodoscopia (avaliação dos arcos dos pés).
Para análise estatística foi realizado uma correlação de Pearson, por tratar-se de dados com uma distribuição normal. O resultado foi uma correlação negativa entre o arco plantar e a angulação da coluna (r=-0,71 e p=0,0048),
Quanto maior os ângulos da lombar avaliados, mais retificada a coluna, e quanto menores as impressões plantares, mais cavo era o pé. Então segundo o resultado, houve uma correlação significativa entre aumento na curvatura lombar e pé plano e entre retificação e pé cavo em mulheres com queixa de dor lombar. Confirmando o que foi dito por Bricot no seu livro.
Os autores também avaliaram a dor por meio da escala visual analógica (EVA), e encontraram que nos sujeitos com pé cavo e retificação lombar a dor era mais intensa em relação aos demais.

Estes achados reforçam a necessidade de avaliar os pés, que são a base de sustentação, em pacientes com alterações posturais. Diversos procedimentos são descritos no tratamento das alterações dos pés, entre eles destacam as bandagens, o fortalecimento e alongamento dos músculos e tecidos que sustentam o arco longitudinal e o uso de palmilhas. Estas devem ser prescritas de maneira individual mediante uma avaliação criteriosa, repeitando as alterações que são características do indivíduo avaliado. É importante dizer que ainda não há consenso na literatura sobre a eficácia destes tratamentos, principalmente as palmilhas, mas este assunto ficará para um próximo post. 

Fonte: CORRELAÇÃO ENTRE ALTERAÇÕES LOMBARES E MODIFICAÇÕES NO ARCO PLANTAR EM MULHERES COM DOR LOMBAR - Acta Ortop Bras. 2013;21(3):135-8.


terça-feira, 16 de junho de 2015

Uso do Laser nas Tendinopatias - Revisão Sistemática

As tendinopatias respondem por mais de 30% das lesões musculoesqueléticas (Fu SC, 2010). A Fisioterapia tem uma participação importante na prevenção e no tratamento destas lesões, e consiste em programas de melhora da flexibilidade e força, além do uso de recursos anti-inflamatórios, como o ultrassom, a eletroterapia e o laser de baixa potência. 
O laser é uma onda eletromagnética (luz) monocromática, coerente e com pequeno comprimento de onda que promove na região aplicada, uma melhora na microcirculação, um aumento na proliferação de fibroblastos, de ATP e na síntese proteica, alterações extremamente importantes na resolução e cicatrização de tecidos biológicos lesados. Por isso o laser é amplamente utilizado, em associação com a cinesioterapia (alongamento e fortalecimento), nas tendinopatias.
Foi publicada na Revista Acta Ortop Bras. (2015;23(1):47-9) uma revisão sistemática, que objetivou a avaliação da eficiência do laser neste tipo de patologia, para isso foram pesquisados as principais bases de dados na área e somente 3 artigos foram selecionados de acordo com os critérios de inclusão do estudo. O tamanho da amostra dos estudos totalizou 79 participantes.

Tabela 1 - Síntese dos estudos analisados:

Tabela 2 - Parâmetros utilizados

Os autores concluíram após a análise dos estudos selecionados, que houve uma melhora significativa na dor, avaliada por meio de escala visual analógica, também na amplitude de movimento e na função. Apesar dos resultados favoráveis, é preciso cautela na aplicação clínica em função da amostra de alguns estudos ser muito pequena, o que contribui para diminuição do nível de confiança do estudo, e o número reduzido de estudos selecionados.

"Ao realizar a análise dos estudos publicados na literatura dentro da nossa área de atuação, percebo um grande número de estudos qualidade metodológica discutível, por isso, cuidado ao utilizar estas referências na sua pratica clínica. Melhorar a qualidade dos estudos e a qualidade de nossas análises é fundamental para aumentar a nossa segurança e desenvolver a nossa profissão".

Fonte:
THE EFFECTS OF LASER TREATMENT IN TENDINOPATHY: A SYSTEMATIC REVIEW; 
Acta Ortop Bras. 2015;23(1):47-9

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Síndrome da Banda Iliotibial

A síndrome da Banda Iliotibial é uma lesão por esforço repetitivo que gera dor na face lateral do joelho, sendo bastante comum em corredores. Dor à palpação no epicôndilo lateral do fêmur, é um dos principais sinais da síndrome, inclusive este sinal é usado como teste na avaliação.
A banda iliotibial (BIT) é uma estrutura fascial composta por tecido conjuntivo que serve de inserção para o tensor da fáscia lata (TFL) e para o glúteo máximo (GM). Origina-se na crista ilíaca e se insere na patela externa, no retináculo patelar externo e no tubérculo de Gerdy (tíbia externa). Pode ser considerado um importante estabilizador lateral do joelho, essencial para a manutenção da postura ortostática.
Acredita-se que ocorra na BIT um deslizamento anterior e posterior durante a extensão e flexão do joelho respectivamente, o que acarretaria uma fricção e compressão de diversas estrutura nesta região com o epicôndilo. Além da fricção da BIT com o epicôndilo do fêmur, outra fonte que explica a síndrome é no tuberculo de Gerdy na tíbia. Durante a fase de contato da marcha, o membro apoiado realiza uma flexão associado como uma pequena rotação interna da tíbia, o que causa uma tensão nesta estrutura de forma repetitiva na caminhada e principalmente na corrida. Isto levaria a uma inflamação e dor na região, referida como "zona de impacto".
Fatores intrínsecos e extrínsecos poderiam explicar esta síndrome. Os fatores intrínsecos são adução e a rotação interna exageradas do membro inferior ao correr, fraqueza dos abdutores e rotadores externos do quadril que não controlam os movimentos exagerados citados anteriormente; o desequilíbrio muscular em volta do quadril; a diminuição da flexibilidade; a pronação excessiva durante a caminha ou a corrida e as alterações no alinhamento frontal do joelho (varo ou valgo) ou desalinhamento da pelve decorrente da discrepância no tamanho dos membros maior que 0,5 cm. 

