Discutir as evidências e os assuntos relevantes na Fisioterapia Traumato-Ortopédica
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Corrida e Longevidade
Segundo Schnohr et al (2015) praticar corrida com altas intensidade e frequência, não é garantia de maiores resultados de sobrevida quando comparado com sujeitos sedentários. Praticar de 1 a 2.4 horas de corrida por semana, com frequência de 2 a 3 vezes, é mais favorável para a saúde e sobrevida do praticante, ou seja, "mais atividade neste caso não significa mais sobrevida". Os autores sugerem um gráfico em forma de "U-Invertido", quando relaciona intensidade de corrida X sobrevida, indicando perda de benefícios com corrida de alta intensidade.
Estes achados vai contra a máxima: "mais atividade física é melhor pra saúde e longevidade", porém encoraja o aumento do número de praticantes, em função da facilidade de obter resultados satisfatórios e alcançáveis com a pratica da corrida.
Este resultado interessante possui algumas limitações, como o número pequeno de sedentários avaliados e o fato de não comparar com ativos não praticantes de corrida. Outra limitação é também a pequena amostra de corredores que praticavam a atividade com altos volumes (> 4 horas), o que limita o poder do teste estatístico.
É bom lembrar que existem outros estudos que obtiveram resultados contraditórios (Duck-chul Lee, 2015), encontraram maiores benefícios em quem pratica a mais tempo e por mais tempo a corrida. Este mesmo estudo porém, confirma que pequenas doses já é suficiente para resultados positivos e significativos. Já outros estudos, realizados com maratonistas, indicam que a pratica de corrida em altas distâncias, pode gerar danos importantes ao miocárdio e aumento na possibilidade de perigosas arritmias (Mohlenkamp, 2008).
FONTE: Optimal Dose of Running for Longevity. Is More Better or Worse? - JOURNAL OF THE AMERICAN COLLEG E OF CARDIOLOGY - VOL . 6 5 , N°. 5 , 2 0 1 5
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Exercício Excêntrico e Tendinopatias
As tendinopatias são importantes distúrbios músculo-esqueléticos, incluídas no grupo de lesões por esforço repetitivo. Mais de 30% das lesões esportivas tem relação com as tendinopatias. Não são exclusivas de indivíduos que praticam atividades esportivas, pois acometem também indivíduos sedentários.
Os fatores de risco para tendinopatias podem ser divididos em fatores intrínsecos e extrínsecos. Os intrínsecos incluem a idade, obesidade, aumento da circunferência abdominal, diabetes, hipertensão, dislipidemia e predisposição genética. Todos estes fatores afetam o microcirculação o que poderia explicar esta predisposição. Outros fatores intrínsecos que também podem ser citados são: alterações biomecânicas, diminuição de flexibilidade e força, desalinhamento e frouxidão articular. Os fatores extrínsecos incluem: carga excessiva, erro de treinamento, equipamento inadequado e tarefas laborais repetitivas.
O termo tendinopatia hoje é mais aceito que "tendinite", pois estudos tem mostrado que tendões que são fonte de dor não necessariamente apresenta processo inflamatório, mas mostram hiperplasia vascular e desorganização do colágeno, o que gera diminuição da resistência ao aumento de tensão.
Um programa terapêutico comum no tratamento das tendinopatias, que apresenta bons resultados na literatura, são os exercícios excêntricos. A pergunta é:
O porquê este tipo de exercício promove melhoras significativas?
- Maior carga ao tendão que o exercício concêntrico, o que fortaleceria e daria mais resistência;
- Redução no fluxo capilar anormal nos tendões;
- Melhora no processo de remodelamento do tendão após uma lesão;
- Aumento da síntese e da reorganização do colágeno, especialmente o tipo I que é comum em tendões saudáveis;
- Benefícios neuromusculares através da adaptação de agonistas e antagonistas;
OBS: Ainda há muitas questões obscuras sobre os mecanismo que explicariam os melhores benefícios dos exercícios excêntricos nas tendinopatias.