Os fatores extrínsecos estão relacionados com o método de treino, com o calçado utilizado durante a corrida e o terreno aonde se realiza a pratica. Aumento exagerado das distâncias semanais e corrida em ladeira são os erros de treinamento mais comuns. 
Na avaliação fisioterápica é importante perguntar sobre os hábitos específicos de treinamento e que posições a dor aparece. Deve avaliar força dos músculos abdominais e do todo o grupamento dos membros inferiores, além de avaliar a flexibilidade. O teste de Ober e o teste de Noble devem ser utilizados. O teste de Ober avalia o comprimento da BIT e o teste de Noble pode reproduzir a dor através da compressão na zona de impacto, a presença de dor caracteriza um teste positivo.
Teste funcional, como mostrado abaixo, avalia a força e o controle motor dos músculos que limitam os movimentos exagerados de adução e rotação lateral da perna que podem estar presentes nos portadores da síndrome, inclusive estes mesmos testes, podem ser utilizados como forma de tratamento, melhorando a ativação muscular durante as atividades de descarga de peso.
TRATAMENTO (Fredericson and Wolf, 2005)
Fase Aguda:
  • Reduzir a inflamação na BIT => Controle dos fatores extrínsecos, repouso, uso de recursos fisioterapêuticos e medicamentos para controle do processo inflamatório.
Fase Subaguda:
  • Trabalhar flexibilidade e iniciar programa de fortalecimento;
  • Mobilização dos tecidos conjuntivos para diminuir as aderências.





Fase de Recuperação:
  • Fortalecimento muscular:


Fonte:
Iliotibial Band Syndrome: Soft Tissue and Biomechanical Factors in Evaluation and Treatment; The American Academy of Physical Medicine and Rehabilitation; Vol 3; June 2011.



sexta-feira, 12 de junho de 2015

Tendinopatia Patelar e Obesidade

Há relação do aparecimento da tendinopatia patelar com o excesso de peso? a obesidade pode ser considerada fator de risco para o desenvolvimento de tendinites no tendão patelar, fonte de dor anterior do joelho?
É justamente estas perguntas que o artigo que discutiremos quer mostrar. O objetivo é avaliar, através da RNM, a prevalência de tendinopatia patelar em indivíduos assintomáticos e relacionar com o excesso de peso. 

Por que avaliar indivíduos assintomáticos? Para evitar a conclusão que a tendinopatia e a com isso a diminuição funcional é que causaram a obesidade e não a obesidade que causou a patologia. A escolha deste grupo de sujeitos evitaria esta associação.

A patologia já é relatada na literatura como comum em jovens atletas de elite ou não, que praticam esportes de alto impacto e alta demanda para força do tendão patelar, como vôlei e futebol. A prevalência pode chegar a 41% destes atletas, o que representa um número significativo. Já na população de não atletas com idade mais avançada, até então não haviam dados consistentes sobre a prevalência, este estudo mostrou que esta fica em torno de 28% da população estudada, o que também não deixa de ser significativo.
Os resultados do estudo também mostraram uma associação importante entre a tendinopatia, diagnosticada por meio da RNM, e o excesso de peso atual, e também com o histórico de obesidade, ou seja, sujeitos que eram obesos de longa data. Como os sujeitos avaliados não apresentavam alterações clínicas nos joelhos avaliados, pode-se concluir que a obesidade que foi a causadora da alteração e não a limitação das atividades decorrentes da dor que causou a obesidade. O estudo não mostrou relação da tendinopatia com a composição corporal (massa gorda e massa livre de gordura). Achado que corrobora com estudos realizados com atletas de basquetebol feminino. Esta ausência de associação com a composição corporal e a presença de associação com o excesso de peso, sugerem um efeito mecânico do peso sobre a integridade do tendão, o que também confirma os achados encontrados nos atletas, que são submetidos a altas cargas mecânicas, decorrentes das forças geradas durante a pratica esportiva.
Mesmo diante de um número considerável de sujeitos (n=279), estes resultados precisam ser confirmados por estudos longitudinais, com objetivo de identificar outros possíveis fatores causadores da tendinopatia.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Fraturas Proximais do Fêmur: Protocolos Fisioterapêuticos

As fraturas proximais do fêmur são comuns nos idosos, e são consideradas a principal causa de deficiência, comprometimento funcional e morte neste grupo (Kannus P, 2000). A Fisioterapia é um importante componente na prevenção destas alterações e na reabilitação dos idosos após o procedimento cirúrgico, porém, não há ainda um consenso na literatura sobre o protocolo mais eficiente, qual seria a melhor intervenção e qual o tipo e intensidade adequados dos exercícios propostos.
Carneiro MB e et. al. (2013) publicaram uma revisão sistemática sobre os protocolos fisioterapêuticos pós fratura de fêmur em idosos e concluíram que realmente não há um tratamento específico e detalhado que mostrasse mais eficiência. Os exercícios de fortalecimento seriam mais eficientes na melhora da funcionalidade destes pacientes, e a fisioterapia realmente acelera a recuperação dos idosos e a melhora na qualidade de vida, mas não garante o retorno às condições funcionais apresentadas antes da fratura.

Moseley AM et al. (2009) realizou um ensaio clínico randomizado em que o objetivo era testar a eficiência de dois protocolos de exercícios de intensidades diferentes. Os sujeitos foram divididos em dois grupos, o primeiro grupo realizou exercícios de intensidade alta e descarga de peso precoce (G1), e o segundo grupo realizou exercícios de intensidade baixa e descarga de peso limitada (G2). Os autores concluíram que os sujeitos do grupo G1 não apresentaram resultados melhores na avaliação de mobilidade, equilíbrio, AVDs e qualidade de vida quando comparados com o outro grupo, após 4 e 16 semanas de intervenção. Os autores alegam que os exercícios que foram classificados em alta intensidade, não foram altos o suficiente para diferenciar dos exercícios de baixa intensidade e com isso promover alterações mais significativas.

Este é um problema recorrente nestes tipos de estudos, há uma tendência a negligenciar a avaliação dos sujeitos quanto a capacidade de se submeter a exercícios de intensidades maiores, principalmente em indivíduos idosos. O que os autores chamam de ALTA INTENSIDADE não é avaliado de forma individual, e o que pode ser alto para um sujeito, não necessariamente será alto para os outros sujeitos envolvidos na pesquisa. É comum na pratica clínica indicar, principalmente pelos médicos, exercícios de baixa intensidade para idosos, a clássica orientação "fazer hidroginástica", subestimando a sua capacidade e aumentando a possibilidade de deficiências funcionais após a cirurgia.
Farei em breve um curso online sobre prescrição de exercícios para idosos. Não deixem de conferir.

Efeito do Alongamento na Flexibilidade dos Isquiotibiais

O objetivo do estudo foi investigar na literatura, através de uma revisão sistemática, qual a melhor posição, técnica e duração do alongamento que melhora a flexibilidade dos isquiotibiais (ITB) na população assintomática. 

Efeitos da Posição: (Em pé, sentado ou Decúbito Dorsal)
Segundo os estudos revisados, todas as posições pesquisadas mostraram melhoras na flexibilidade quando comparadas com o grupo controle, sem diferenças entre as posições.

Efeitos da Técnica:
As técnicas avaliadas foram: os alongamentos estáticos e PNF. De acordo com a tabela mostrada abaixo, as técnicas que utilizaram o alongamento estático, quando comparado com a PNF, obtiveram melhores resultados, porém sem diferenças significativas. Todas as técnicas mostraram melhora na flexibilidade quado comparados com o grupo controle. Somente 4 dos 28 artigos avaliados na revisão, compararam a eficiência de diferentes técnicas na melhora da flexibilidade.

Efeitos da Duração:
Parece que o tempo de 30 segundos é o ideal, não havendo diferenças quando comparados com tempos superiores a este. Os estudos também mostraram que tempos menores com mais repetições obtiveram resultados similares. Alguns autores sugerem que o tempo total de alongamento seja mais relevante que o tempo de cada repetição. O tempo de intervenção também mostrou diferenças, ou seja, estudos que tiveram um tempo de acompanhamento maior, obtiveram resultados melhores quando comparados com apenas uma intervenção. Na tabela abaixo são mostrados os estudos com os protocolos avaliados.

É importante salientar, que os autores chamam a atenção, para a fraca metodologia dos estudos avaliados, e colocam como limitações, o tipo de público avaliado (sujeitos assintomáticos) e a impossibilidade de realizar uma metanálise dos resultados, o que também impossibilita a generalização.
 Este estudo demonstra como fato relevante, que independente da técnica, da posição e da duração do alongamento, os sujeitos apresentarão melhoras na flexibilidade quando comparados com o grupo controle, que são os indivíduos que não fizeram nenhum tipo de intervenção.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Reabilitação do Equilíbrio Muscular na Escápula. Que Exercício Prescrever?

Há uma correlação mostrada na literatura entre as disfunções no ombro com as anormalidades na posição e alterações nos movimentos da escápula. Alguns autores creditam o problema mais no déficit de força, enquanto outros atribuem mais a uma alteração no padrão de recrutamento destes músculos. Como exemplo podemos citar o excesso de ativação do trapézio superior combinado com a diminuição no controle do trapézio inferior e o serrátil anterior. Protocolos de tratamento das disfunções de ombro enfatizam a importância de treinar os músculos escapulares, restaurando o controle motor e o equilíbrio destes músculos durante o processo de reabilitação. Ativação seletiva de músculos fracos e a inibição de músculos hiperativos fazem parte destes protocolos.
Porém a pergunta que se faz é:
QUAL OU QUAIS EXERCÍCIOS ATIVAM SELETIVAMENTE ESTES MÚSCULOS?
COOLS et al. (2007) realizaram um estudo, publicado na American Journal of Sports Medicine, onde foram selecionados 12 diferentes exercícios utilizados na reabilitação dos músculos escapulares e através da EMG avaliaram quais destes seriam mais apropriados para otimizar o equilíbrio muscular.
Os exercícios selecionados que ativaram seletivamente a porção média e inferior do trapézio, e promoveram mínima ativação da porção superior, foram os mostrados abaixo:
1)- Abdução horizontal com rotação externa em prono;
2)- Flexão em decúbito lateral;
3)- Rotação externa em decúbito lateral com apoio entre o braço e o tórax;
4)- Extensão em prono.
Fonte:

Rehabilitation of scapular muscle balance: which exercises to prescribe?