Baseado nas mais recentes pesquisas, o protocolo proposto para o tratamento das diversas tendinopatias é:
3 SÉRIES DE 12 REPETIÇÕES, UMA VEZ POR DIA DURANTE 12 SEMANAS
Os pacientes devem ser encorajados a fazer os exercícios mesmo com dor, porém esta dor não pode aumentar de intensidade e nem mostrar piora com o decorrer do tratamento. A parte concêntrica dos exercícios podem ser feitos passivamente ou com assistência. A velocidade é lenta inicialmente e deve aumentar a medida que o paciente mostrar evolução positiva. Sua rotina de atividades não precisa ser totalmente interrompida, se necessário diminua a intensidade e/ou a frequência até melhora do quadro. Se a dor for intensa inicialmente, outros recursos terapêuticos devem ser testados, inclusive repouso absoluta e uso de AINH.
FONTE: Eccentric Training for the Treatment of Tendinopathies - Volume 12 & Number 3 & May/June 2013 - Current Sports Medicine Reports
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Velocidade de Corrida e Vibração
Tem sido proposto que a vibração de corpo inteiro (VCI) potencializa os efeitos de um treino de força. Uma das explicações seria que determinadas frequências poderiam gerar uma sincronia entre a taxa de disparo das terminações primárias dos fusos musculares com a frequência da vibração.
Seus efeitos tem sido avaliados em gestos esportivos, como o salto vertical, mas nenhum estudo avaliou seus efeitos na velocidade de corrida. É importante salientar, que mesmo no salto vertical os resultados são contraditórios, e uma conclusão definitiva sobre os efeitos ainda é limitada.
Couto et al. (2015) avaliaram os efeitos crônicos do treinamento de força com diferentes frequências de vibração localizada sobre o desempenho nas diferentes fases do teste de velocidade de corrida. Os sujeitos do estudo, 55 homens não treinados, foram divididos em 4 grupos, e o treinamento foi realizado durante 4 semanas, 3 vezes por semana.
Todos os sujeitos, com exceção do grupo controle, realizavam sessões compostas por 12 contrações voluntárias máximas na posição semi-agachados durante 6 segundos. Protocolo em acordo com o estudo de Silva, Couto, e Szmuchrowski (2008), que observaram efeitos positivos com este tipo de treinamento.
A medida da velocidade de corrida foi realizado por meio do teste de velocidade V40m. Com 5 corridas de 40 metros, na maior velocidade possível, com intervalos de 5 minutos entre as corridas. Foi considerada na avaliação, a maior velocidade obtida nas 5 tentativas.
Conforme mostrado na tabela abaixo, não houve melhora significativa em nenhum dos grupos avaliados. O treinamento de força com vibração não conseguiu fazer aumentar a velocidade dos sujeitos avaliados, em nenhuma das fases do teste de 40 metros.
Segundo os autores do estudo, algumas observações explicariam os resultados negativos. Primeiro o tempo de 4 semanas de treinamento pode ter sido pequeno, e segundo, o percurso de 40 metros foi curto para mostrar resultados positivos, pois outros autores mostraram diferenças em percurso com 60 metros de distância (Giorgos e Elias (2007)). Cahma atenção também o fato de mesmo alterando os tipos de frequência (8 e 26 Hz), mesmo assim não houve diferenças significativas.
FONTE: Efeito crônico do treinamento de força com vibração localizada sobre a velocidade de corrida - Motricidade 2015, Volume 11 - Nº 1 - 98-107.
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Medida do Peitoral Menor
O encurtamento do peitoral menor (PM) tem sido retratado como possível fonte de retração no ombro e consequente aumento na incidência de síndrome do impacto. O PM curto limita o "tilting" posterior da escápula e sua rotação externa durante a elevação do braço o que diminui o espaço subacromial contribuindo para as lesões nas estruturas do ombro.
O método clínico mais empregado, utiliza a distância do ângulo póstero-lateral da escápula até a mesa de avaliação com o sujeito na posição supina. Distâncias maiores de 2,54 cm sugere encurtamento muscular. Este método, apesar de apresentar ótima confiabilidade intra-examinadores, carece de acurácia diagnóstica, por apresentar baixas sensibilidade e especificidade entre os examinadores. Entendo que este método seja mais importante para avaliar assimetrias bilaterais.
Outro método pouco conhecido, utiliza a distância entre a origem e a inserção do músculo PM (processo coracóide e quarto espaço costal), medida com o paquímetro ou com a fita métrica.
Este método mostrou ser mais confiável, mas necessita de mais estudos controlados para que seja aplicado em pesquisas ou na pratica clínica. Se for utilizado pelo mesmo examinador com etapas bem definidas, entendo que o método pode ser utilizado como forma de avaliar se um treino de flexibilidade específico para o PM tem dado resultado. No nível de evidência sobre estes métodos seria interessante a associação dos métodos nas avaliações e reavaliações. Um detecta o encurtamento e o outro avaliaria a eficiência do alongamento e até mesmo a participação do PM nas discinesias escapulares.
FONTES: Measurement of Pectoralis Minor Muscle Length: Validation and Clinical Application - journal of orthopaedic & sports physical therapy | volume 38 | number 4 | april 2008
The pectoralis minor length test: a study of the intra-rater reliability and diagnostic accuracy in subjects with and without shoulder symptoms - BMC Musculoskeletal Disorders 2007, 8:64
Movimentos da Cintura Escapular
FONTE: Shoulder Function and 3-Dimensional Kinematics in People With Shoulder Impingement Syndrome Before and After a 6-Week Exercise Program - PHYS THER. 2004; 84:832-848
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Alongamento do Peitoral Menor
Para um bom funcionamento do ombro é necessário um correto sincronismo entre os movimentos das diversas articulações que o compõem, entre elas a articulação entre a escápula e o tórax, o chamado ritmo escapulo-torácico. Portanto, uma alteração em qualquer estrutura periescapular ocasiona uma alteração importante e por isso são foco de intervenção preventiva ou reabilitadora.
Uma destas estruturas que podem interferir nos movimentos normais é o peitoral menor (PM), especialmente quando este está encurtado. A diminuição na flexibilidade do PM altera os movimentos de rotação pra cima, rotação externa e "tilt" posterior da escápula, levando a uma alteração na discinesia escapular e causando lesões, sendo a síndrome do impacto a mais importante.
Uma das intervenções propostas no tratamento desta rigidez muscular é o alongamento, tanto como forma preventiva como reabilitadora. Diversas técnicas de alongamento são descritas na literatura e a sua eficiência ainda apresenta resultados contraditórios. Duas técnicas passivas de alongamento foram testadas em 29 atletas de natação (4 homens e 25 mulheres) e os efeitos agudos, ou seja, em apenas uma sessão, nos movimentos da escápula foram avaliados. Os sujeitos foram divididos em 3 grupos: GC (Grupo Controle), Técnica 1 e Técnica 2. Ambos os ombros sofreram intervenção.
Foram realizados 2 repetições com 30 segundos cada. Após esta intervenção foram repetidas as medidas de comprimento muscular e cinemática escapular.
Os resultados mostraram que a Técnica 2 obteve resultados significativos em relação ao GC e que o tamanho do efeito foi considerado pequeno ou moderado (40%). Em relação à cinemática não houve alterações significativas. A Técnica 1 não mostrou eficiência nem no comprimento e na cinemática.
É importante chamar atenção que foram realizadas apenas 2 repetições e que os efeitos avaliados foram logo após ao alongamento, por isso cautela com os resultados. O que podemos observar é que parece que a segunda técnica mostrou ser mais eficiente, o que eu particularmente acredito ser verdade. Quanto aos resultados da cinemática, esperava que os resultados, mesmo que positivos dos alongamentos, não trouxessem alterações, pois o controle motor adequado para um perfeito movimento depende de mais do que diminuição na flexibilidade. É preciso um treino específico de coordenação como no vídeo já mostrado aqui.
FONTE: The International Journal of Sports Physical Therapy | Volume 8 - Number 1 | February 2013 - Page 31
FONTE: The International Journal of Sports Physical Therapy | Volume 8 - Number 1 | February 2013 - Page 31
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Alternativa aos medicamentos
Aproveitando o que foi dito no post anterior sobre o movimento de DESPRESCRIÇÃO, um artigo publicado na revista Fisioterapia em Movimento mostra o resultado de praticas de atividades físicas no âmbito do SUS em frequentadores de uma unidade da Estratégia Saúde da Família (ESF), no estado de saúde destes sujeitos.