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Fascite Plantar

Fáscia plantar é uma fáscia que reveste a face plantar do pé e serve como um absorvedor de choque. O processo inflamatório desta estrutura é conhecido como fascite plantar e é considerado a causa mais comum de dor no calcanhar. Sua etiologia ainda é nebulosa, é frequentemente diagnosticada em indivíduos ativos, mas também acomete sujeitos com estilo de vida sedentário. RIDLE (2003) et al observaram que o risco de desenvolver fascite plantar estava diretamente relacionado com diminuição na ADM de dorsiflexão do tornozelo, com o passar muito tempo na postura em pé e ter um IMC > 30kg/m2, sendo a diminuição na dorsiflexão o fator de risco mais importante.
A literatura tem mostrado que o alongamento do tríceps sural e da própria fáscia plantar proporciona alívio da dor em curto e longo prazo. DIGIOVANNI et al (2006) testaram a utilização de alongamento da fáscia plantar comparando com o alongamento do tríceps sural, e observaram uma melhora mais significativa no grupo que realizou somente o alongamento da fáscia (foto abaixo), tanto a curto prazo, após oito semanas, quanto a longo prazo, após dois anos.
Para realizar o alongamento os sujeitos foram orientados a cruzar a perna afetada na posição sentada, aplicavam uma tensão nas articulações metatarsofalangeanas até sentir um estiramento na sola do pé, que era mantido durante 10 segundos e repetido 10 vezes, 3 vezes ao dia. A avaliação foi feita por meio do Foot Function Index, que mostrou melhora significativa quando comparado com o grupo que realizou somente alongamento do tendão do tríceps sural.

Segundo os autores do estudo, os paciente com fascite plantar crônica, este alongamento seria um importante componente do tratamento, trazendo melhoras significativas.
Texto completo

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Testes para Corredores

A corrida tem se tornado um esporte comum, no entanto pode causar diversas lesões, principalmente de membros inferiores. Conhecer os fatores de risco para as lesões, pode ser uma estratégia importante na prevenção. Dentre os diversos fatores citados, a hiperpronação do pé, a limitação na dorsiflexão e o grau de mobilidade na primeira articulação metatarsofalangeana, são alguns dos fatores importantes citados e que possuem testes validados na literatura, que medem a extensão destas alterações. 

São eles:
  • Navicular Drop test (NDT): Mede a hiperpronação (VÍDEO);
  • Ankle Joint Dorsiflexion test (AJD-test): Mede a ADM da articulação do tornozelo (VÍDEO 2);
  • Extension First Metatarsophalangeal Joint test (MTP1-test): Mede o grau de mobilidade do hálux (VÍDEO 3).

Com o objetivo de avaliar a confiabilidade intra e inter avaliadores destes testes, foi publicado recentemente na BMC Musculoskeletal Disorders, um estudo com 46 corredores recreacionais. Os autores concluíram que o AJD-test teve uma boa confiabilidade, o NDT teve uma moderada e o MTP1 obteve uma baixa confiabilidade. Porém os autores concluíram que há necessidade de avaliar novamente os procedimentos em um estudo de maiores proporções.
A confiabilidade destes testes podem ser moderadas para a pesquisa, mas podem ser utilizados na pratica clínica, basta que o avaliador utilize de procedimentos padronizados e que siga em todas as medidas realizadas este mesmo procedimento.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Como Ativar Glúteo Médio?

Alterações na força dos músculos do quadril tem sido associado com diversas patologias musculo-esqueléticas, como a dor patelofemoral, síndrome da banda iliotibial, lesão do ligamento cruzado anterior, dor lombar e patologias do quadril. Diversos estudos tem demonstrado a relação da fraqueza dos abdutores e rotadores externos do quadril com o aumento na rotação interna e adução do membro inferior em portadores da síndrome patelo-femoral em tarefas dinâmicas como subir e descer escadas, agachamento e salto. Este aumento nestes movimentos provocaria um aumento no stress da patela com o fêmur, aumentando o desgaste e consequentemente agravando o quadro álgico. Baseado neste achados, os protocolos de tratamento mais recente tem incluído o fortalecimento deste grupamento muscular no tratamento destas diversas patologias citadas anteriormente.
É conhecido também, que o Glúteo Médio (GMED) e a porção superior do glúteo máximo são abdutores do quadril inclusive durante a marcha, porém a dúvida é:
Quais exercícios que ativariam predominantemente estes músculos?
Artigo publicado na JOSPT realizou um estudo através da eletromiografia, para avaliar quais exercícios desempenhariam esta função. Vinte sujeitos foram recrutados e os sinais de EMG dos músculos GMED , GMAX e tensor da fáscia lata (TFL) foram analisados durante 11 exercícios diferentes. A utilização da TFL neste estudo teve como justificativa o fato de que estes músculos são também abdutores do quadril, mas rotadores internos. Então não seria producente que o TFL fosse ativado durante os exercícios, pois o objetivo é evitar esta rotação interna promovida por este músculo. 
Dos 11 exercícios analisados os autores concluíram que somente 6 exercícios são indicados para este objetivo. Segue abaixo a ilustração deste exercícios. Lembre-se que uma boa avaliação e uma prescrição adequada, trará os benefícios que o terapeuta busca.
Os autores concluem o estudo dizendo que se o objetivo dos exercícios são ativar preferencialmente o GMED e GMAX, enquanto minimiza a ativação do TFL, estes exercícios parecem ser os mais indicados. Há necessidade de certa precaução diante dos resultados, pois a amostra foi toda de sujeitos saudáveis e resultados conflitantes podem ser encontrados em sujeitos com alguma desordem musculoesquelética.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Tendinopatia do Tendão de Aquiles