Participaram do estudo 30 pessoas com hipertensão e diabetes registrados numa unidade de saúde. Foram avaliados o nível de atividade física, a pressão arterial, os níveis glicêmicos e IMC. O programa de atividade física foi realizado durante 10 meses, cinco vezes por semana, e consistiu de atividades aeróbias (dança, caminhada), exercícios de força e flexibilidade.
Após a intervenção todos os níveis avaliados mostraram melhora significativa. Houve redução na PA, na glicemia e IMC.
Este, e muitos outros estudos, mostram que existem outras alternativas mais saudáveis para tratar as pessoas sem uso de medicamento, que gera efeitos adversos sem interferir na qualidade de vida. Diversos posicionamentos das mais conceituadas associações médicas citam a importância de uma abordagem inicialmente conservadora, com mudanças no estilo de vida, e só em caso de insucesso é que são prescritos os medicamentos. Com certeza na pratica isso não ocorre, não há critério e com isso os resultados não aparecem. Levantamentos mostram que o sucesso na terapia contra a hipertensão, por exemplo, só obtém sucesso em menos de 30% dos pacientes em tratamento. Medicamento sem mudança no estilo de vida é certeza de frustração e iatrogenia.
SAÚDE SE TRATA TAMBÉM SEM MEDICAMENTO.
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Preocupados com efeitos colaterais, médicos cortam remédios de paciente
A reportagem faz uma análise de um tema importante nos cuidados médicos, que é a prescrição, na maioria das vezes, de medicamentos desnecessários. Esse movimento é chamado de "DESPRESCRIÇÃO" e está sendo adotado por muitos médicos de família e comunidade.
Vislumbro neste movimento uma importante chance de inserir os demais profissionais de saúde, incluindo nós fisioterapeutas, na substituição destes medicamentos desnecessários por condutas mais saudáveis e muito mais eficientes, gerando saúde e qualidade de vida. Temos condições de tratar diversas patologias com nossas técnicas sem necessidade de sermos invasivos e iatrogênicos.
Medicina se faz também sem remédio e sem médicos.CLIQUE AQUI
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Discinesia Escapular
Discinesia escapular são as alterações no posicionamento da escápula durante o movimento ou durante o repouso, e está associada a lesões do ombro, tais como síndrome do impacto, lesões do labro ou do manguito rotador. As causas são diversas, mas a alteração na ativação e coordenação dos músculos estabilizadores da escápula são as mais importantes. A fadiga muscular pode ocasionar estas alterações na ativação e coordenação dos músculos e é comum em esportes como o vôlei.
Estudo publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte os autores queriam avaliar se uma única sessão de treinamento influenciaria na prevalência de discinesia escapular em atletas de voleibol. Foram avaliadas 12 atletas do sexo feminino praticantes de voleibol que passaram por uma única avaliação, que consistiu primeiramente em uma anamnese para coleta de dados demográficos e histórico de lesões prévias e a avaliação da presença ou ausência de discinesia escapular. A presença foi graduada como "SIM" e a ausência como "NÃO", e avaliadas por dois avaliadores independentes.
A prevalência de discinesia escapular foi identificada em nove atletas na avaliação pré-treino (75%) e após a realização do treinamento, uma atleta que não apresentava alteração, passou a apresentar o padrão de discinesia, resultando na prevalência acumulada de 10 atletas (83%). Os resultados do estudo alertam para a necessidade de identificação precoce da discinesia para posterior intervenção preventiva e reabilitadora. O estudo mostra também que essa alteração pode aparecer mesmo após uma única sessão de treinamento em sujeitos que antes não apresentavam, o que leva a concluir que a identificação precoce deve levar em conta a intensidade do treino e a capacidade física do atleta para treinos de alta intensidade que levem à fadiga muscular.
FONTE: A INFLUÊNCIA DO TREINAMENTO NA DISCINESIA ESCAPULAR EM JOGADORAS DE VOLEIBOL: UM ESTUDO PROSPECTIVO - Rev Bras Med Esporte – Vol. 21, No 3 – Mai/Jun, 2015
FONTE: A INFLUÊNCIA DO TREINAMENTO NA DISCINESIA ESCAPULAR EM JOGADORAS DE VOLEIBOL: UM ESTUDO PROSPECTIVO - Rev Bras Med Esporte – Vol. 21, No 3 – Mai/Jun, 2015
terça-feira, 21 de julho de 2015
SPF e CORE
Mais um estudo clínico controlado e randomizado que compara um programa de tratamento para síndrome patelo-femoral (SPF) com exercícios direcionados para membros inferiores, com um programa que também trabalha o controle e a força do CORE.
Foram selecionados 42 pacientes com SPF e divididos em dois grupos diferentes. Grupo 1 exercícios de estabilização 3 vezes por semana durante 6 semanas, obedecendo a 3 princípios fundamentais:
- Ativação do CORE;
- Todos os exercícios devem ser feitos com a coluna vertebral na posição neutra;
- Exercícios realizados com respiração diafragmática para aumentar a eficiência de ativação do CORE;
O Grupo 2 realizou exercícios somente para o joelho e realizados em casa. Os voluntários foram instruídos a fazer um diário onde deviam anotar a evolução dos exercícios e a sua realização. O Grupo 1 também realizou os mesmo exercícios também em casa.
Foram avaliados a dor (Escala Analógica Visual) e aplicado o questionário KUJALA (assunto já tratado neste blog), além da flexibilidade dos ITB, a função do joelho através do one-leg-hop Test e também o TUG (timed get up & go Test), a força e a endurance dos ITB e quadríceps usando um dinamômetro isocinético. Para avaliação da estabilização postural foi utilizado o Beiring Sorenson test.
Os resultados mostraram que o programa de exercícios do Grupo 1 foi mais eficiente no alívio da dor, na melhora da força, flexibilidade e função nos sujeitos com SPF.
FONTE: The effect of postural stabilization exercises on pain and function in females with patellofemoral pain syndrome - Acta Orthop Traumatol Turc 2015;49(2):166-174
segunda-feira, 20 de julho de 2015
Programa The FIFA 11+
O programa FIFA 11+ é um programa de prevenção de lesões desenvolvido e implementado pela FIFA e lançado na Copa do Mundo da Africa do Sul (2010). Estudos tem demonstrado que a o programa pode auxiliar na prevenção de lesões quando implementado como forma de aquecimento, e que as equipes que o utilizaram reduziram a taxa de lesões comparado com as equipes que não implementaram o programa.
A investigação mostrou também que as equipes que realizaram o FIFA 11+ com mais frequência tiveram menos jogadores lesionados que as outras equipes que utilizaram o aquecimento tradicional.
O programa é composto de três partes num total de 15 exercícios. A 1ª parte é composta de exercícios de corrida com velocidade reduzida e contatos controlados com o parceiro. A 2ª parte tem um enfoque no trabalho de força dos membros inferiores e do CORE, equilíbrio e exercícios pliométricos com níveis de dificuldade crescente. E a última parte consiste de exercícios de corrida com velocidade de moderada a elevada combinados com movimentos de mudança de direção. Todos os exercícios devem ser realizados de forma correta e com bom controle neuromuscular e um bom alinhamento corporal.
Segue abaixo um vídeo (em inglês) que detalha quais são e como fazer corretamente os exercícios.
Prevenção de Lesões em Jogadores de Futebol
As lesões músculo-esqueléticas são intercorrências comuns no futebol, sendo que as lesões musculares representam cerca de 31% do total. As lesões dos isquiotibiais representam de 12 a 16% de todas as lesões relacionadas ao futebol. Prevenir estas lesões é um objetivo importante dos atletas e da equipe médica.
Revisão sistemática publicada na Revista Brasileira de Medicina do Esporte tem o objetivo de conhecer as evidências científicas sobre a eficácia de programas de exercício na prevenção de lesões dos isquiotibiais, em jogadores de futebol masculino. Foram selecionados 23 estudos, sendo que 5 estudos é que cumpriram todos os critérios de inclusão. O estudos envolveram cinco programas de exercício: força concêntrica e excêntrica; força excêntrica Nordic Hamstrings; The FIFA 11+; e elasticidade. Foram investigadas cinco variáveis: incidência de lesões, a incidência de novas lesões, a recorrência de lesões, a severidade das lesões e o risco de lesão.