A tendinopatia do tendão de aquiles é uma condição comum em corredores. Cerca de 6 a 18% dos atletas são acometidos por esta patologia. É caracterizada por uma lesão crônica (overuse) e tem relação com o nível de condicionamento e com o nível de treinamento. 80% das lesões na corrida estão relacionadas com erros no treinamento, ou seja, calçados inadequados, superfícies de treinamento, intensidade e frequência do treino.
Exercícios excêntricos tem sido usados na prática clínica para o tratamento destas lesões, já que estudos tem mostrado comportamento diferente entre as fases concêntricas e excêntricas da corrida em portadores de tendinopatia crônica comparando o membro lesado com o membro sadio. 
Com o objetivo de avaliar se há diferença de comportamento, através do EMG, entre estas fases, JAEHO YU avaliou 18 corredores entre homens e mulheres com tendinopatia unilateral do tendão de aquiles durante exercícios concêntricos e excêntricos. 
De acordo com a tabela houve diferenças significativas entre o nível de ativação do reto femoral, tibial anterior e gastrocnêmio lateral (GL) comparando o lado afetado (AS) com o lado não afetado (NAS). Houve também diferença em todos os músculos avaliados comparando o exercício concêntrico com excêntrico, sendo que o exercício concêntrico mostra maiores níveis de ativação. O estudo também revelou que o gastrocnêmio medial (GM) teve nível de ativação maior no exercício excêntrico no lado afetado quando comparado com o lado normal.
O que este resultado significa?
O GM tem um maior nível de ativação com o objetivo provavelmente de compensar a pronação excessiva do lado lesado durante a fase excêntrica da corrida, já que estudos mostram que a pronação promove um desvio lateral da articulação subtalar. Para compensar este desvio o lado medial seria acionado com mais intensidade. É bom lembrar que este estudo não avaliou o grau de pronação, já que não foram avaliados durante a corrida.


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Força dos Abdutores e Rotadores Laterais na SDPF

Com o objetivo de testar a eficiência do fortalecimento dos abdutores e rotadores laterais do quadril em portadores da síndrome patelofemoral, TH NAKAGAWA et. al., publicou um ensaio clínico na revista Clinical Rehabilitation em junho de 2008. Foram recrutados 14 pacientes divididos em dois grupos. O grupo 1 realizou fortalecimento do quadríceps, abdutores e rotadores laterais do quadril, e o grupo 2 realizou somente fortalecimento do quadríceps. O protocolo de exercícios dos dois grupos foi feito em casa durante 6 semanas. A intensidade da dor, a força dos músculos e a eletromiografia (EMG) do glúteo médio, foram medidos antes e depois da intervenção. A diminuição da dor e da atividade eletromiográfica do glúteo foi maior no grupo 1 em relação ao grupo 2, já a força não mostrou diferença significativa.
Observando a tabela 1 podemos perceber que a melhora na dor foi não somente na dor usual mas também ao subir e descer escadas, no agachamento e quando muito tempo na posição sentada.
Qual o significado clínico deste resultado?
O fortalecimento dos abdutores e rotadores laterais do quadril em portadores da síndrome patelofemoral melhora o sintoma de dor durante as atividades funcionais e aumenta a atividade eletromiográfica do glúteo durante a contração isométrica. Por isso seria importante a inclusão deste trabalho nos pacientes com esta síndrome.
 Por que isto ocorre?
Alguns autores tem mostrado que estes músculos, quando apresentam fraqueza ou controle motor deficiente, a adução e a rotação medial durante as atividades dinâmicas é maior, o que acarreta uma maior movimentação da patela e consequentemente um aumento do stress na cartilagem desta articulação.
Segue abaixo um vídeo (em espanhol) que explica melhor esta relação:
Texto completo

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Tapping no Ombro

Artigo publicado  no Journal of Electromyography and Kinesiology avaliou o efeito do uso do taping na cinemática, na atividade muscular através do EMG e na força dos músculos da cintura escapular em sujeitos com síndrome do impacto. Estudos tem mostrado que a função alterada do trapézio inferior e o serrátil anterior influencia os movimentos da escápula o que causa um movimento alterado do ombro e consequentemente aumenta o risco de aparecimento de problemas crônicos nesta articulação.
17 atletas do basquetebol com síndrome do impacto foram recrutados para o estudo. Todos os sujeitos receberam dois tipos de intervenção: um taping placebo e um taping que estimulava os músculos trapézio e serrátil anterior. As intervenções foram randomizadas e separadas um do outro por três dias. A avaliação da cinemática escapular, o nível de ativação e a força dos músculos foram avaliados durante a elevação do braço. 
Segue abaixo a colocação do taping e o movimento do braço realizado durante a avaliação.

Os autores concluíram que o uso do Taping aumentou a atividade do trapézio inferior e o serrátil anterior durante o retorno da flexão do ombro entre 60º a 30º, o que sugere que o Taping pode ser utilizado no tratamento e prevenção de lesões crônicas do ombro.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Eficiência do Método Pilates

Uma metanálise publicada na Revista Brasileira de Fisioterapia, avaliou a eficácia do método pilates comparado com a intervenção mínima ou com outros tipos de exercícios em relação a dor e a incapacidade de pacientes com dor lombar crônica não específica. A intervenção mínima seria os cuidados primários como consultas médicas quando necessário.
De um total de 1545 artigos encontrados, foram selecionados 7 artigos para participar das análises. Segue os quadros dos estudos abaixo. O primeiro mostra os estudos e suas características e o segundo mostra os resultados obtidos em cada estudo.
Os autores concluíram que os exercícios do método Pilates são mais eficazes que intervenção mínima na melhora da dor e da incapacidade a curto prazo,. porém não foram mais eficazes que outros tipos de exercícios. Os autores alertam também que são necessários mais estudos com baixo risco de viés e amostras maiores.