Avaliando o quadro acima dos estudos selecionados, o programa de força concêntrica e excêntrica, comparativamente aos restantes, parece ser o mais eficaz na redução da incidência das lesões dos isquiotibiais. Já o programa de força excêntrica Nordic Hamstrings parece ser, de igual modo, eficiente na diminuição de incidência de novas lesões. Há evidências limitadas sobre estas conclusões.
FONTE: PROGRAMAS DE EXERCÍCIO NA PREVENÇÃO DE LESÕES EM JOGADORES DE FUTEBOL: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA - Rev Bras Med Esporte – Vol. 21, No 3 – Mai/Jun, 2015
Nordic Hamstrings
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Atividade Física - Recomendações da OMS 2013
O sedentarismo é considerado o quarto fator de risco de mortalidade mais importante em todo o mundo. Influencia o aumento na incidência do grupo de doenças conhecidas como DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS (DCNT). São doenças de causa multifatorial que, segundo a OMS, são responsáveis por mais de 63% das mortes no mundo, e 74% no Brasil. As 4 doenças de maior impacto são as doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e doenças respiratórias crônicas.
A OMS publicou em 2013 um documento que recomenda a atividade física como um importante fator para a prevenção de doenças e promoção de saúde, e divide estas recomendações em faixas etárias diferentes.
- 5 a 17 anos:
- 18 a 64 anos;
- 65 ou mais:
As mesmas recomendações que o grupo anterior, respeitando as característica e condições individuais.
Atividades com 150 minutos de intensidade moderada possui taxas de lesões menores quando comparado com atividades mais vigorosas em tempos menores.
OBS: Atividade moderada: corresponde a uma pontuação de 5-6 numa escala de 0-10, enquanto atividade vigorosa corresponde entre 7-8 numa escala de 0-10.
terça-feira, 14 de julho de 2015
Síndrome de Colisão do Ombro - Exercícios e Terapia Manual
Problemas no ombro são as alterações músculo-esqueléticas mais comuns nos consultórios de fisioterapia, sendo a síndrome de colisão do ombro ( síndrome do impingement subacromial) uma das alterações mais comuns. O tendão do supra-espinhoso é o mais atingido.
SENBURSA et al. recrutaram 77 pacientes com idades entre 33 e 57 anos com o objetivo de avaliar o tipo de tratamento mais eficiente nesta síndrome. Foram divididos em 3 grupos diferentes:
- 25 sujeitos para o Grupo 1. Exercícios supervisionados por um Fisioterapeuta;
- 30 sujeitos para o Grupo 2. Terapia manual mais os exercícios do Grupo 1;
- 22 pacientes para o Grupo 3. Orientação de exercícios realizados em casa.
Todos os sujeitos foram avaliados antes e após 4 e 12 semanas de intervenção. As medidas avaliadas foram a escala visual analógica de dor. ADM do ombro, teste de força manual e testes de estabilidade. A função foi avaliada através do American Shoulder and Elbow Surgeon’s questionnaire (MASES).
Todos os sujeitos dos três grupos realizaram um programa de alongamento e fortalecimento dos músculos rombóide, levantador da escápula, serrátil anterior e os músculos do manguito rotador. As atividades esportivas não foram permitidas e os exercícios foram realizados diariamente com 3 séries de 10 repetições.
A terapia manual consistiu de massagem de fricção profunda, mobilização neural (nervo radial), mobilização escapular, mobilização glenoumeral e técnicas de facilitação neuromuscular proprioceptiva.
As três intervenções mostraram resultados positivos, sendo que a melhora mais rápida ocorreu no grupo que realizou terapia manual. Em valores absolutos, os sujeitos do Grupo 2 obtiveram os melhores resultados no alívio da dor e na função, porém esta melhora não foi estatisticamente significativa. A inclusão da terapia manual ajudou a encurtar o período de tratamento e com isso diminuir custos.