É importante observar que os estudos apresentaram metodologias diversas no tocante aos tipos de exercícios propostos e principalmente a frequência de realização. O estudo de Rydeard et al. (2006), por exemplo, obteve melhoras na dor e na incapacidade com exercícios realizados 1 vez por semana e um programa de exercícios domiciliares, outros estudos que não obtiveram resultados, eram de frequência também semanal mas não tinham orientações domiciliares durante o restante da semana. Por isso talvez, a frequência maior seja fundamental para resultados melhores. Novos estudos comparando a frequência semanal na realização dos exercícios seriam extremamente relevantes. Acredito que os resultados seriam mais significativos tanto na dor quanto na incapacidade, quanto maior a frequência semanal da intervenção proposta.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Fratura de Escafóide

A fratura de escafóide é a mais frequente que acomete os ossos do carpo. Faz parte da fileira proximal dos ossos carpais juntamente com o semilunar e piramidal. Uma segunda fileira de ossos, a fileira distal, é composta pelos ossos trapézio, trapezóide, capitato e hamato. A articulação entre estas duas fileiras é a articulação mediocarpal. A flexão do punho começa nesta articulação sendo responsável por 60% do arco  de flexão, onde o movimento do escafóide e do semilunar com o rádio é responsável por 40% deste total. Todos estes ossos se movimentam através do deslizamento. A extensão do punho também se inicia na articulação mediocarpal com participação também importante do osso escafóide.
O mecanismo causador da fratura está relacionado com as quedas sobre a mão com o braço estendido e o punho em hiperextensão.
Não é fácil fazer o diagnóstico pois a fratura inicialmente não é muito visível, podendo ser confundidas com torções do punho. Após duas semanas, as fraturas serão facilmente visualizadas devido à absorção óssea no foco fraturário. Fraturas que não consolidam até o terceiro mês podem ser consideradas uma pseudoartrose. Além da pseudoartrose, a necrose do polo proximal e a presença do polo proximal pequeno, são as principais complicações.
Diante da suspeita de fratura do escafóide, o correto é imobilizar até que novos exames confirmem ou excluam a fratura. Fratura sem desvio, a imobilização é de mínimo 40 dias, com desvio ou luxação o procedimento é cirúrgico, com redução imediata e fixação com parafusos e fios de Kirschner.
O tratamento fisioterapêutico inicialmente visa a redução do edema e da dor. O arsenal para isto é vasto. O importante é uma boa avaliação de ADM e força musculares, além de um bom entendimento da cinesiologia do punho e da importância do escafóide neste movimentos. A opção por um tratamento conservador pode levar a um desalinhamento articular importante o que impossibilita a recuperação total. 
É fundamental que o Fisioterapeuta, através de exames radiográficos, acompanhem a evolução e evitem a pseudoartrose, que gera complicações importantes para o sucesso do tratamento. Suspeitem de situações onde o paciente não responde satisfatoriamente ao tratamento, relatando dor constante ou que aumenta com os movimentos do punho e edema persistente.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

QFrature é um programa online que calcula o risco de desenvolver uma fratura decorrente da osteoporose em punho, quadril, coluna e ombro, e também o risco de fratura de fêmur. Fácil de utilizar e entender os resultados. Bem interessante.
FISIOTERAPEUTAS: PREVINAM DOENÇAS E PROMOVAM A SAÚDE
http://www.qfracture.org/index.php

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Exercícios para o Ombro

Os exercícios para os estabilizadores da cintura escapular associado ao alongamento, diminuem a dor e melhoram a função em ombros lesionados. É o que a revisão sistemática publicada na FISIOTERAPIA EM MOVIMENTO concluiu. Porém em função das limitações metodológicas dos estudos selecionados, os autores recomendam cautela e enfatizam a necessidade de novos ensaios clínicos randomizados de melhor qualidade. Segue abaixo o quadro com os estudos avaliados. (Texto Completo)
 CUIDADO: Na introdução do artigo os autores denominam de estabilizadores escapulares o manguito rotador e os trapézios inferior e médio, porém vale lembrar que o Serrátil Anterior, o Rombóide e o trapézio superior são também fundamentais. Eles são responsáveis na coordenação dos movimentos da escápula durante os movimentos do úmero na cavidade glenóide. Uma disfunção na coordenação destes movimentos, causam lesões crônicas em diversas estruturas do ombro. 
Observe no vídeo os movimentos coordenados do úmero e escápula.



quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Tendinopatia de Aquiles

A tendinopatia de Aquiles é uma patologia comum em corredores, que pode ser causada por erros no treinamento, técnica de corrida, tênis e terreno inadequado, além de fatores intrínsecos, relacionados ao indivíduo, como disfunção no tríceps sural, idade, excesso de peso, fraqueza muscular, desalinhamento do membro inferior, pé cavus e excesso de pronação. 
Azevedo LB (2009) et al. publicaram um estudo que tinha como objetivo investigar a cinética, a cinemática e a atividade muscular em corredores portadores de tendinopatia de Aquiles. O estudo apresentou como resultados; variáveis cinéticas similares entre o grupo lesado e não lesado, diminuição da amplitude de flexão do joelho entre as fases de apoio do calcanhar e médio apoio no grupo lesionado (p=0.011), diminuição da atividade muscular, avaliada via eletromiografia, do tibial anterior, reto femoral e glúteo médio no grupo com lesão. A atividade muscular diminuída pode acarretar uma ineficiência da ação dos músculos em absorver choque após o apoio do pé, aumentando a possibilidade de lesões. Estima-se que o tendão de aquiles suporta uma carga seis vezes maior que o peso corporal durante a corrida, e se há perda nos mecanismos de absorção e atenuação destas forças, a estrutura seria comprometida causando a patologia. Não é possível saber se as alterações são respostas adaptativas ou causadoras das lesões, mas os autores especulam que pela diminuição dos mecanismos de absorção do impacto pela ação muscular, os corredores lesionados estariam sujeitos a forças de impacto maiores, o que explicaria as lesões. Eles também propõem como medida preventiva e reabilitadora, os exercícios ou outros mecanismos (tênis adequado) que estimulem a atividade muscular do tibial anterior, reto femoral e glúteo médio.