FONTE: The effectiveness of manual therapy in supraspinatus tendinopathy - Gamze SENBURSA et al. - Acta Orthop Traumatol Turc 2011;45(3):162-167
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Treino dos Músculos do Tronco e Marcha dos Idosos
Série de exercícios estáticos para o tronco:
Série de exercícios dinâmicos para o tronco:
Série de exercícios dinâmicos para o tronco:
Estes dois programas de exercícios para tronco, um com exercícios estáticos e o outro dinâmicos, foram utilizados por um grupo de idosos, com a finalidade de observar seus efeitos em diversos parâmetros da marcha, como cadência, velocidade e comprimento do passo.
A queda, que é um problema importante neste grupo de sujeitos, tem uma relação direta com o equilíbrio ruim e uma marcha anormal. Os exercícios visam melhorar a força, flexibilidade dos membros inferiores e o equilíbrio estático e dinâmico, diminuindo a possibilidade de queda.
Os programa foram realizados 3 vezes por semana durante 12 semanas, e cada sessão demorava 30 minutos, divididos em fase de aquecimento, exercícios principais e fase de desaquecimento.
Os resultados são apresentados na tabela abaixo. Houve uma melhora em todos os parâmetros quando se compara os valores antes e depois do programa em ambos os grupos. Quando se comprara entre os grupos, o único parâmetro que mostrou diferença foi a velocidade da marcha. O grupo que realizou exercícios isométricos aumentarou mais a velocidade quando comparado com o programa de exercícios dinâmicos.
Estes achados são relevantes e auxiliam o Fisioterapeuta na elaboração e execução de um programa de exercícios que visem a prevenção de quedas em idosos com o risco aumentado. Pode inclusive mesclar os dois programas e com isso obter resultados ainda mais satisfatórios. Este também e mais um estudo que prova a eficiência da cinesioterapia na melhora de parâmetros importantes e com isso na melhora da capacidade funcional.
FONTE:The effects of isometric trunk exercises and dynamic trunk exercises on gait in elderly people - Nyeon-Jun Kim, PT et al. - J. Phys. T 1686 her. Sci. Vol. 27, No. 6, 2015
terça-feira, 7 de julho de 2015
Core, Entorses e Distensões
Fatores de risco para algumas lesões tem sido documentado na literatura, porém as intervenções preventivas são pouco estudadas, talvez seja em função da complexidade das lesões e a relação destas com os fatores de risco.
Os fatores de risco podem ser divididos em intrínsecos (FI) e extrínsecos (FE). O intrínsecos tem relação com as características individuais enquanto os extrínsecos com o ambiente e os equipamentos utilizados na pratica esportiva. É interessante frisar que os FI podem potencializar o risco de uma lesão e também interferir na capacidade funcional do atleta após a recuperação desta mesma lesão. As lesões podem ocasionar inibições neurais que podem alterar o desempenho de forma sutil e persistente em atletas de alto nível, o que pode levar a um aumento da susceptibilidade à lesão, iniciando um ciclo vicioso e perigoso.
O Core pode ser definido como o complexo lombo-pélvico-quadril, que é composto pela coluna lombar, pelve, articulações do quadril e estruturas passivas e ativas que produzem ou restringem os movimentos destes segmentos, e sua estabilidade é definida como a habilidade de controlar a posição e o movimento do tronco sobre a pelve e membros, para permitir a produção, transferência e controle da força e mobilidade destes segmentos em atividades de cadeia cinética fechada. Os músculos paravertebrais, abdominais e glúteos são o foco em treino de estabilidade do Core, e existem evidências que a melhora na sua performance reduz o risco de lesões, por exemplo, estabilidade ruim do Core, pode resultar em disfunção lombar.
Com objetivo de relacionar a performance e outras medidas com as entorses e distensões em membros inferiores em atletas de futebol, Wilkerson et al. (2012), publicaram um estudo na JAT. Para avaliar a performance do Core foram realizados 4 testes baseados no trabalho de McGill (1999), além de questionários que avaliaram a capacidade funcional da coluna lombar, quadril, joelhos e tornozelos; avaliaram também o IMC e a capacidade aeróbica. Estas medidas foram relacionadas com as lesões de membro inferior e calculados os riscos relativos e Odds Ratio.