FONTE: Biomechanical variables associated with Achilles tendinopathy in runners, 2009


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Crioterapia e LCA

Na reabilitação pós-operatória de reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA), os protocolos acelerados, que estimulam precocemente a descarga de peso e os exercícios de força e propriocepção, são mais efetivos (van Grinsven, 2010), pois aceleram a recuperação e o retorno as atividades esportivas. Porém, o edema e a dor, são dois fatores que interferem no sucesso da intervenção. Diversos estudos tem demonstrado a eficácia da crioterapia na diminuição da dor e do edema (Airaksinen,2003 - Airaksinen,2007 - Martin,2001). Como o objetivo de testar a efetividade da crioterapia na melhora da dor e ADM do joelho em indivíduos adultos submetidos à cirurgia de reconstrução do LCA, Dambros et. al. publicaram um estudo clínico randomizado na revista Acta Ortopedica Brasileira, onde selecionaram 19 indivíduos e dividiram em dois grupos, grupo intervenção (n=10) e grupo controle (n=9). Os grupos foram submetidos ao mesmo protocolo de reabilitação, porém o grupo intervenção fez uso de bolsa de gelo e elevação por 20 minutos duas vezes por dia.
O grupo intervenção após 4 atendimentos (pós-operatório imediato) apresentou melhora mais significativa que o grupo controle na ADM de flexão e extensão de joelho, e nos níveis de dor medidos pela escala analógica de dor.
O estudo mostrou que a crioterapia no pós-operatório imediato foi eficaz na melhora da ADM e da intensidade da dor, o que contribui para diminuição nas complicações e auxilia no protocolo acelerado de reabilitação. A crioterapia tem também a vantagem de ser uma modalidade terapêutica de fácil aplicação podendo ser orientada para o uso domiciliar. 
As limitações do estudo ficam por conta do número reduzido de participantes, futuros estudos, com um número maior de participantes, devem ser feitos com o objetivo, de a longo prazo, determinar se realmente a crioterapia contribui positivamente na reabilitação deste tipo de intervenção cirúrgica.



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Exercícios para a Síndrome da Banda Iliotibial

Exercícios


KinesioTapping para Síndrome


Lesões na Corrida - Caso Clínico


Corredora recreacional, 33 anos, apresenta uma dor na região lateral direita do joelho há aproximadamente 3 semanas quando foi correr em uma trilha enlameada e desnivelada. Estava treinando para uma maratona. Não apresentava histórico de lesões anteriores apesar de correr já a 3 anos.
Na avaliação clínica apresentou um sutil sinal de Trendelenburg na marcha, um calcâneo valgo, fraqueza funcional nos rotadores e abdutores do quadril direito, diminuição de flexibilidade nos Isquiotibiais, quadríceps e sóleo. Na palpação apresentou uma rigidez e um incomodo na banda iliotibial e teste de OBER positivo. Na análise da corrida a paciente apresentou hiperextensão do joelho e aumento da inclinação do pé durante a fase de contato inicial, além de aumento na adução do quadril, rotação interna da perna direita e valgo dinâmico do joelho.
Qual diagnóstico diferencial?
Diversas são as causas de dor lateral do joelho: Síndrome da banda iliotibial, lesão de menisco ou ligamento colateral e tendinopatia da porção lateral dos isquiotibiais(ITB). A dor de lesões no menisco e/ou no ligamento se caracteriza por ser uma dor na região da linha articular com testes especiais positivos, como o teste de McMurray (menisco) ou a tração lateral que coloca em tensão os ligamentos gerando dor. Ambos estão relacionados com lesões agudas e não crônicas. Nas tendinopatias dos ITB a dor é posterior e lateral, que aumenta com a flexão forçada e atividades excêntricas do joelho, pois coloca em tensão seus tendões supostamente inflamados.
A paciente apresenta um caso clássico de Síndrome da Banda iliotibial, que é causa mais comum de dor na região lateral dos joelhos dos corredores. A prevalência desta disfunção foi citada por alguns autores em torno de 12-22% dos praticantes de tal modalidade (Linenger,1992). A BIT está sob maior tensão quando o joelho se encontra a aproximadamente 30º durante o contato inicial. Segundo alguns autores, ocorre uma compressão e fricção de estruturas nervosas nesta região causando a dor (Fairclough,2008). Os sintomas tendem a aparecer em corridas longas ou curtas em alta velocidade, e durante subidas e descidas de escadas. É comum também em corredores que fazem o contato inicial com os calcanhares e com os pés supinados e os joelhos em varo, o que aumenta a adução e rotação interna. É comum também quando os corredores aumentam mais que 10% seu volume de treinamento numa determinada semana. Causas potenciais da síndrome são genu varo ou valgo, flexibilidade diminuída do quadríceps e discrepância no tamanho dos membros. 
Na fase aguda o tratamento é repouso, gelo e anti-inflamatório. Natação e bicicleta, livre da dor, estão liberados. Alongamento dos músculos do joelho e quadril também será indicado, de acordo com a avaliação física. A terapia manual pode auxiliar na melhora do mobilidade da cabeça da fíbula e das articulações do tornozelo. Fortalecimento dos abdutores, rotadores externos e extensores do joelho são fundamentais. Inicialmente o trabalho de fortalecimento começa em cadeia cinética aberta e evolui, de acordo com a melhora do quadro, para cadeia cinética fechada. Educação proprioceptiva e neuromuscular auxiliam no estímulo ao recrutamento eficiente dos abdutores e rotadores externos do quadril. Tapping e uso de palmilhas também odem ser utilizados. Após a melhora o retorno à corrida deve ser feito de forma gradativa, respeitando o princípio do sobrecarga.
Fonte: Diagnosis, Treatment, and Prevention of Common Running Injuries- Ryan C. Enke, MD, and Jonathan E. Gallas

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Prevenção das Lesões na Corrida

Diversos são os fatores que aumentam a possibilidade de lesões durante a corrida. Entre eles podemos citar os erros no treinamento, o terreno e o tipo de calçado, além do mau-alinhamento nos membros inferiores, a fraqueza muscular e a diminuição na flexibilidade. 
Sem duvida o fator mais significativo são os erros no treinamento, sendo que 60% das lesões são causadas por este fator. A expressão "too much, too soon", muito treino em pouco tempo, expressa bem a influência deste erro nas lesões. Estas são decorrentes do excesso de carga que sobressai à capacidade de adaptação dos tecidos, ou seja, o tempo de recuperação é tão importante quanto o tempo de sobrecarga.Há um certo consenso que para minimizar a possibilidade de lesões decorrentes dos erros no treinamento, os corredores não devem aumentar duração ou intensidade mais do que 10% por semana.
Fraqueza e rigidez muscular do quadríceps, gastrocnêmios e sóleo estão associados com lesões. Johansson diz que um músculo fadigado é incapaz de resistir às forças de impacto que são submetidas as estruturas do corpo durante a corrida, o que seria fonte de problemas. Há consenso que é importante exercícios de força e flexibilidade para prevenir ou tratar as lesões decorrentes da corrida. Segue abaixo uma série de importantes exercícios que todo corredor deveria praticar.
Nos próximos post, irei falar com mais detalhes sobre as principais lesões, como preveni-las e tratá-las.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Teste de Craig - Anteversão Femoral


O paciente posicionado em decúbito ventral e o trocânter do fêmur é palpado. O ângulo é medido quando o trocanter se apresentar mais lateral (sente o deslocamento do trocânter). O ângulo é formado pela perna e a linha vertical. O teste é usado para avaliar a anteversão femoral.
Nyland (2004) mostrou uma correlação da ativação da musculatura do quadril com o ângulo de anteversão femoral, quanto maior a anteversão menor a ativação do glúteo médio e do vasto medial do joelho. Esta correlação explica a correlação entre a anteversão e a síndrome patelofemoral.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

NOVO VÍDEO NO LINK - Cintura Escapular (Mobilidade e Testes do Ombro)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Força de Quadril e Tronco na Dor Patelofemoral

A dor patelofemoral (PFP) é uma das mais comuns desordens do membro inferior. Sua etiologia e o tratamento é vago e controverso, sendo o foco da reabilitação o local da dor (joelho), com o fortalecimento do quadríceps, tapping patelar, alongamento e mobilização tecidual. Estudos recentes tem demonstrado que  o enfraquecimento dos músculos proximais do membro inferior (quadril e tronco), com perda do controle da abdução e rotação interna, poderia ser uma causa importante da disfunção.
Caso clínico publicado na JOSPT de novembro de 2003, descreve um programa que foca primeiramente no quadril, pelve e musculatura do tronco com o objetivo de diminuir a dor decorrente da PFP. 
Na avaliação dinâmica através da cinemetria, os sujeitos apresentaram durante marcha: (a) excessiva adução durante a descarga de peso; (b) excessiva rotação interna no médio apoio; nenhum apresentou excessiva pronação subtalar ou excessiva rotação tibial interna.
Avaliação dinâmica - Note a adução do MI direito
Na avaliação da força, ambos os pacientes apresentaram fraqueza de glúteo médio e máximo e também apresentaram pobre controle neuromuscular. Corroborando com a teoria proposta acima.
Alguns exercícios realizados no programa
Como resultado, ambos os pacientes experimentaram uma redução significativa da dor, uma melhora na cinemática dos membros inferiores, aumento na força de 50% e 90% no glúteo médio e melhora na força do glúteo máximo de 55% a 110%. 
Diante destes resultados, os autores sugerem a inclusão deste programa no tratamento dos pacientes com PFP.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Kinesiotaping

Artigo publicado na CLINICAL JOURNAL OF SPORT MEDICINE do mês de julho de 2012, avaliou a eficácia do uso do Kinesiotaping (KT) na inibição e no aumento da força do quadríceps de indivíduos saudáveis. Foram recrutados 36 indivíduos que foram submetidos a três aplicações em dias diferentes, uma inibindo, uma estimulando e outra simulando (funcionando como placebo). Ambas não mostraram resultados significativos, o que levou os autores a não recomendar o uso do KT com o objetivo de aumentar a força em indivíduos saudáveis.




terça-feira, 3 de julho de 2012

Hipermobilidade Articular Generalizada

A Hipermobilidade articular generalizada (HAG) é uma disfunção hereditária do tecido conjuntivo caracterizada por excesso de mobilidade de múltiplas articulações. É uma alteração benigna que pode ocasionar diversos quadros músculo-esqueléticos associados à dor articular. Os sintomas articulares podem estar relacionados com microtraumas por uso excessivo e/ou inadequado da articulação. Reconhecer a hipermobilidade articular é fundamental para a prevenção e tratamento das alterações músculo-esqueléticas.
A HAG é avaliada através do escore de Beighton, que examina 9 articulações através de 5 testes:(Figura abaixo) 
  • Extensão do dedo mínimo (A);
  • Hiperextensão dos joelhos (B);
  • Flexão do tronco (C);
  • Oposição do polegar em direção ao antebraço (D);
  • Hiperextensão do cotovelo (E).


Cada teste positivo um ponto é creditado ao escore. Pontuação igual ou superior a 4 é indicativo de HAG. 
Estudo publicado nos ARQUIVOS DA CIÊNCIA DA SAÚDE (2006) avaliou trabalhadores da indústria moveleira e têxtil para determinar a prevalência de HAG e dor músculo-esquelética. Hipermobilidade articular foi encontrada em 1,9% dos funcionários da indústria moveleira e em 27,7% dos da indústria têxtil; destes, respectivamente, 100% e 84,6% apresentaram dor. Os autores concluíram então, que a detecção precoce da hipermobilidade articular e de suas co-morbidades têm grande importância na prevenção de doenças ocupacionais.