Os autores observaram que quando comparava o grupo dos atletas lesados com os não lesados, as alterações significativas foram: no questionário que mede a capacidade funcional da lombar (Oswestry Disability Index) e num dos testes que avaliou o Core (Trunk-flexion Hold).
Observaram também, que diversas variáveis aumentavam o risco relativo de lesão quando presentes (Tabela 2), como o desempenho ruim em dois testes do Core, história prévia de lesões no joelho e no tornozelo, IMC maior que 32,7 kg/m2, etc.
E concluíram no final, que a presença de 3 ou mais fatores alterados podem aumentar o risco de uma lesão (Tabela 3), e que estes fatores podem ser avaliados e tratados como forma de prevenção às lesões em programas realizados por exemplo, numa pré-temporada. Os atletas susceptíveis podem ser identificados e um programa preventivo individualizado pode ser prescrito. Os resultados sugerem que o controle motor e a endurance do Core não pode ser negligenciado, principalmente em praticantes de futebol, sejam amadores ou profissionais.
FONTE: Prediction of Core and Lower Extremity Strains and
Sprains in Collegiate Football Players: A Preliminary
Study - JAT -Volume 47 N Number 3 N June 2012
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Lesões na Corrida 2
Nova revisão sistemática sobre lesões mais comuns entre corredores, foi publicada recentemente na Sports Medicine (Maio de 2015). O objetivo foi avaliar a incidência de lesões por cada 1000 horas de treino, em corredores profissionais e amadores, de longa e curta distância. Treze artigos foram avaliados entre o período de 1987 a 2014.
Os autores concluíram que o parâmetro lesões/1000 horas é uma medida importante de comparação de risco de lesão entre os estudos e concluíram também que os corredores iniciantes tem um risco significativamente maior de lesão (17,8%) que os demais tipos de corredores. Não existem trabalhos consistentes sobre a incidência em corredores de maratona e atletas profissionais.
FONTE: Incidence of Running-Related Injuries Per 1000 h of running in Different Types of Runners: A Systematic Review and Meta-Analysis - SPORTS MEDICINE, May-2015
terça-feira, 30 de junho de 2015
Alongamento. Quais os benefícios?
CAMARA FM et al. (2015) na REVISTA BRASILEIRA DE CIÊNCIA E MOVIMENTO, fazem uma discussão interessante sobre o papel do alongamento na prevenção de lesões, na melhora do desempenho e na redução da dor muscular tardia.
Com relação à prevenção de lesões, os autores mostram uma série de artigos que não sustentam essa teoria. Inclusive no que diz respeito ao uso do alongamento nas sessões de atividade laboral, estudos mostram melhora na flexibilidade sem diminuição na taxa de lesões durante 6 meses de acompanhamento. Estes estudos mostram que uma atividade laboral multi-componente seria mais eficiente que somente sessões de alongamento. É importante ressaltar que as lesões são multi fatoriais, e envolve idade, massa corporal, histórico prévio de lesões,
inexperiência com exercícios, desequilíbrio muscular,
entre outros. A lesão é muita mais que diminuição de flexibilidade.
Analisando o uso do alongamento na redução da dor muscular tardia, os autores, mais uma vez, refutam esta teoria, chamando atenção para o fato de que a justificativa para esta redução não se apoia em argumentos lógicos, ou seja, por que o alongamento promoveria tal benefício? Com certeza não passa de senso comum, "todo mundo faz e fala, eu também faço e falo".
O último mandamento é a melhora no desempenho. Com relação a este benefício, as hipóteses que procuram justificar o uso do alongamento desta vez são coerentes. O alongamento diminuiria a rigidez muscular, que por sua vez geraria um menor gasto energético e em consequência, a força para gerar a contração iria aumentar, porém os efeitos, os autores mostram que no mínimo são controversos. Alguns estudos mostram esta melhora, enquanto outros não corroboram estes achados.
Enfim, os benefícios de um programa de alongamento precisam ser mais estudados para legitimar tais praticas. Por enquanto não há sustentação consistente para a defesa do uso do alongamento.
Vale a pena ler o texto completo (Clique aqui).
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